(pt) Texto da Fédération Anarchiste: prostituição e campeonato mundial de futebol [fr]

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Sexta-Feira, 9 de Junho de 2006 - 22:19:07 CEST


Pão e circo pra tod  s!
> O mercado do futebol e da prostituição a propósito do campeonato mundial
de futebol na Alemanha <

Texto-comunicado da: www.federation-anarchiste.org

O escândalo da abertura de bordéis gigantes (hiper-bordéis) na Alemanha
não pára de aumentar à medida que se aproxima o mundial de futebol. O
esporte-negócio sempre estimulou o mercado da prostituição em paralelo aos
grandes acontecimentos desportivos. E a legalização da prostituição
além-Reno permite aos capitalistas explorar daqui para frente mais esta
mina financeira. Recorde-se que o maior bordel da Europa – o Ártemis –
pode acolher em Berlim 650 clientes para 100 prostitutas e isto não é
senão um começo


A conseqüência direta da criação do Ártemis é a chegada de milhares de
prostitutas vindas dos países economicamente dependentes (Europa do leste,
mas também da América Latina). Trata-se de um verdadeiro tráfico de carne
humana, orquestrado para favorecer os empresários do Ártemis e de todos os
proxenetas que consideram as mulheres como mercadorias e encaram os
clientes como consumidores de produtos de supermercado.

Estes bordéis são a conseqüência de uma sociedade iníqua onde a lógica do
lucro predomina: enchem-se de mulheres “a render”, a quem convencem com
rendimentos “fáceis”, sem qualquer proteção social. Ártemis é o sonho de
todos os patrões e, principalmente, a conseqüência da degradação dos
direitos sociais e da precarização generalizada. A indústria da
prostituição é de tal modo lucrativa que o investimento de 6,4 milhões de
euros fica quase pago em 6 meses. Os promotores do Ártemis reivindicam-se
do modelo do Mcdonald’s... Trata-se na verdade de um dos mercados mais
lucrativos, juntamente com o das armas e o das drogas.


A legalização da prostituição na Alemanha e nos Países Baixos não mudou o
problema de fundo e se a legalização permitiu a saída de uma situação
hipócrita de invisibilidade, o certo é que não trouxe a melhoria das
condições de vida de numerosas prostitutas: precariedade, suicídio, reféns
de redes mafiosas, violências, drogas etc. De resto, o efeito foi aumentar
o número de prostitutas em situação de precariedade: estima-se que 25% das
prostitutas do Ártemis sejam mulheres sem documentos legais. E a situação
piora quando se sabe que os serviços sociais alemães estão
impossibilitados de fazer um trabalho de informação e de investigar as
condições de prevenção e de higiene porque simplesmente os seus elementos
não poderão entrar!

O Estado alemão tem inteira responsabilidade por esta situação uma vez que
é ele que vai embolsar dinheiro fácil graças a esta mina que é o turismo
sexual. E não se esqueça que na França as leis de Sarkozy preferem
criminalizar as prostitutas do que os proxenetas e os clientes. A
crescente pauperização causada pela economia liberal estimula e desenvolve
a prostituição, pelo que a melhor forma de lutar contra os bordéis
organizados é combater a favor da igualdade social e pela partilha de
riquezas. Por natureza, o Estado prefere sempre salvaguardar os interesses
dos capitalistas. Combater os bordéis e a prostituição é lutar contra o
capitalismo e a ordem patriarcal. Por um mundo solidário, igualitário e de
amor livre.

Fédération Anarchiste, 4 de junho de 2006




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