(pt) [Portugal] "Luta Social" nº 5/6: Editorial

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Segunda-Feira, 22 de Agosto de 2005 - 11:10:05 CEST


É na calada do Verão
longe dos olhares indiscretos, que se
decidem os grandes apertões ou os negócios chorudos. Senão
veja-se: a negociação entre “parceiros sociais” que se irá
terminar inevitavelmente com a consignação da caducidade
dos contratos laborais em caso de não acordo das partes,
assim como o tratamento mais favorável, isto é: se um contrato
colectivo for menos favorável que um contrato de empresa, ao
contrário do que existia antes, o patrão pode contratar segundo
o menos favorável dos dois para o trabalhador.
No ensino, são impostas regras absurdas, que obrigam os professores
a ficarem horas e horas em estabelecimentos, que não oferecem
condições para eles desenvolverem qualquer trabalho útil, pois a
preparação das aulas, a actualização científica, etc. era e vai ter
de continuar a ser feita largamente fora dos estabelecimentos
escolares. Além do mais, é completamente desrespeitado o estatuto
da carreira docente.
As restantes carreiras da função pública são também sujeitas a grave ataque.
Tudo isto se passa, sem que ocorra qualquer contestação social séria.
Seria o momento de se perguntar porquê

Conhecemos o estado comatoso a que chegou o movimento sindical,
sujeito anos e anos a fio à ditadura férrea de direcções partidárias,
que utilizam os sindicatos como meros espaços de manobra,
subordinando as suas estratégias sindicais às estratégias partidárias
respectivas. Enquanto os trabalhadores portugueses se conformarem com
este estado de coisas, enquanto não souberem distinguir os seus falsos
amigos (nomeadamente os burocratas que se apossaram das cúpulas
sindicais) dos seus verdadeiros amigos (eles próprios, trabalhadores,
que estão trabalhando e lutando, quotidianamente) dificilmente o
movimento dos trabalhadores irá averbar mais do que cruéis derrotas.
Mas esta situação tem uma saída, a do sindicalismo de base, como
tem sido mostrado amplamente em vários pontos da Europa e que está
chegando através da FESAL-E* a Portugal também, sendo um ponto da
sua caminhada solidária o Encontro Europeu de 17 e 18 de Setembro,
em Lisboa, na Biblioteca Museu da República e Resistência.
Faz sentido investir a nossa energia e participarmos activamente
fortalecimento do núcleo português da FESAL-E, assim como do colectivo
‘Luta Social ’.
Apelamos à adesão de quaisquer que possuam uma vontade combativa,
anti-autoritária e anti-capitalista para se juntarem a nós. O colectivo
‘Luta Social ’ está permanentemente aberto e a colaboração
é sempre possível, desde o nível de uma iniciativa pontual até à
total integração como membro do colectivo.

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*FESAL-E : Federação Europeia de Sindicalismo Alternativo - Educação



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