(pt) "Luta Social" N. 13: ITÁLIA: UMA ESTRANHA FORMA DE CAMPANHA ELEITORAL

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Sexta-Feira, 31 de Março de 2006 - 18:44:56 CEST


Por Pier Francesco Zarcone

O dia das eleições está perto: 9 de Abril. Em geral, as pessoas não falam
disso, é como se aquele dia não tivesse importância. Não se fazem
comícios, ninguém conhece os programas dos partidos. Mas não importa: a
atenção está fixada nas presenças televisivas de Berlusconi e de Prodi.

Da coligação direitista aparece obsessivamente só Berlusconi, enfurecido,
nervoso, que prefere atacar no mais alto grau as oposições, ressuscitando
o velho e esgotado espantalho do perigo comunista (existente só na cabeça
dele), espalhando mentiras sobre os projectos do centro-esquerda e as
maravilhas que ele realizaria no seu terceiro mandato.

O centro-esquerda faz uma campanha bastante morna e manifesta un
“self-control” digno de melhor causa. O programa de Prodi (mais de 200
páginas!) fica sempre no sulco do neo-liberalismo; aparece como uma
“salada russa” para dar a aparência de satisfazer todos, desde os
moderados da “Margarita”, aos comunistas de Bertinotti; contém uma maior
preocupação por uma gestão mais correcta do orçamento; e sabemos que nesta
coligação os bandidos existem, mas são menos do que na coligação de
Berlusconi, que é um conjunto de piratas.	Estranhamante, as sondagens dão
uma diferença percentual de cinco pontos – mais ou menos – a favor do
centro-esquerda, quando os ordenados na maioria das famílias não chegam ao
final do mês, por causa duma situação económica geral (também aqui o euro
foi um desastre) que se resolve mal sem intervenção do governo. A
percentagem de pessoas abaixo do limiar de pobreza alarga-se, o desemprego
é consistente e o nivel do consumo baixou. Apesar disso, só cinco pontos
dividem a direita e centro-esquerda! Num país normal – feito de cidadãos e
não de súbditos, como é historicamente este povo, que inventou o “viva
França ou viva Espanha, desde que se coma” e que está sempre prestes a
ajudar o vencedor – a diferença seria, pelo menos, de vinte/trinta
pontos.	Outra coisa estranha é que na composição de classe do eleitorado
de centro-esquerda os trabalhadores assalariados são uma minoria (menos de
40%): a maioria dos proletários, vota pela direita e em maioria pelos
ex-fascistas da Aliança Nacional. Não há dúvida que, se em Itália houvesse
uma esquerda verdadeira, Prodi seria apontado como inimigo de classe, tal
como Berlusconi. A coligação de centro-esquerda está cheia de ex-
democratas cristãos; assim, no caso de vitória desta formação, o risco de
“morrermos sob governos democratas cristãos” (como se dizia na minha
juventude) vai ser forte. Mas para a sociedade italiana, outros cinco anos
de “berlusconismo” seriam a passagem à situação de «república das bananas
do Mediterrâneo».
Deve-se esperar a derrota de Berlusconi, para depois continuar a luta
contra o centro esquerda, fora de partidos e de sindicatos burocráticos,
tentando construir um pólo de combate e de atracção para os populares que
viram em Berlusconi a imagem atraente do italiano médio que fez dinheiro.
Não vai ser fácil, mas ... é caminhando que se faz o percurso.

Pier Francesco Zarcone



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