(pt) 1873 por Movimento de Organização de Base (MOB)

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Segunda-Feira, 19 de Março de 2018 - 10:37:06 CET


Quando uma chuva um pouco mais forte começa a cair dos céus, já é o início de muita 
preocupação para moradoras e moradores de diversos bairros de Curitiba e Região 
Metropolitana. Tem sido cada vez mais constantes as enchentes e alagamentos em diversos 
pontos da cidade, o que tem feito com que centenas de famílias percam móveis, roupas, 
eletrodomésticos e até mesmo suas próprias casas. O forte temporal que caiu no dia 3 de 
março deixou tristes marcas na população pobre da cidade: segundo dados parciais da 
própria Prefeitura de Curitiba, mais de 1500 pessoas foram afetadas, e 200 ficaram 
desalojadas, ou seja, perderam suas casas. ---- Infelizmente, não se trata de uma 
novidade. No final de 2017, fortes chuvas causaram estragos em diversos pontos da cidade. 
Muitas famílias afetadas nessa época mal tiveram tempo de reconstruir seus lares e vieram 
a sofrer novas perdas alguns meses depois. Trata-se de uma tragédia anunciada, pois uma 
série de obras prometidas pela prefeitura para conter as enchentes e alagamentos foram 
abandonadas, e outras sequer iniciadas. O mesmo vale para a limpeza de rios, muitas vezes 
realizada por mutirões organizados pelas moradoras e moradores das comunidades. Esse 
descaso, aliado a ausência de políticas para a moradia digna de nosso povo, tem ocasionado 
essa sequência de tragédias.

Pra mudar a situação, luta e união!

Tais acontecimentos geraram revolta e houveram protestos em diferentes regiões de 
Curitiba. No bairro Parolin, um protesto trancou uma via da região, as moradoras e 
moradores queimaram partes dos móveis destruídos pela chuva e mostraram com palavras de 
ordem sua revolta. No mesmo dia, mais cedo, o governador Beto Richa esteve presente no 
bairro, mas não conseguiu convencer os moradores e moradoras com suas mentiras.

O Contorno Sul também foi palco de manifestações. Moradoras e moradores dos bairros CIC e 
Fazendinha trancaram a via por cerca de seis horas, exigindo que a prefeitura tomasse 
providências. Uma das questões levantadas pelo protesto foi o fato da prefeitura não ter 
realizado tarefas com as quais havia se comprometido, como a drenagem de rios e limpeza de 
bueiros.

Solidariedade

Para resolver essa situação, a população se uniu em mutirões e ações para arrecadação de 
roupas, móveis e eletrodomésticos, mostrando na prática que só a luta, a união e a 
solidariedade podem apontar para o caminho de uma vida digna para todos e todas. Muitas 
vezes, a própria população atingida pelas chuvas é tida como culpada, o que além de ser 
uma visão claramente preconceituosa, protege os verdadeiros culpados por essa situação: o 
Estado que ignora as demandas do povo e não cumpre com suas promessas.

A cada nova ameaça de chuva, cresce a tensão e o risco de se perder novamente aquilo que 
foi duramente conseguido pela população. O caminho para que possamos ter moradia digna 
para todos, e para que as enchentes não sejam uma ameaça cotidiana, passa pela 
auto-organização em nossos locais de moradia, construindo espaços de resistência e 
solidariedade.

Todo apoio às famílias atingidas pelas enchentes!
Moradia digna para todos e todas!

Viva a organização do povo!
Movimento de Organização de Base (MOB)

https://organizacaodebase.wordpress.com/2018/03/09/1873/


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