(pt) Boletim "Luta Social" Nº 4: Greves dos Docentes

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Domingo, 26 de Junho de 2005 - 16:24:41 CEST


Independentemente de estarmos sindicalizados (ou não) neste ou naquele
sindicato, temos todos o direito/dever de fazer um balanço destas acções.
Devemos considerar que uma greve não chega, nem chegaria nunca nas actuais
circunstâncias.
Porém, esta greve chegou para mostrar uma coisa: o governo revelou a sua
verdadeira face, autoritária, recusando qualquer diálogo. Mas nós devemos
também questionar-nos se o sindicalismo docente está à altura e adequado
ao tipo de lutas e de desafios que irão cada vez mais fazer-se sentir. Na
era do neo-liberalismo e da globalização capitalista é importante observar
as práticas sindicais, especialmente europeias, para vermos até que ponto
podemos aprender com a experiência alheia.
Alguma vez uma estrutura sindical dos países europeus ocidentais teria o
desplante de convocar os seus trabalhadores para uma greve dura, como
esta, em época de exames, sem ter realmente auscultado, não apenas os seus
activistas, como também o conjunto da classe, em plenários e assembleias
abertas, onde todos tivessem direito de expressão e de voto? Claro que
não. Pois só tal ampla consulta asseguraria a coesão para enfrentar
colectivamente os actos de repressão que muito provavelmente surgiriam.
Além disso, as referidas assembleias seriam factor decisivo para a taxa de
adesão à greve, um meio real e eficaz de mobilização.
Portanto, as estruturas sindicais burocráticas foram impelidas, pela
pressão dos docentes em geral e das suas próprias bases, a decretar greve
porém: (1) não promoveram de forma generalizada assembleias que
ratificassem as propostas de greve e (2) nem fizeram o mínimo esforço de
mobilização (limitaram-se a editar cartazes e folhetos, mas nem sequer os
distribuiram eficazmente!) Isto diz muito sobre o estado comatoso do
sindicalismo no nosso país.
Já há tempos que tal se verifica. O facto dos burocratas se agarrarem ao
poder, é análogo ao do comandante que prefere deixar-se afundar com o
próprio navio. Porém, neste caso, sem qualquer honra ou glória.
A análise confirma-se: eles fazem com que gerações de pessoas cultas, como
são os nossos colegas mais novos, não vejam qualquer interesse em se
envolverem em actividades sindicais, que consideram como meras extensões
das actividades partidárias.
Porém, existe outro sindicalismo, outra forma de defendermos os nossos
direitos e de nos relacionarmos.
Ele está vivo em correntes anti-autoritárias, não vinculadas a partidos
políticos, o sindicalismo de base, de inspiração libertária, apenas
comprometido com as decisões tomadas em assembleia. Onde não há "chefes"
ou "líderes", mas apenas mandatados entre iguais, tendo cada membro da
direcção o seu mandato revogável a todo o momento, por decisão da
assembleia e não se aceitando burocracias ou "profissionais" do
sindicalismo.



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