(pt) [Brasil] BOLETIM FAÍSCA #23

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Domingo, 27 de Agosto de 2006 - 13:29:41 CEST


Olá!

Você está recebendo o boletim da Faísca Publicações Libertárias!

Assuntos deste boletim:

1. Próximo lançamento Faísca/Imaginário: Instruir para Revoltar de  
Grégory Chambat
2. Faísca no Orkut
3. Balanço da promoção 40%
4. Precisa-se de voluntários!
5. Entrevista com Luis Ernesto Tavares "A ação direta e as comissões   de
Base são as grandes armas dos trabalhadores"


#1. PRÓXIMO LANÇAMENTO: INSTRUIR PARA REVOLTAR DE GRÉGORY CHAMBAT#

Em co-edição com a editora Imaginário, anunciamos a publicação de  
INSTRUIR PARA REVOLTAR: FERNAND PELLOUTIER E A EDUCAÇÃO do escritor  
francês Grégory Chambat, que sai dentro de poucas semanas. O livro, a  
partir da perspectiva do sindicalista revolucionário Fernand
Pelloutier, faz uma crítica à educação inserida dentro do capitalismo,  
que serve de instrumento para a dominação do Estado e para a criação   de
um povo subserviente e ignorante. O autor coloca a mudança na   educação
como fator fundamental para qualquer processo de libertação   social, ao
caminhar em paralelo com os elementos da ação direta.   Abaixo, você pode
ler a orelha do livro.

"Pode-se sinceramente considerar, sem desnaturar o pensamento de  
Pelloutier, que a escola desempenha para ele o mesmo papel [que a   arte].
Esses dois 'aparelhos ideológicos de Estado', como se diria   hoje, têm em
comum o fato de que eles são simultaneamente as piores   cadeias para a
humanidade explorada e os instrumentos que lhe
permitirão forjar um outro futuro. Paradoxo no qual os militantes de  
hoje se encontram igualmente: difícil fazer ouvir uma voz crítica em  
relação às taras da escola pública e suas funções sociais (seleção,  
formatação etc.) enquanto inúmeros militantes estão engajados no   combate
(legítimo) contra a privatização e a mercantilização da escola   em nome
da 'defesa' do serviço público garantidor de uma certa
'igualdade'. Para Pelloutier, o objetivo é claro: a educação deve   pôr-se
a serviço da revolução, pois sem educação do povo, nenhuma   revolução
autêntica será possível."


#2. FAÍSCA NO ORKUT#

Para aqueles que gostam do Orkut, agora há uma comunidade da Faísca.  
Para acessá-la basta digitar no site do Orkut (www.orkut.com) o nome   da
comunidade: Faísca Publicações Libertárias.


#3. BALANÇO DA PROMOÇÃO#

Gostaríamos de agradecer a todos os que compraram nossos livros na  
promoção com o grande desconto de 40% e também os que divulgaram o  
comunicado da editora para outras pessoas. Foram vendidos mais de 700  
livros, gerando uma movimentação fundamental para a impressão de   outros
livros que estão em processo de edição. Muito obrigado a todos!


#4. PRECISA-SE DE VOLTUNÁRIOS!#

Estamos cadastrando voluntários que possam ajudar a Faísca em diversas  
tarefas. Abaixo está uma lista das atividades que mais precisamos de  
ajuda. Caso seja de seu interesse, envie uma mensagem para o nosso  
e-mail com seus dados (nome, telefone e e-mail) e com as atividades   que
você está disposto a desenvolver. Como a Faísca é uma editora sem   fins
lucrativos, toda ajuda é fundamental para que o trabalho continue   a ser
desenvolvido.

* Tradução do inglês
* Tradução do francês
* Tradução do espanhol
* Tradução de outros idiomas (Qual?)
* Digitação (de livros em português, por exemplo)
* Design de capas
* Diagramação
* Design internet (páginas, etc.)
* Revisão
* Ilustrações / Desenhos
* Outros (descrever o quê).


#5. ENTREVISTA COM LUIS ERNESTO TAVARES#

Reproduzimos em nosso boletim, parte da entrevista que foi publicada  
originalmente no informativo Libera, da Federação Anarquista do Rio de  
Janeiro. Para ler a entrevista na íntegra, acesse
http://www.editorafaisca.net/tavares.htm.

Neste 1º de Maio - Dia de Luto e Luta - o Libera oferece aos leitores   o
testemunho de um companheiro profundamente participante nas lutas  
sociais. Luiz Ernesto Tavares na entrevista a seguir conta um pouco de  
sua longa trajetória engajada na categoria dos petroleiros, o que já   lhe
valeu diversas punições pelos donos da situação. Conta ainda   Tavares
como através da prática se encontrou com as idéias anarquistas   e lança
um alerta para que os trabalhadores fiquem atentos àqueles que   se dizem
seus defensores mas que, na realidade, apenas repetem (e   desta vez em
farsa) antigos esquemas de dominação. Manifesta nosso   entrevistado sua
convicção na ação direta e na organização de base   como as grandes armas
de combate dos trabalhadores.

Libera - E foi por aí que você se tornou anarquista? O que te levou a  
esta opção ideológica?
Tavares - Sim. O que me levou ao anarquismo foi observar que sua   prática
é sempre pela organização da base autogestionária e pela ação   direta
(greves). Inconscientemente eu já estava dentro da visão
anarquista. A política "dos outros" já me parecia falsa quando pude  
observar que não contemplava uma organização revolucionária dos
trabalhadores. Isto ficou claro naquela época e a gente vê hoje em  
movimentos como os recentemente acontecidos na França em que a CNT  
anarquista, organizada pela base, está atuando junto com outras
entidades libertárias. O povo, a base, conseguiu implodir uma lei  
ministerial através da ação direta, com o concurso de 2 greves gerais,   o
que é importante frisar. A partir do momento em que saí da
Convergência, logo a seguir vejo os anarquistas em uma passeata, li  
alguma coisa a respeito, não muito mas o suficiente e comecei a
discutir, atraído pelas propostas de ação direta, as greves de
ocupação, coisas de que já tínhamos uma prática na Bacia de Campos e a  
teoria anarquista confirmava tudo isto.

Libera - É interessante você se aproximar do anarquismo, que
desmascara a farsa institucional do sufrágio universal, em 1989, com a  
perspectiva da primeira eleição direta para presidente, o que levou  
muita gente a ter esperança no caminho eleitoral...
Tavares - Já tinha participado de outras eleições com a Convergência.  
Estou convencido de que realmente não podemos entregar nossas vontades   a
nenhum representante. O descompasso entre as lutas dos trabalhadores   e
política eleitoral parece estar bastante evidente para o movimento  
sindical atualmente. Agora mesmo podemos ver a questão dos petroleiros  
que praticamente não vão ter campanha em função da eleição agora para  
presidente da república. Foi assinado um acordo para a categoria   válido
por dois anos, quer dizer este ano, eleitoral, não tem acordo,   só o
dissídio, reajuste sindical. Penso que tal situação, que vincula   toda
uma organização de classe a um calendário eleitoral, é fruto da  
capitulação diante da democracia burguesa. O que poderia ser diferente  
se, como hoje na França, apelássemos para as organizações de base para  
que elas tirassem seus delegados e os enviassem como representantes de  
negociação para a formação de um quadro mais favorável a autonomia e  
autodeterminação da classe. Hoje nos petroleiros temos importantes  
demandas a serem encaminhadas. Reivindicações como a escala de "1 por   2"
e itens de segurança nas plataformas. Neste momento nas
plataformas, diferente do que pregam as diretorias burocratizadas, a  
classe deveria estar mobilizada para mostrar a necessidade da luta e   não
do atrelamento aos meios formais de representação oferecidos pela  
burguesia.

Libera - Você faria outras críticas ao MTS/CONLUTAS?
Tavares - Eu digo é que eles nunca se posicionaram em favor das
comissões de base, e isto já vem de longe. Não são a favor das
comissões de base em sua forma autônoma. Querem as comissões de base  
sempre ligadas ao sindicato, e não de forma autônoma como devem ser.  
Comissões de base, o nome já diz tudo, são organizações pela base.  
Tentam sempre manter a estrutura sindical como geradora de tudo. E uma  
estrutura atrelada ao governo. Eles nunca colocaram isto de uma forma  
bem clara. Em 2004 estas mesmas pessoas continuavam compondo com a   CUT,
isto é, com a posição verticalista do sindicalismo. Este é o ano   em que
começa a aparecer a CONLUTAS.

Libera - Você então compararia a CONLUTAS com a CUT em sua fase inicial?
Tavares - É uma repetição mais recuada do que era a CUT no início,  
porque a CUT defendia as comissões de base e o rompimento com a
estrutura sindical atrelada ao Estado. A CONLUTAS não coloca nada   disso.
Inclusive na questão das delegações eles defendem propostas   opostas a um
sindicalismo autônomo.


Faísca Publicações Libertárias
www.editorafaisca.net
faisca  riseup.net




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