(pt) Boletim "Luta Social" Nº4: Sensacionalismo e o arrastão

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Domingo, 26 de Junho de 2005 - 16:30:38 CEST


Numa altura conturbada, cheia de decisões agressivas contra os
trabalhadores da parte do governo... o arrastão não podia ter chegado em
melhor altura. Uma desculpa perfeita para distrair os portugueses. Grandes
títulos nos jornais... 500!!! Veio-se depois a saber que o número real era
bem mais pequeno! Não chegou sequer aos 50, segundo a polícia. É a
propaganda do medo... o número 500 é o que vai ficar.
Em tempos de crise os mais pobres são os que mais sofrem.. têm menos
hipóteses de emprego e educação.  Mas os preconceituosos que os mandam
trabalhar, são os mesmos que lhes negam emprego. É óbvio que o acto de
roubar é condenável, mas não o é por serem negros é-o por si só e é muito
mais condenável a organização social que propicia a criação de ghettos de
pobreza e consequentemente gera este tipo de acontecimento.
Tivemos assim oportunidade de ver com funcionam os média sensacionalistas.
O problema não está pois numa sociedade com mais ou menos segurança...
contra um sociedade com mais ou menos liberdade, está sim no facto de uma
maioria de pessoas  ser castrada por um regime económico – o capitalismo –
onde, muitas vezes, nem as suas necessidades vitais podem ser satisfeitas,
mas onde simultaneamente se está constantemente a apelar ao desejo para
estimular o consumo...No fundo, se pensarmos globalmente, facilmente
chegamos à conclusão de que o racismo serve essencialmente para duas
coisas:- para distrair a classe oprimida dos verdadeiros males que a
perseguem- para dividir entre si os diversos sectores da classe oprimida,
através de clivagens étnicas e/ou culturais... enfraquecendo assim a sua
capacidade de luta.
O combate ao racismo é portanto uma parte integrante do combate classista,
das organizações dos trabalhadores revolucionários.
O anti-racismo não deve dissociar-se dos aspectos mais gerais da luta de
classes, sob pena de ser apenas uma posição de princípio, inócua, sem
cunho libertador.






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