(pt) [Portugal] Lisboa: 25 de Abril sob o signo da repressão

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Quarta-Feira, 25 de Abril de 2007 - 23:27:43 CEST


é favor espalhar amplamente

REPORTAGEM.

por Manuel Baptista

A manif correu muito bem, sem incidentes até ao Largo Camões. As pessoas no
Largo Camões tiraram fotos, gritaram uns slogans e algumas dispersaram.
Outras ficaram mais um pouco e organizaram-se em marcha «de regresso».
Assim, começaram a descer (em sentido inverso) o Chiado, virando na Rua do
Carmo, umas cinquenta pessoas, gritando slogans anti-fascistas. Eu
acompanhei a manifestação «de regresso» até este ponto. Verifiquei que os
carros da polícia iam retirando à medida que os manifestantes se
aproximavam, os três graduados da PSP, com os seus pingalins, desciam
descontraidamente a uns metros à frente da manif. Não houve problemas até
meio da Rua do Carmo. Na altura em que estavam os manifestantes a alcançar
as escadas por de baixo do elevador de Sta Justa (a meio da Calçada),
começaram eles -manifesantes- a fazer meia volta e a correr calçada acima.
Alguém os avisou que tinham sido encurralados. E assim foi. Carrinhas com
polícias de choque às largas dezenas desceram em grande velocidade o Chiado,
selando o alto da rua do Carmo, enquanto outras com igual força e os
referidos polícias de choque subiam a rua do Carmo. Estes últimos desceram
imediatamente dos carros, ainda antes destes travarem e começaram a correr
em direcção aos manifestantes, agredindo-os à bastonada enquanto estes
tentavam escapar desesperadamente. Os que estavam perto, meros espectadores
ou pessoas que acompanharam o cortejo de lado, ficaram também encurralados
por polícias agressivos, com ameaça física a toda a gente, mas que batiam
selvaticamente e sem hesitação em alguém que tivesse «aspecto» de
manifestante.
Vi polícias em grupos de cinco ou mais «dar caça» na baixa a manifestantes
ou outras pessoas. Uma rapariga que ia a fugir, estava diante da Pastelaria
Suiça, quando foi agredida, imobilizada no chão e arrastada sob prisão a 500
metros de distância para ser encurralada nos carros celulares. O mesmo
passou-se com outros (eles não fizeram nenhum gesto agressivo, a fuga era
para os polícias o «motivo» para perseguirem e baterem selvaticamente nessas
pessoas).

As pessoas que assistiram a isto tudo têm com certeza cenas de uma
brutalidade inaudita para contar (é importante testemunharem para se
apurarem responsabilidades) .

Eu tentei evitar que as pessoas permanececem presas, tentei falar calmamente
com o graduado da PSP. Este não ficou nada impressionado com o meu pedido,
inclusive disse-lhe que o que estava a fazer era profundamente incorrecto e
que ao menos soltasse as pessoas, pois não tinha a mínima legitimidade para
as manter presas.

As pessoas que foram presas, provavelmente foram brutalizadas todas no
momento da prisão, pois eu verifiquei o modo de actuar da polícia em vários
casos. Contaram-me que uma jovem ficou com o braço partido, o que não me
espantaria.

A actuação foi deliberada.
Foi uma actuação destinada a instilar medo.
O que fizeram e comandaram os graduados da PSP foi obviamente premeditado.
Penso que eles cometeram um atentado à liberdade de manifestação e à
integridade fícia de pessoas. É uma acusação grave mas posso (pudemos)
prová-la.

Queriam mostrar que são eles que decidem o que é a lei, no 25 de Abril, em
especial.

Assim estão eles a «garantir» a segurança dos cidadãos.

Os manifestantes, não estavam a cometer nenhuma infracção grave, apenas
estavam a gritar palavras de ordem e mais nada.
A polícia, essa, cometeu desacatos e muitos...

Fascismo NUNCA MAIS... 25 de Abril SEMPRE !!!

O POVO UNIDO JAMAIS SERÁ VENCIDO.


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