(pt) [ANARKISMO.NET] Algumas Considerações Sobre Responsabilidade Colectiva

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Domingo, 26 de Agosto de 2007 - 21:30:40 CEST


por Marco Montenegro
riottheghost(A)riseup.net

Como crítica aos comunistas autoritários leninistas-marxistas, afirmamos
frequentemente que os meios devem estar de acordo com os fins, ou seja, se
queremos uma sociedade sem classes, onde tomos somos iguais, onde todos
temos os mesmos direitos e deveres, onde predomine a autogestão e onde
exista um equilíbrio entre indivíduo e colectivo, então também as
organizações anarquistas que lutam por essa sociedade devem estar de
acordo com esses princípios e, assim, ao contrário dos
marxistas-leninistas, devemos rejeitar as orgânicas burocráticas,
hierarquizadas verticalmente e centralizadas, como também devemos rejeitar
o “seguidismo”, o culto do líder e a passividade crítica
Como crítica aos comunistas autoritários leninistas-marxistas, afirmamos
frequentemente que os meios devem estar de acordo com os fins, ou seja, se
queremos uma sociedade sem classes, onde tomos somos iguais, onde todos
temos os mesmos direitos e deveres, onde predomine a autogestão e onde
exista um equilíbrio entre indivíduo e colectivo, então também as
organizações anarquistas que lutam por essa sociedade devem estar de
acordo com esses princípios e, assim, ao contrário dos
marxistas-leninistas, devemos rejeitar as orgânicas burocráticas,
hierarquizadas verticalmente e centralizadas, como também devemos rejeitar
o “seguidismo”, o culto do líder e a passividade crítica.

Desde logo, a prática de agir sob a responsabilidade de um indivíduo deve
ser decididamente condenada e rejeitada nos postos do movimento
anarquista. Isto, não só pela razão discorrida acima, a compatibilidade
entre meios e fins, mas também porque um indivíduo sozinho nada pode
conseguir sem ajuda de ninguém. Nem mesmo o escritor mais solitário poderá
escrever senão tiver quem lhe corte a árvore, quem lhe faça a pasta de
papel, quem lhe forneça a tinta. Um indivíduo agindo sozinho nunca
conseguirá nada de completo e que será facilmente descontextualizado. As
áreas de acção social e política são profundamente colectivas na sua
natureza, dai que as actividades, sociais e públicas, nunca se poderão
basear sob a responsabilidade de um indivíduo.

Logicamente, então temos o princípio de “Responsabilidade Colectiva”, um
princípio, que apesar dessa condenação do acto solitário, tem no entanto
uma ligação estrita com uma responsabilidade moral individual. O que quer
isto dizer? Ora como colectivo anarquista preconizando a horizontalidade e
a autogestão, todos os membros devem ser activos e participar em todas as
decisões da organização para que tais decisões sejam o fruto de uma
vontade o mais possível geral, fruto de uma discussão aberta a todos os
membros. Porque não admitimos que existam lideres e subordinados, nem
queremos que existam condições para tal, e porque queremos que todos
tenham uma capacidade crítica ilimitada baseada na racionalidade de uma
prática e não de um processo mimético de arrastamento. No entanto, isto só
acontecerá se existir essa responsabilidade moral individual, essa
predisposição moral para ser activo e critico sempre. Não existirá
responsabilidade colectiva sem responsabilidade individual e, vice-versa,
não existirá responsabilidade individual sem responsabilidade colectiva,
não só o indivíduo tem o dever de promover ele próprio a sua capacidade
crítica, como tem também o colectivo a responsabilidade de estimular
prática crítica de todos os indivíduos.

O anarco-sindicalista Rudolf Rocker tem nas suas memórias uma citação
curiosa acerca da responsabilidade individual que cada um tinha e que
determinava também uma responsabilidade colectiva que, de resto fazia a
força dos anarco-sindicalistas da CNT: “Uma das coisas que me
surpreenderam mais, foi a atenção com que o público escutava os oradores,
como se identificasse com eles; mas, contrariamente ao que se passava
noutros países, ninguém aplaudia para exprimir o seu entusiasmo. O próprio
Durruti, que falou em termos rudes, chamando sem eufemismo as coisas pelos
seus próprios nomes, não recolheu uma única ovação, ainda que fosse
visível que o público estava sensibilizado. Todos pensavam naquilo que
escutavam, num acto de reflexão. Perguntei depois a Durruti porque é que o
público não aplaudia. Pôs-se a rir e disse-me: «Mas, amigo Rudolf, sabes
perfeitamente que nós, anarquistas, não nos prestamos a nós próprios o
culto da personalidade. Os aplausos e as ovações que são dirigidas aos
oradores, são a musicazinha que faz despertar o verme da vaidade e, por
fim, o “leader”. É justo que se reconheça a competência do companheiro que
expõe a sua posição, mas, crer que ele é superior, isso é praticar o culto
do chefe; e isso não é norma entre os anarquistas”.





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