(pt) [A PLEBEnº 48] BANCÁRIOS MOSTRAM O CAMINHO DA LUTA E DA AUTO-ORGANIZAÇÃAUTO-ORGANIZAÇÃO

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Sábado, 16 de Dezembro de 2006 - 19:12:41 CET


A PLEBE - nº 48/Dezembro 2006 - A.C.A.T.-A.I.T.
Órgão de Divulgação do SINDIVÁRIOS-FOSP/COB-ACAT/AIT
SEM PARTIDO NEM PATRÃO! Ligada a Associação Internacional dos Trabalhadores
*Caixa Postal: 1.933/CEP- 01009-972 / São Paulo-SP/Brasil-Terra
(E-mail: fospcobait  yahoo.co.uk)

BANCÁRIOS MOSTRAM O CAMINHO DA LUTA E DA AUTO-ORGANIZAÇÃO

A campanha salarial dos bancários neste ano revelou aspectos
surpreendentes. A primeira surpresa é que a greve foi realmente forte (na
maior parte dos estados) em todas as regiões do país. Não era o que a
patronal e o governo esperavam. Depois da traição da Confederação Nacional
dos Trabalhadores do Ramo Financeiro(CONTRAF)  nos anos anteriores,
esperava-se que os bancários estivessem de “ressaca”, já que desde 2004
são obrigados a pagarem as horas de greve. O que se viu foi justamente o
contrário!

O calendário de mobilização da CONTRAF/CUT/PT, a princípio, não tinha data
para uma possível greve. O objetivo era esperar a reeleição de Lula no 1º
turno (o que era tido como uma certeza pelos pelegos) no dia 01/10. Só que
a data-base das negociações dos bancários era 01/09. Frente a isso, a
maior parte dos bancários nos estados passou por cima das determinações da
CONTRAF/CUT e foi à greve no final de setembro. Sem nenhum tipo de
organização por parte nem dos sindicatos, e nem da Oposição Bancária
(majoritariamente controlada pelo PSTU); o que houve foi um impulso
coletivo e espontâneo, uma revolta que estava guardada dentro de cada
trabalhador bancário explorado dia após dia pelo sistema financeiro.

Em São Paulo a greve teve um caráter muito peculiar. A maior parte dos
bancos no estado são privados, mas a maior parte de militantes trabalha
nos bancos públicos. O que se viu foi uma greve de bancos públicos (Banco
do Brasil e Caixa Econômica Federal), e somente uma porcentagem muito
pequena dos bancos privados aderiu à greve. No restante do país (com
exceção de Minas Gerais), a greve foi muito forte. Devido a essa
inesperada rebelião, os sindicatos - junto com a FENABAN - se articularam
e montaram um esquema de desmonte da greve: convocaram todos os gerentes
(inclusive pagando estacionamento para todos eles) para comparecerem às
assembléias e votarem pelo fim da greve. A greve se tornou muito incômoda
para o governo Lula/PT, já que se ela se estendesse por muito tempo
poderia atrapalhar a sua reeleição.

Os benefícios econômicos alcançados na campanha de 2006 foram praticamente
nulos. Os maiores benefícios, e a maior vitória, foi a percepção que os
bancários começaram a ter de que é possível se organizar sem estar
atrelado a um sindicato oficial. Essa vontade está se exprimindo na
desfiliação em massa que já está ocorrendo, já que o sindicato há muito
não representa os trabalhadores e é um visível escudo do governo. Mas não
basta a simples desfiliação; abre-se agora o debate para a formação de uma
associação paralela, desvinculada de qualquer partido, para levar em
frente as lutas dos bancários.  O maior debate em relação à esta nova
Associação são os mecanismos que os bancários podem utilizar sem cair na
mesma burocratização de um sindicato atrelado ao Estado e aos partidos – e
mesmo evitar que tal associação sirva de trampolim para algum partido
conseguir uma maior divulgação de sua imagem às custas do esforço
coletivo, como uma possível vinculação da nova Associação com a Conlutas,
por exemplo. Porém, ao não aprofundar as discussões nos locais de
trabalho, com os ativistas das agências, discutindo os Princípios
norteadores dessa Associação, abre-se o espaço para as manobras
burocratizadoras dos partidos, na luta por sua direção. Isso só se combate
pela autonomia das seções que a ela se vinculem, numa relação federalista
que reúna aqueles que estejam dispostos a lutar, não só por pequenas
melhorias imediatas, mas por uma mudança definitiva, uma ruptura com o
atual sistema. Além da questão central: se se cria uma Associação
Nacional, ela estará baseada em que? Nos sindicatos locais, atualmente
atrelados ao Estado? Se assim for a Associação já nasce morta!

Núcleo dos Trabalhadores Bancários do SINDIVÁRIOS-FOSP/COB-AIT







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