(pt) Não seremos nós pela construção de um verdadeiro p rograma revolucionário ? [en, fr, it ]

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Quinta-Feira, 15 de Fevereiro de 2007 - 14:54:15 CET


Manuel Baptista - Colectivo "Luta Social; AC-Interpro (a título pessoal)

Temos de compreender que o nosso discurso e o nosso vocabulário são
estranhos para a enorme maioria dos trabalhadores


Mas isto não prova que tenhamos que reformular profundamente os conceitos
sobre o socialismo, a revolução, a luta de classes e outros assuntos
relacionados. Pelo contrário, há muitos casos em que as nossas intuições
ou análises científicas foram confirmadas como as mais adequadas, embora
desprezadas pela esquerda autoritária ou ignoradas e depois plItaliano:
agiadas não dando – claro - o crédito devido aos seus verdadeiros autores.
Isto quer dizer que temos fundamentalmente razão na maior parte das
questões, mas –apesar disto – não conseguimos comunicar de maneira que as
nossas teorias e análises sejam bem compreendidas pelo público mais vasto.

E verdade que ficámos confinados a um gueto durante decénios, mas também é
verdade que na última década, mais ou menos, vivemos um renascimento em
muitos países, quebrámos o muro do silêncio e podemos falar quase
livremente na maioria dos países ricos e nalguns países ditos do «Terceiro
Mundo».

Mas para se ir além deste ponto, temos de nos munir, urgentemente, de
alguns novos instrumentos. Um deles, estou convicto, é um programa comum
internacional, que possa juntar sob a nossa bandeira, não apenas os que já
partilham grande parte ou a totalidade das nossas ideias, como –sobretudo
–daqueles milhões de trabalhadores que – até agora - não conhecem
verdadeiramente nada das nossas posições.

Este é o motivo porque vos escrevo esta carta à vos todos/todas, porque
estou profundamente convencido de que seria muito positivo se os nossos
colectivos locais aderissem a uma discussão sobre um programa, dizendo que
deveria ser o seu conteúdo e como pô-lo em prática, nas condições muito
diversas de cada país.

Parece-me que Anarkismo.net é um local ideal para isso e que é igualmente
o momento oportuno para lançar o debate sobre este assunto.

O movimento anarquista e revolucionário não foi protagonista de uma
tentativa séria de construir um programa revolucionário, desde há muito
tempo. A última tentativa séria foi a que levaram a cabo (e falharam, num
certo sentido) os autores da «Plataforma de Organização». É evidente que
as condições hoje são totalmente diferentes da segunda metade da década de
1920 e continuamos com grandes incertezas sobre muitas questões. Porém,
todos esses pontos devem ser clarificados de tal modo que assumamos o
desafio do comunismo libertário enquanto parte activa nas lutas do século
XXI.

Abaixo, alguns pontos que – penso - deveriam ser fecundamente abordados
pela referida discussão:
- Queremos verdadeiramente a revolução. Devemos saber precisamente do que
estamos a falar.
- Sabendo que os métodos das forças da opressão são cada vez mais
sofisticados, quais são os meios de os contrariar e vencer, por métodos
revolucionários anda mais sofisticados.
- Mas sabemos também que – para que uma revolução triunfe – é necessário
igualmente um trabalho construtivo de instituições nossas ou mais gerais
da classe, sabendo desempenhar o seu papel na luta de classes.
- E, finalmente, somos muito profundamente ligados a uma mudança duradoura
na sociedade, porque sabemos das enormes vantagens ao nível individual, de
grupo e da Humanidade no seu todo, que serão trazidas por essa mudança.
Devemos descrever algumas variáveis da futura organização da sociedade,
mesmo se não temos – e não queremos ter- qualquer coisa que se pareça com
um «modelo».

Mesmo se não estais de acordo com as formulações acima, podeis estar no
entanto de acordo comigo para considerar que é chegado o momento de
iniciar esta discussão.

Não se pode ignorar que um tal programa, caso exista, aceite por uma vasta
maioria dos colectivos comunistas libertários do mundo, iria multiplicar
as nossas capacidades de organização, melhorar as nossas estratégias de
luta, etc.

Podemos programar encontros sobre este assunto, podia-se mesmo convocar um
congresso, se for estimado que merece o esforço e que seja assumido por um
número significativo das nossas organizações.

Aguardando a vossa resposta,

solidariamente,

Manuel Baptista
(a título pessoal)
Colectivo «Luta Social» e Sindicato «AC-Interpro»

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