(pt) A BATALHA N. 216 : CONFLITUALIDADE

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Terça-Feira, 25 de Abril de 2006 - 11:37:28 CEST


Os actuais governantes têm, para além de objectivos
contrários ao do mais modesto programa social democrata,
dado mostras de incessante busca de conflitos com os
mais variados estratos socio-profissionais e até com
militantes do seu próprio partido. Estudantes,
professores, operários, militares, polícias, juizes,
agricultores, pescadores, funcionários públicos,
farmacêuticos, médicos, enfermeiros, a lista parece não
ter fim à vista.
O governo não ausculta, não dialoga, o governo impõe.
É pecha natural dos governos, mormente se apoiados em
estáveis maiorias parlamentares. O sistema bipartidário
(que resulta da manipulação dos resultados eleitorais
pelo método de Hondt) que se procura radicalizar,
reduzindo ainda mais, por via de novas distorções
legislativas, a representação dos pequenos partidos,
tende a agravar o autoritarismo governamental.
É também evidente que o sistema político-partidário foi
implementado num país onde, durante meio século, a
auto-organização social fora praticamente nulificada
pela ditadura, não tendo logrado adquirir capacidade de
 resposta, isto é, o estatuto dum verdadeiro e eficaz
contrapoder.
Porque é que tal auto-organização social não surgiu após
o 25 de Abril?
Por duas razões fundamentais.
 A primeira porque, privados de real cidadania, os
portugueses tinham perdido as tradições e cultura
associativas. A segunda porque os partidos se lançaram
desde a primeira hora à tarefa de impedir essa
auto-organização, preferindo-lhe a criação de
organizações paralelas partidariamente controladas, por
forma a assegurar o seu efectivo monopólio do poder. A
mesmerização partidária, muito apoiada pela comunicação
social, aí conduziu. E enquanto, ao longo dos anos, o
entusiasmo ingénuo se extinguia, ia sendo gradualmente
substituído pelo oportunismo puro e duro. Os aparelhos
político-partidários passaram da fase inicial e incerta
da conquista do poder para a fase do seu tranquilo
usufruto. Algum novo-riquismo é aparente e casa bem com
certa imaturidade. E esta necessita do conflito como de
pão para a boca – como meio de auto-afirmação




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