(pt) «A BATALHA» N. 213: ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS, Até ao lavar dos cestos

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Sábado, 12 de Novembro de 2005 - 10:34:22 CET


Segundo informações divulgadas pela comunicação social esta campanha
eleitoral foi a mais cara de quantas se realizaram desde os idos de 1976
(julgamos até ter ouvido que se ultrapassou o somatório de todas as
anteriores). Esta prodigalidade estaria directamente relacionada com um
assomo de liberalidade governamental para com os partidos,
triplicando-lhes as subvenções. Lá diz o velho rifão que “do bolo da minha
comadre grossa fatia ao meu afilhado”. Unhas de fome para os funcionários
públicos, para os pensionistas e desempregados, mãos largas para o pessoal
político, que também aqui há lugar a distinção entre filhos e enteados.
Entre almoços, jantares, sardinhadas e churrascos – que bom proveito lhes
façam –, foram correndo cidades, vilas e aldeias, ora a pé ora de carro,
em coloridos cortejos de bandeiras e cartazes. Os cortejos apeados,
capitaneados pelos secretários-gerais dos partidos e/ou pelos candidatos
mais eminentes, distribuiram apertos de mão ou beijos segundo o sexo dos
potenciais eleitores e panfletos de propaganda sem olhar a sexo ou idade,
com acompanhamento de ‘zés pereiras’ e tambores. Os cortejos motorizados
substituiram os ‘zés pereiras’ por altifalantes que distilavam música
(apropriada ou não à natureza do evento) de mistura com palavras de ordem,
tudo em alta grita, e exibiam as mesma bandeiras, cartazes e lançavam ao
vento os mesmos prospectos de propaganda. Jornais, rádios e televisões,
acompanhavam os cortejos e comícios dando fé do que  por lá viam e/ou
ouviam. Este carnaval prolongado decorreu de forma idêntica a todas as
eleições anteriores, autárquicas ou não.
E tudo acabou no domingo com a votação  de quase dois terços do
eleitorado. Ficando tudo como dantes. No cômputo global o PS perdeu 4
câmaras, o PSD perdeu 1, o PC ganhou 4, o CDS perdeu 2 e o BE manteve a
que tinha. As caras dos autarcas também pouco mudaram. Ficou caro e nem
sequer atraiu turistas.
O primeiro-ministro, outros ministros e as direcções nacionais de todos os
partidos participaram activamente na campanha mas, à excepção da “oposição
de esquerda”, todos os outros acham que os resultados não têm uma leitura
nacional. Não teria se não tivessem as direcções partidárias escolhido os
candidatos e participado depois na campanha, permitindo que tudo
decorresse a nível local segundo os desejos das suas populações. E é em
boa medida para que se possam tirar ilações nacionais que essa intervenção
dos aparelhos partidários centrais se verifica e se gasta tanto dinheiro
em propaganda. Se assim não fosse deixariam os munícipes escolher em paz 
– ou em pugnas meramente intestinas – os seus órgãos autárquicos.
Ainda se os milhões dispendidos significassem um contributo importante
para a formação cívica dos cidadãos, habilitando-os a participar
eficazmente na resolução dos problemas da sua terra! Mas quê?! Foi
exactamente o contrário: uma operação de marketing para assegurar a
eleição dos candidatos de confiança designados pelas cúpulas partidárias,
abafando, de facto, qualquer iniciativa genuinamente local. E a moral da
história: houve dinheiro a rodos para a campanha, estão aí os cortes nas
verbas atribuídas pelo governo aos municípios.




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