(pt) [Portugal] AINDA A PROPÓSITO DA VIOLÊNCIA POLICIAL DO 25 DE ABRIL DE 2007

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Segunda-Feira, 30 de Abril de 2007 - 12:32:27 CEST


No passado dia 25 de Abril de 2007, ao fim da
tarde, verificaram-se em Lisboa graves atropelos
aos direitos e às liberdades dos cidadãos, numa
data em que supostamente é comemorada a liberdade.
Esses atropelos consistiram numa violência
indiscriminada das forças policiais que carregaram
sobre jovens que tinham acabado de realizar uma
manifestação anticapitalista e antifascista.

Essa manifestação, que congregou cerca de 500
pessoas, teve início às 18h na Praça da Figueira e
dirigiu-se ao Largo do Camões, num espírito de
grande combatividade e festa, mas sem incidentes,
apesar de acompanhada à frente e atrás por um
grande número de efectivos policiais.

Quando dispersava, algumas pessoas foram cercadas
na Rua do Carmo e alvo da violência dos bastões
policiais. A violência policial generalizou-se
depois à Rua 1 de Dezembro e ao Rossio, com
bastonadas indiscriminadas que fizeram alguns
feridos, e resultou na detenção de 12 jovens.

A repressão policial teve também um carácter
claramente racista, tendo visado especificamente
grupos de jovens de cor de pele diferente, com
manobras intimidatórias e empurrando-os para
terminais de transportes.

A prepotência policial continuoU pela noite dentro
junto à 1ª Divisão da PSP, onde estavam detidos os
12 jovens, com atitudes de arrogância e ameaça
perante a meia centena de pessoas que aí se
concentraram em solidariedade com os presos.

Pese embora a libertação dos 12 jovens, que ficaram
sujeitos à medida de termo de identidade e
residência, iniciou-se por parte da PSP uma
campanha de diabolização dos participantes na
manifestação, rotulando-os de perigosos portadores
de objectos de "destruição maciça", acusações
ridículas e sem nexo, como se houvesse alguma
justificação para a exacerbada violência
entretanto exercida.

Refira-se ainda que, no chamado Dia da Liberdade,
o erário público suportou a mobilização de largas
dezenas de efectivos policiais em defesa de
publicidade e da sede de uma organização de cariz
fascista.

Todos estes acontecimentos estão a ter lugar quando
estão em curso manobras que visam branquear a
história recente do país: 48 anos de fascismo,
causadores de um atraso atróz no desenvolvimento do
país, uma miséria extrema, uma guerra colonial que
matou cerca de 10 mil jovens portugueses, já para
não falar nos traumas da guerra. Assiste-se ao
ressuscitar de simbologia salazarenta e ao
ressurgimento de toda a espécie de pides,
conjugados com ondas de racismo e xenofobia
protagonizados por grupelhos de criminosos.

O Colectivo Mumia Abu-Jamal apela ao cerrar de
fileiras e ao elevar da consciência de todos, ao
reavivar da memória colectiva, recusando o regresso
ao passado e lutando por uma sociedade mais justa,
sem racismo nem xenofobia.

O Colectivo Mumia Abu-Jamal
27 de Abril de 2007
(cmaj  mail.pt)

[Veja imagens que contrariam a versão da PSP e
verifique quem são os agressores e quem são as
vítimas, por exemplo em
http://galerias.escritacomluz.com/ajlborges/album06/aaa
e noutros blogues.]




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