(pt) Pétala Negra n° 11 (fevereiro/2006) . Editado pela Organização Socialista Libertária de São Paulo: Ra cismo no Brasil: Um câncer social

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Sexta-Feira, 17 de Fevereiro de 2006 - 10:41:07 CET


A chegada dos invasores europeus, principalmente dos portugueses ao
território hoje brasileiro, significou o início de um processo
extremamente brutal e violento. Cruéis, covardes, traiçoeiros,
estupradores e assassinos, deixaram para trás um legado de terror, sem
precedentes na história da humanidade.

O saldo dessa prática genocida foi de aproximadamente 4,7 milhões de
indígenas (os povos originais destas terras) mortos e 6 milhões de
africanos seqüestrados e assassinados, na nova terra “descoberta” pelos
europeus, que depois chamaram de Brasil. E talvez tenha sido esse o feito
mais heróico do colonizador branco europeu, destruir a dignidade, a
cultura e a religião, escravizar e assassinar o povo negro e indígena.

Contudo todas as formas de opressão utilizadas pelos colonizadores não
foram aceitas de forma pacífica e dócil, como eles queriam que fossem e a
historiografia oficial tentou fazer-nos acreditar. O povo preto e indígena
lutou e resistiu brava e heroicamente, prova disso foram os quilombos, as
revoltas, insurreições e tantas outras formas de resistência, talvez sendo
esta a parte mais linda de nossa história.

Porém toda luta de nossos ancestrais ainda não bastou para derrotar o
inimigo e a violência continua nos dias hoje, a mesma elite “cara-pálida”
que há mais de 500 anos pisaram seus pés em nossas terras dão continuidade
ao seu crime, ontem eram senhores de engenho hoje são burgueses
engravatados e políticos entreguistas. Continuamos uma “colônia de
exploração” só que agora da metrópole imperialista yanque. A violência
policial (dos modernos capitães-do-mato) mata os jovens negros da
periferia, as mulheres e meninas pretas (muitas das quais empregadas
domésticas) continuam sendo estupradas, agora pelos “patrãozinhos”. Somos
nós, o povo preto e mestiço (muitos por conta dos estupros dos
“sinhôzinhos”) a maior parte da população brasileira, mas não temos acesso
a saúde, a moradia e a educação, jogados nos guetos ou nos presídios (que
são verdadeiros campos de concentração) somos a maioria imensa dos
desempregados, miseráveis e indigentes deste país, que foi construído com
o suor e o sangue de nossos ancestrais.

A ideologia do branqueamento e o totalitarismo branco, onde o negro tenta
ser menos negro e se aproximar da brancura dos poderosos também é parte do
racismo sistemático, aperfeiçoado e covarde da elite branca e do estado
burguês, que tem a grande mídia do seu lado (e não poderia ser diferente),
reproduzindo padrões europeizados de beleza e pensamento. E o fruto disso
é “a preta linda que não olha no espelho, tem vergonha do nariz, da boca e
do cabelo”.

Processo este (de branqueamento) que se iniciou ainda no século 19, com o
incentivo do governo brasileiro para importação de mão-de-obra
estrangeira, principalmente para o trabalho nas lavouras após a “abolição”
da escravatura, e os negros ex-escravos foram jogados nos guetos, sem
trabalho, educação e acesso a qualquer serviço público básico (que
libertação, hein!!!).

Processo que acabou também por trazer o anarquismo, enquanto ideologia
(enquanto método de luta e organização e não dogma - é bom lembrar) para
nossas terras, que chegou com os trabalhadores imigrantes europeus, vindo
da mesma terra do colonizador, mas que veio com o povo oprimido de lá, e
tinha os mesmos inimigos que o povo oprimido daqui.

E foi a serviço da burguesia e do estado racista, que intelectuais
vendidos como Gilberto Freyre e Nina Rodrigues construíram o mito da
“democracia racial” e do “país mestiço” a fim de liquidar a nossa
identidade afro-indígena. E Ruy Barbosa, símbolo da elite racista
brasileira, queimou os arquivos da escravidão, segundo ele para “acabar
com o passado negro do Brasil”.

Mas a supremacia branca, o estado burguês e a elite racista que se
perpétua no poder desde a invasão colonial, devem ser combatidas de
frente, pelo povo em luta, pelos movimentos sociais classistas e
combativos, com uma forte identidade racial e cultural, até que tenhamos
justiça, até que a babilônia caia e o poder branco e burguês voe em
estilhaços e possamos reconstruir Palmares, Canudos... o socialismo e a
liberdade, passando inicialmente pela construção de nossa auto-estima e
pela conquista dos direitos básicos, dignidade e respeito ainda negados à
população afro-descendente. Pela reparação imediata!

Poder Para o Povo Preto! Anarquismo é Luta!

Nossa sincera e humilde homenagem ao combatente negro afro-americano
Malcom X, assassinado em 21 de fevereiro de 1965. Hoje mais vivo do que
nunca!

Por Vermelho e Negro, pró-grupo anarquista organizado

Texto foi produzido para a edição n° 11 (fevereiro/2006) do jornal Pétala
Negra. Editado pela Organização Socialista Libertária de São Paulo
(OSL/SP), com o apoio dos grupos e organizações do Fórum do Anarquismo
Organizado – Brasil.


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