(pt) A BATALHA N. 219: «MURRAY BOOKCHIN»

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Quarta-Feira, 22 de Novembro de 2006 - 18:32:47 CET


Nasceu em Nova Iorque a 14 de Janeiro de 1921, filho de judeus russos
emigrados. Ingressou aos 9 anos na juventude comunista, da qual foi
expulso em 1937 por criticar Estaline. Após uma passagem pelo trotsquismo
e pela actividade sindical como operário das fundições de aço de Nova
Jersey viria, na década de 50, a sofrer a influência de militantes
anarquistas emigrados que o iniciaram no pensamento libertário. Uma
decepcionante experiência sindical no âmbito da CIO a par duma atitude
crítica relativamente ao marxismo e a algumas versões do anarquismo
conduziram-no a uma visão social da ecologia vinculada a uma opção
política descentralizadora – o municipalismo libertário.
Deu assim uma expressão coerente e vigorosa a elementos presentes em grau
variável em diferentes correntes do pensamento anarquista, pelo que se
pode dizer que foi o fundador da moderna corrente anarco-ecologista. A
falta de perspectiva ecológica do anarco-sindicalismo tradicional
(reforçada talvez pela sua negativa experiência sindicalista)  esteve na
origem da sua animosidade para com esta corrente do pensamento libertário.
Por outro lado o seu municipalismo libertário é mais inovador na
designação que no conteúdo, uma vez que a comuna, o município e o
federalismo estão há muito presentes no pensamento libertário e até no
republicano federal e monárquico liberal (v.g. Herculano). Talvez por
procurar raízes em diferentes modelos históricos e assumir atitude
relativamente pragmática o seu municipalismo libertário tenha sido acusado
de menos coerente e até de “reformista”.  É possível que a ideia
municipalista, muito vinculada a uma estrutura político-administrativa de
origem romana vigente no mundo dito ocidental, não seja tão facilmente
aplicável noutras sociedades como as africanas, asiáticas e mesmo em áreas
de população predominantemente indígena do continente americano.
Seja como fôr, Bookchin é indubitavelmente um dos grandes pensadores
libertários do século XX e deixará uma pegada indelével na formulação
teórica dum movimento de sua natureza multímodo, inquieto e irreverente
(quiçá menos irreverente do que se julga). Livros como «The Ecology of
Freedom”, “Urbanization without Cities» ou «Remaking Society” foram
extremamente importantes para a minha formação como, certamente, para
milhares doutras pessoas.
 É importante assinalar que Bookchin foi essencialmente um autodidacta,
obrigado a ganhar a vida como operário e não tendo podido aceder, pela
modesta condição económica da sua família, a graus académicos. O que não
o impediu de adquirir extensos conhecimentos, desenvolver as suas
próprias teorias e fundar, em 1974, o Institute for Social Ecology
(Vermont). Como não impediu a sua contratação para professor do Ramapo
College de Nova Jersey. Publicou centenas de artigos e uma vintena de
livros e foi um conferencista prolixo.
Faleceu aos 85 anos, por doença cardíaca, em 30 de Julho de 2006.

L.G.S.




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