(pt) [Grécia] As temporadas turísticas do terror By A.N.A. -- Texto da União Sindical Libertária de Tessalônica (en, gr)

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Quarta-Feira, 20 de Setembro de 2017 - 08:12:40 CEST


Em um verão muito quente na Grécia da crise, algumas pessoas passam muitos meses em uma 
ilha, não de férias mas sim tentando sobreviver. Parece que neste âmbito (entorno) de 
plena dissolução, com o desemprego dos jovens chegando já a 50%, o setor turístico pode 
absorver uma pequena parte do potencial operário, sobretudo aos jovens. Os especialistas 
levam anos dizendo que o futuro da Grécia passa obrigatoriamente pelo turismo. ---- Mas, o 
quê se esconde por detrás desta vitrine que nós vemos como "clientes"? O quanto sincero é 
este sorriso com o qual nos dão a boa-vinda os trabalhadores no negócio turístico em que 
trabalham? E por último, quanto custa para os patrões a dignidade e a necessidade de 
sobreviver dos trabalhadores? ---- Muitos trabalhadores, sobretudo os jovens, no verão não 
tem férias. Tratam de economizar dinheiro para poder sobreviver no inverno. Trabalham e 
sofrem a violação de seus direitos por parte dos patrões. Estes últimos costumam explorar 
ao máximo aos trabalhadores que vão (aos lugares turísticos) a trabalhar na temporada, 
pensando que os trabalhadores que trabalham para eles são parte de sua propriedade e não 
tem direito a ter vida privada.

O fenômeno de exploração mais frequente em várias zonas turísticas é que o patrão tenha 
declarado aos trabalhadores como trabalhador por tempo completo, ou seja oito horas 
diárias, cinco dias por semana, que o trabalhador se veja forçado a trabalhar nove ou dez 
horas ao dia, sete dias por semana, e que (obviamente) não cobre nunca estas horas 
extraordinárias.

Também, os patrões costumam atrasar muito em pagar aos trabalhadores (isso se chegam a 
pagar todos os salários no fim da temporada). Isto significa que o trabalhador tem que 
sobreviver por conta própria durante o tempo em que fica na ilha. É fato também que o 
dinheiro recebido é quase sempre "negro", enquanto que a jornada laboral vai mudando 
constantemente segundo a necessidade do patrão, sem que seja consultado o trabalhador ou a 
trabalhadora.

Frequentemente as exigências dos patrões são exorbitantes (exasperantes), já que muitos 
deles proíbem aos trabalhadores até de se sentarem e fazer algum descanso durante a 
jornada. Alguns querem controlar a vestimenta ou a forma de se vestir dos trabalhadores, 
já que lhes exigem ao pessoal não ter unhas pintadas, não usar brincos, não ter tatuagens 
e outros acessórios que podem fazer perder sua clientela valiosa.

Alguns patrões chegam ainda a pontos mais extremos. Querendo ter o controle absoluto sobre 
a vida dos trabalhadores, eles fiam com a chave do lavabo do negócio, uma vez que 
argumentam que com o pretexto de sua necessidade fisiológica os trabalhadores se abstém do 
trabalho mais tempo do que o devido. Por último, em alguns casos os patrões não duvidam em 
cortar o salário dos trabalhadores, seja por exemplificação ou com o pretexto de 
incumprimento das "normas" do negócio por exemplo, argumentando que os trabalhadores 
levavam muito tempo conversando, ou que eles estavam sentados, se isto está proibido, etc.)

A única vantagem que costumam ter os que vão a um lugar turístico para trabalhar durante a 
temporada é que o patrão lhes facilita alojamento e comida. Não obstante, isto não é do 
todo positivo, dado que o alojamento dos trabalhadores é de baixa qualidade e não tem nem 
sequer as comodidades básicas. Frequentemente se denunciam casos nos quais as habitações 
não tem nem sequer janelas, são muito pequenas e podem ser usadas exclusivamente para dormir.

Para poder contestar a estas arbitrariedades da patronal, nós, os trabalhadores 
independentemente de idade, sexo e nacionalidade, devemos nos organizar de maneira 
combativa em nossos sindicatos, aguçar o antagonismo de classe e reclamar nossos direitos, 
até recuperar o que nos pertence, sendo conscientes de que as sociedades que são 
conduzidas à indigência tendem a se rebelar.

União Sindical Libertária de Tessalônica

O texto em grego:

http://ese-thessalonikis.gr/2008-11-14-17-35-37/2008-12-22-14-16-34/235-2017-09-03-08-59-31.html

O texto em castelhano:

http://verba-volant.info/es/las-temporadas-turisticas-del-terror/

Tradução > KaliMar


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