(pt) Luta Social Nº 5/6: REPRESSÃO EM ITÁLIA

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Quarta-Feira, 24 de Agosto de 2005 - 21:00:22 CEST


Na Itália, a repressão contra os dissidentes e os anarquistas
nunca cessou, na prática, tendo maior ou menor intensidade
consoante as situações conjunturais e/ou as exigências
políticas e propagandísticas dos vários governos.
O G8 em Génova representou indubitavelmente um salto
qualitativo não desprezível e actualmente neste país a
actividade repressiva opera num vasto raio contra todos
quantos se empenham nas diferentes lutas que se
desenvolvem quer contra estruturas específicas, quer contra
o sistema em geral: lutas ambientais (com particular
incidência contra os projectos de comboios de alta
velocidade, com impacto ambiental devastador),
antimilitaristas, animalistas, contra os centros de detenção
provisórios para imigrantes clandestinos, contra a
globalização capitalista, etc.
As vagas sucessivas de buscas domiciliárias e de prisões
contra anarquistas e anti-globalistas têm ocorrido, frequente
e intencionalmente usando meros pretextos e com
verdadeiros “teoremas” fabricados pela magistratura que
depois trata de dar corpo a essas acusações com sucessivas
recolhas ou confecção de provas.
Em boa parte trata-se de um “filme já visto” desde os fins dos
anos 60: o enredo é sempre o mesmo, mudam os actores –
mas não o realizador – e alguns elementos da intriga. Desta
vez, de facto, a trágica telenovela apresenta mais um
episódio, que permitiu ao governo soar o alarme pelo perigo
anarquista: trata-se das bombas nos pacotes postais e das
cartas explosivas endereçadas a homens políticos (entre os
quais Romano Prodi) e a quartéis de carabineiros, obra de
um fantasmagórica – e antes desconhecida – Federação
Anarquista Informal.
A tentativa policial de turvar as águas é tanto mais grosseira
e ridícula devido à identidade desta sigla com a da
Federação Anarquista italiana. Isto seria para rir, se: a) não
tivesse levado a um endurecimento da repressão, que ainda
continua agora; b) se não trouxesse para a ribalta uma
situação de perigosos e obscuros manejos e ligações entre
um sector dito anarco-insurrecionalista (constituído nos anos
80) e a polícia, com infiltrações relativas da parte desta
última.
Nos casos recentes de envio de explosivos pelos correios, as
dúvidas são fortes:
a) trata-se de uma novidade, não se enquadra no modo de
proceder das várias componentes da galáxia anarquista;
b) a iniciativa surge demasiadamente como plágio;
c) o nome é ridículo para anarquistas, qualquer que seja a
sua tendência.
Naturalmente aqui vão pelo meio peixes pequenos e quantos
– com o pretexto da repressão contra as forças subversivas –
caem nas malhas da polícia e dos carabineiros sem estarem
realmente envolvidos em tais “expedições postais”.
No seu relatório semestral, o ministro do interior, Pisanu,
definiu nos seguintes termos a Federação Anarquista
Informal: « (...) a componente subversiva de momento mais
perigosa... um núcleo central de orientação, ao qual está
atribuída a elaboração de um programa de iniciativas
violentas e, nalguns casos, potencialmente letais,
relacionado a temáticas pré-definidas; uma rede de ligações
não extemporâneas mas funcionais para o desenvolvimento
do projecto subversivo; uma visão estratégica comum que
regula os tempos, a progressão no nível de agressividade e
na extensão territorial»
E tudo isto à conta da informalidade! Tendo em conta que
nos meios anarquistas italianos não se sabe absolutamente
nada desta Federação fantasmagórica, o bom ministro de
Berlusconi (ex-democrata cristão) demonstra saber ao fim e
ao cabo demasiado.
Porém, a repressão não está parando as lutas dos
anarquistas e de quantos se opõem ao sistema. E este é que
é o aspecto importante.
Para obter mais informação sobre este tema:
http://www.ainfos.ca/it/
http://www.fdca.it/
http://www.federazioneanarchica.org/




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