(ca) Organização Anarquista Zabelê (CAB): 08 de Março: às que foram, às que continuam, às que virão.

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Sat Apr 16 08:43:24 CEST 2016


Inicia-se mais um 8 de março e acordamos com um gosto amargo na boca. Entendemos a 
importância simbólica do dia, mas sabemos que hoje é um dia combativo como os outros, não 
temos o que comemorar, principalmente nós, mulheres da classe trabalhadora, LGBT, pretas e 
de periferia, que sofremos triplamente, somos exploradas pelo capitalismo, oprimidas pelo 
machismo e mortas pelo racismo. Estamos passando por uma série de ataques aos nossos 
direitos, mergulhadas em uma crise econômica que provoca o encarecimento da cesta básica, 
aumento na energia, desemprego, terceirização, fechamento das escolas públicas e mais uma 
vez nos entregando a marginalidade, extermínio da juventude negra, crescimento de 54% na 
morte de mulheres negras no Brasil, nossos corpos entregues as leis da igreja e do estado, 
tal estado que legitima nossa morte, nossa vida precária.

Mas nós mulheres classistas, que negamos o estado opressor, machista e racista, saímos do 
anonimato pra reivindicar, contrariando as estáticas que nos mata, tomamos o fronte 
guerreando contra a tripla opressão e mostrando para nossas companheiras que nosso lugar é 
na luta, no fronte, na guerra, no feminismo classista, derrubando o estado, o capital, 
racismo, machismo e LBTfobia. Nosso 8 de março vai ser na rua, na luta, na periferia, 
incitando o e fortalecendo o feminismo classista.

Salve as mulheres classistas!

Salve as mulheres pobres e de periferia!

Salve as mulheres anarquistas!

Mulheres da Organização Anarquista Zabelê

Carta de Fundação OAZ

Saudações libertárias a todas e todos!

Após várias experiências e labor, debruçadas e debruçados sobre os estudos e primeiras 
vivências no seio social dos princípios anarquistas, algumas e alguns militantes, 
enxergaram a necessidade de se organizar mais e mais para se concluir a caminhada para 
revolução social que tanto almejamos E esta revolução não se realizará de forma mágica. 
Fazem-se necessários elementos orgânicos que estejam atuando firmemente agora no presente, 
para fazer gerar as condições para estes objetivos.

Os quase dois anos do Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí – GEAPI foram um laboratório 
sem igual, que permitiu acesso e conhecimento sobre o anarquismo no Piauí, colocando 
novamente socialismo libertário em pauta nas esferas dos movimentos populares. Mas a 
estrutura de grupo de estudos tem certas limitações, tanto na questão programática, quanto 
em organização política, que impedem alcançar resultados mais objetivos na luta contra o 
Estado e o capitalismo.

O momento atual exige de nós anarquistas, olharmos para os princípios com disciplina, 
planejamentos, empenho, em suma, organizados e organizados. Como já observou Dalton:

“A questão, então, nos é colocada de frente, sem possibilidade de evitá-la: podemos estar 
sinceramente satisfeitos com a propaganda? A propaganda, já admitimos, foi necessária para 
construir um movimento como o que temos hoje em dia. Mas não pode continuar sendo o foco 
exclusivo de nossos esforços atuais – a propaganda não pode determinar as necessidades da 
organização; são as necessidades da organização que devem determinar a propaganda. Podemos 
estar satisfeitos, com toda honestidade, indo de luta em luta divulgando nossos 
princípios? Nesta altura, deveríamos estabelecer algo mais para nós, deveríamos buscar uma 
linha de ação e de pensamento estratégico, que dê coerência à nossa participação (ou não 
participação) em uma ou outra luta. É hora de assumir responsavelmente a importância que 
nosso movimento conseguiu e deveríamos começar a nos comportar de acordo com esta 
circunstância’’

Não há outra caminhada para militantes que desejam provocar rupturas senão a da 
organização. Num processo dialético, a (o) militante precisa da organização e a mesma 
precisa do militante extremante afinado e disposto a desenvolver o trabalho sério junto 
com as camadas oprimidas pelo Estado e pelo capitalismo. Não com a intencionalidade de 
representá-las, nem falar por elas e muito menos doutriná-las a partir de verdades 
pré-estabelecidas. O nosso papel, enquanto militantes e organização é de provocar e 
construir os meios e jeitos para a população organizar-se e dar a resposta necessária para 
nossos algozes. Nosso papel é construir conjuntamente, a nível social os caminhos para 
transformação da realidade, que não virá de forma espontânea. Diante disso tudo, nós, 
grupo de militantes anarquistas, no auge de suas reflexões, enxergando todos os desafios e 
barreiras impostas, e acreditando na organização como ferramenta fundamental para se 
chegar a um futuro justo e livre de toda ordem de opressão, fundamos a OAZ (Organização 
Anarquista Zabelê), que leva em seu nome uma grande guerreira indígena piauiense chamada 
Zabelê, que fazia parte da tribo Amanajós, localizada a poucos quilômetros de Oeiras, 
Zabelê foi morta e Tupã resolveu transformar a índia em uma ave que canta triste sempre ao 
entardecer. Enxergamos em Zabelê uma grande guerreira e queremos visibilizar as minorias 
que sempre estiveram presentes em nossa história, então decidimos carregar conosco um 
grande símbolos de nossa raiz, nesse contexto surge o nome

Organização Anarquista Zabelê – OAZ!


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