(pt) A BATALHA N. 214: O TGV e a aproximação à Europa

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Terça-Feira, 17 de Janeiro de 2006 - 18:24:17 CET


O governo e alguns candidatos presidenciais têm procurado convencer-nos da
imperiosa necessidade do TGV para nos aproximarmos da Europa, onde
figuramos como país periférico. A ideia é pelo menos bizarra porque não há
livro ou atlas que situe Portugal noutro continente que não o europeu.
Talvez não queiram referir-se propriamente à Europa, onde efectivamente
estamos, mas ao núcleo central de países que integra os países mais
importantes (em desenvolvimento, demografia e extensão)  do continente
europeu e que integram a União Europeia. Mas esta ideia de perifericidade
é ambígua porque justapõe, e consequentemente confunde, problemas de
subdesenvolvimento e afastamento geográfico.
Na realidade nós não estamos assim tão longe como nos querem fazer crer.
Geograficamente a Islândia está bastante mais afastada e não parece
preocupada com isso. E a Irlanda, a Noruega, Suécia ou Finlândia também
não. Porque gozam dum nível de desenvolvimento mais elevado não se sentem
países periféricos Como é que os cidadãos desses países resolvem o
problema quando têm pressa e não podem utilizar o barco nem o caminho de
ferro? Fazem, e vão continuar a fazer, tal como nós temos feito até aqui,
tomam o avião. Que de resto é mais rápido que o TGV. Então porque é que só
nós teremos de abandonar o avião que já temos, por um meio de transporte
menos rápido e certamente mais dispendioso?
O sofisma utilizado pelos defensores do TGV é facilmente desmascarável. É
tomar a nuvem por Juno. O distanciamento dessa Europa que falam não é
geográfico, é sim económico, social, cultural, cívico
tudo menos
geográfico. E esse distanciamento não se vence com vias rápidas de
locomoção, porque se se vencesse estava há muito vencido com a introdução
do transporte aéreo. E é portanto ilusório pensar que o TGV, mais lento
que o avião, vai solucionar o problema que o avião não logrou resolver. E
é decerto por isso que esses países tão ou mais periféricos que nós, mas
tão ou mais desenvolvidos que os do centro europeu, se não sentem nada
«marginalizados». Porque do que realmente se trata é de estarmos tão longe
de Paris como estão os imigrantes magrebinos dos subúrbios da capital
francesa - a distância a que separa os pobres dos ricos, e que tem pouco a
ver com percursos quilométricas e rapidez dos comboios. E o combóio em que
nos querem meter é exactamente aquele que não nos faz apanhar a tal Europa
dos ricos, antes pelo contrário. Mas poderá fazer alguns ricos ainda mais
ricos, e aí é que está o busílis.




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