(pt) BOLETIM FAÍSCA #21
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Segunda-Feira, 19 de Junho de 2006 - 00:35:26 CEST
Assuntos deste boletim:
1. Novo lançamento da Faísca: Guerra da Tarifa 2005 de Leo Vinicius. 2.
Promoção ?Descontos de 40%?
3. Revista Letra Livre #45
4. Próximo lançamento Faísca / Achiamé / FARJ: Ricardo Flores Magón 5.
Artigo ?Mobilizações Sociais na América Latina: da Nacionalização dos
Recursos Bolivianos à Resistência no México?
#1. NOVO LANÇAMENTO DA FAÍSCA: GUERRA DA TARIFA 2005 DE LEO VINICIUS#
A versão impressa do livro que havíamos disponibilizado para download
gratuito em nosso site acaba de sair. Dando continuidade aos relatos da
luta de 2004 pelo passe-livre em Florianópolis, apresentados no livro A
Guerra da Tarifa, A GUERRA DA TARIFA 2005: VISÃO DE DENTRO DO MOVIMENTO
PASSE-LIVRE EM FLORIPA é o relato das mobilizações de 2005. Leo
Vinicius, mesmo autor da Guerra de 2004, passa ao leitor um relato
engajado das lutas que aconteceram durante o ano passado, traçando uma
análise crítica do movimento e sugerindo interessantes perspectivas de
luta para o presente. Lançamos também uma capa que envolve os dois
livros (Guerra 2004 e Guerra 2005), transformando-os em um só. Veja
abaixo as condições para compra:
1 exemplar da Guerra da Tarifa 2005 = R$ 12,00
1 exemplar da Guerra da Tarifa 2005 + 1 exemplar da Guerra da Tarifa
(2004) = R$ 22,00 e ganha uma capa para envolver os dois livros.
1 exemplar da Guerra da Tarifa 2005 + a capa para os dois livros = R$ 15,00
Para outras quantidades, entre em contato.
#2. PROMOÇÃO ?DESCONTOS DE 40%?#
Lembramos que está acontecendo uma promoção da Faísca em que colocamos
mais de 70 títulos de nosso catálogo com 40% de desconto. Para ver os
livros que estão na promoção, acesse:
www.editorafaisca.net/promocao40.htm. Corra, pois a promoção é valida
somente até 15/7.
#3. REVISTA LETRA LIVRE #45#
A editora Achiamé do Rio de Janeiro acaba de publicar o número 45 da
revista Letra Livre. Os artigos e autores que compõem a revista seguem
abaixo. A revista pode ser adquirida com a Faísca pelo preço de capa de
R$ 7,00 + R$ 1,00 de correio. Total: R$ 8,00. As assinaturas podem ser
feitas diretamente com o editor: letralivre gbl.com.br.
KROPOTKIN E A REVOLUÇÃO FRANCESA ? Regina Horta Duarte / ESCOLA
LIBERTÁRIA VERSUS LEGISLAÇÃO AUTORITÁRIA ? Silvio Gallo / MÚSICA ERUDITA
CONTEMPORÂNEA & FILOSOFIA ANARQUISTA / O QUADRO QUE SE
CONVERTEU EM NOVELA ? Octave Martí / FINALMENTE O FASCISMO TEM PAPA ?
Elias Letelier / LUTA DE CLASSES E UNIVERSO CULTURAL ? Nildo Viana /
LULA NÃO ESTUDOU POR PREGUIÇA ? Augusto Nunes / A MONOCULTURA, A ARACRUZ
CELULOSE E OS QUILOMBOLAS DO ESPÍRITO SANTO ? Hilaine Yaccoub / CHOQUE
DE IGNORÂNCIA ? Edward Said / CONTRA A SOCIEDADE DE MASSAS ? Chris
Wilson / O PREÇO DOS PREÇOS BAIXOS ? Jean-Christophe Servant / A
INTIFADA DE AL AQSA E A LEGISLAÇÃO INTERNACIONAL ? Francis Boyle /
BEILIN: UMA CRÔNICA DO INTERIOR DA PALESTINA ? Mohammed Khatib / O
GRANDE CRIME DOS PALESTINOS ? Ali Abunimah / IMPERIALISMO RUSSO E A
GUERRA NA TCHETCHÊNIA ? Cristina Dunaeva e Fernando Bomfim / MANIFESTO
UNIVERSAL DOS POETAS DO MUNDO ? Luis Arias Manzo.
#4. PRÓXIMO LANÇAMENTO FAÍSCA / ACHIAMÉ / FARJ: RICARDO FLORES MAGÓN#
A co-edição feita entre a Faísca, a editora Achiamé do Rio de Janeiro e
a Federação Anarquista do RJ: RICARDO FLORES MAGÓN: O APÓSTOLO DA
REVOLUÇÃO MEXICANA sairá do forno dentro em breve. O livro é uma
excelente biografia de Magón, escrita Diego Abad de Santillán
(1897-1983) e que tem como objetivo recordar a história, pouco
conhecida entre os brasileiros, da vida de Ricardo Flores Magón;
inegável exemplo de caráter e comprometimento, indiscutível vontade e
ímpeto libertários. Um homem que foi, sem dúvida alguma, o maior
expoente libertário da Revolução Mexicana do início do século XX. É por
meio de sua história que nos remetemos ao México da ditadura de Porfírio
Diaz, à criação do periódico Regeneración e do Partido
Liberal Mexicano (PLM) ? uma agremiação inspirada abertamente no
anarquismo ?, e a toda resistência que se seguiu à ditadura e depois ao
governo ?democrático? burguês de Francisco Madero. O relato da morte de
Magón na prisão de Leavenworth, Kansas, traz à tona questões de extrema
atualidade, como o papel do Estado na repressão dos
movimentos sociais e os absurdos cometidos nas prisões, como nos
recentes casos de Abu-Graib ou Guantánamo. Ricardo Flores Magón e o
movimento encabeçado por ele são mais um desses tantos exemplos da
História em que movimentos sociais libertários e revolucionários,
criados fora do Estado e em oposição a ele, lutam contra a opressão e
por seus direitos de autonomia e liberdade. A atualidade do pensamento e
da ação apresentados no livro não podem deixar de ser, ainda hoje,
grande fonte de inspiração para a resistência na América Latina ?
certamente muito maior do que esta suposta esquerda entendida a partir
do Estado. Os grupos abertamente magonistas e as alianças que se esboçam
em nosso continente (como a Aliança Magonista-Zapatista do México) são
alguns exemplos dos frutos colhidos por aqueles que, observando o
exemplo de Magón e da Revolução Mexicana, lutam hoje e fazem concreta a
esperança de um novo amanhã.
Leia abaixo o emocionante trecho de uma carta escrita por Magón do
cárcere, que reproduzimos na quarta capa do livro:
[...] Isto sela meu destino; ficarei cego, apodrecerei e morrerei dentro
destas horrendas paredes que me separam do resto do mundo, porque não
vou pedir perdão. Não o farei! Em meus 29 anos de luta pela liberdade
perdi tudo e toda oportunidade para me fazer rico e famoso; consumi
muitos anos de minha vida nas prisões; experimentei a senda do vagabundo
e do paria; vi-me desmaiado de fome; minha vida esteve em perigo muitas
vezes; perdi minha saúde; enfim perdi tudo, menos uma coisa, uma só
coisa que alimento, mimo e conservo quase com zelo fanático, e essa
coisa é minha honra como lutador. Pedir perdão
significa que estou arrependido de haver me atrevido a derrotar o
capitalismo para pôr em seu lugar um sistema baseado na livre
associação dos trabalhadores para produzir e consumir, e não estou
arrependido disso; em verdade sinto-me orgulhoso disso. Pedir perdão
significaria que abdico de meus ideais anarquistas; e não me retrato,
afirmo, afirmo que se a espécie humana chegar alguma vez a gozar de
verdadeira fraternidade, liberdade e justiça social, deverá ser por meio
do anarquismo. Assim, pois, [...], estou condenado a ficar cego e morrer
na prisão; mas prefiro isto a ter que voltar as costas aos
trabalhadores, e ter as portas da prisão abertas pelo preço de minha
vergonha. Não sobreviverei a meu cativeiro pois já estou velho; mas
quando eu morrer, meus amigos talvez inscrevam em meu túmulo: ?Aqui jaz
um sonhador?, e meus inimigos: ?Aqui jaz um louco?. Porém, não haverá
ninguém que se atreva a estampar esta inscrição: ?Aqui jaz um covarde e
traidor de suas idéias?.
#5. ARTIGO ?MOBILIZAÇÕES SOCIAIS NA AMÉRICA LATINA: DA NACIONALIZAÇÃO
DOS RECURSOS BOLIVIANOS À RESISTÊNCIA NO MÉXICO#
Apresentamos abaixo, um trecho do artigo de Felipe Corrêa que discute
algumas questões levantas pela nacionalização dos hidrocarbonetos
bolivianos. Além de discutir um pouco a nacionalização e seu
significado, o artigo coloca o problema da pobreza no mundo e na América
Latina e analisa dois tipos de saída: aqueles que se dão por dentro do
Estado (basicamente analisando as estratégias de estatismo de esquerda
presentes nos governos de Morales, Chávez, etc.) e aqueles que se dão
fora do Estado. Além disso, o artigo traça um paradigma de lutas levando
em conta o contexto do México, da Revolução Mexicana e das relações de
magonistas e zapatistas e seus recentes frutos, como uma das formas
possíveis de alternativa política de luta. O artigo pode ser lido na
íntegra na nossa página em
www.editorafaisca.net/mobilizacoes.htm.
?[...] O debate levantado pela nacionalização do gás boliviano traz
muitos assuntos à tona que precisam ser discutidos com mais espírito
crítico e profundidade. A posição defendida pela classe média, em grande
medida maniqueísta, reacionária e conservadora é um aviso: estamos nos
deixando levar pelas posições de Veja e outros veículos de imprensa que
servem ao status e aos poderosos.
É preciso que fique claro que atrás do nacionalismo colocado como pano
de fundo da suposta crise do gás, há algo mais que um ?jogo de
futebol? entre Brasil e Bolívia. Além do mais, não há conceito de
justiça social possível que possa colocar do mesmo lado, sustentando
esta idéia de ?Brasil e Bolívia?, o mendigo sem dentes que não tem o que
comer e a Petrobrás e seus bilhões de dólares de lucro. Da mesma forma,
não há solução possível para se tentar agrupar de um mesmo ?lado? do
jogo, o índio ou o trabalhador mineiro explorado, e o Estado ou as
empresas capitalistas. [...]
Apesar de grande parte da esquerda animar-se com as alternativas
estatistas que surgem na América Latina, com os governos de esquerda,
cabe questionarmos até que ponto as mudanças propostas por eles darão
conta de solucionar o velho problema Trabalho-Capital, colocado, desde
há séculos pelos socialistas. Cabe também, sairmos um pouco do
raciocínio ultrapragmático e simplista, que coloca como estratégia
simplesmente melhorar o que está posto em nossa mesa, reformando as
poucos, e com o dinheiro que sobrar, as estruturas carcomidas e
reacionárias do Estado.
Àqueles que esperam traçar um paradigma de lutas do século XXI, que
tenha por objetivo acabar com a exploração, vale saber que mesmo dentro
de nossa América Latina estão acontecendo movimentos de grande
importância e que possuem em seu bojo, muito mais democracia e
liberdade que todos os projetos estatais hoje em voga. O magonismo e o
zapatismo mexicanos são somente dois exemplos de outras tantas
mobilizações que, como os piqueteros na Argentina, setores dos
movimentos sem-teto e sem-terra no Brasil, o Movimento Passe-Livre,
dentre outros, questionam de fora do Estado o status-quo e oferecem
perspectivas libertárias de transformação do mundo. [...]?
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