(pt) colectivo libertario evora: MOÇÃO DO 75º CONGRESSO DA FEDERAÇÃO ANARQUISTA (FRANCÓFONA) REUNIDA EM LAON E MERLIEUX NOS DIAS 3, 4 E 5 DE JUNHO

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Segunda-Feira, 18 de Setembro de 2017 - 08:51:24 CEST


A Federação Anarquista esteve reunida no seu 75º Congresso, nos dias 3, 4 e 5 de Junho de 
2017 em Laon e Merlieux (Aisne) para abordar a situação mundial e actualizar o seu 
projecto anarquista. ---- O capitalismo globalizado e os seus apoios estatistas e 
religiosos acentuam as pressões sobre a humanidade e o ambiente de forma a garantirem, 
através de modos de regulação e de produção cada vez mais brutais, o triunfo da lógica do 
lucro. ---- A tese da crise permanente do capitalismo que justifica as políticas de 
austeridade e de regressão social serve para camuflar a realidade: os ricos são cada vez 
mais ricos enquanto os pobres são cada vez mais numerosos e sobrevivem na miséria. Nisto, 
o capitalismo cumpre perfeitamente o seu papel. ---- A arrogância dos capitalistas 
encorajada por uma verdadeira colonização dos espíritos põe hoje em causa o pacto saído da 
segunda guerra mundial que instituiu a protecção social e o sistema de reformas pela 
repartição e pela redistribuição limitada das riquezas, a fim de afastar o espectro 
revolucionário e fazer crescer uma nova classe dita média e a sociedade industrial e de 
consumo massificadas.

O sistema capitalista procura sem cessar novas fontes de lucro incarnadas hoje pelo 
capitalismo verde, a digitalização e a robotização da economia e mesmo o fim do salariato 
ao individualizar a relação entre o trabalhador e o patrão pela uberização e pelo 
empreendedorismo.

O capitalismo pauperiza a classe média, cujo primeira utilidade era neutralizar o perigo 
revolucionário, o que torna a luta de classes mais clara e mais directa.

Em contrapartida, o aparelho repressivo do Estado e o poder das religiões sobre as 
consciências reforçam-se para imporem o medo e a resignação. O estado de emergência que 
era uma excepção tona-se a norma, a presença militar nas ruas, a vigilância generalizada e 
as restrições às liberdades públicas banalizam-se, a polícia militariza-se e 
radicaliza-se, torna-se facciosa e multiplica as violências e as provocações.

As eleições presidências passadas e as legislativas que aí vêm demonstram uma progressão 
das tendências soberanista e populista e, ao mesmo tempo, uma vontade evidente de eliminar 
a consciência de classe ao querer-se suprimir a clivagem esquerda-direita como sublinharam 
os dois finalistas da última corrida ao Eliseu. O poder colocou no cargo o candidato que 
era melhor para defender os interesses do patronato e da finança. A sua missão é um 
programa de demolição social na mesma linha dos presidentes e governos precedentes em 
marcha pelo desfazer do Código do Trabalho, uma fiscalidade anti-social, a supressão dos 
regimes especiais e o pôr em prática um sistema de reforma por pontos...

A Frente Nacional ultrapassa os 10 milhões de votos jogando com o medo do outro e erigindo 
em defensora de fachada dos ganhos sociais. No entanto, o Capital já não tem necessidade 
da FN para atingir os seus fins: o MEDEF apelou ao voto em Macron.

O projecto de Mélenchon é um impasse. O modelo do líder carismático, novo salvador 
supremo, messias dos tempos modernos, incarnação do "povo" desviou a questão social do 
terreno da luta de classes para o da luta pelos lugares. A impostura dos partidos Syriza e 
Podemos na Europa ou os regimes de Chavez e Maduro na Venezuela testemunham a sua 
submissão aos diktats capitalistas: o Poder continua maldito.

Se os anarquistas estão voluntariamente ausentes das urnas e do espectáculo mediático, 
continuam presentes e activos nas lutas e nas alternativas. O nosso anti-eleitoralismo 
está em linha com a rejeição crescente da classe política e com o interesse, também 
crescente, pelos mandatos imperativos, a rotação e a revogabilidade dos mandatos e o 
federalismo libertário.

O papel dos revolucionários é o de desenharem as perspectivas que permitam credibilizar e 
encarar a transformação social. Nisso o movimento anarquista não capitulou e resta fiel ao 
seu projecto revolucionário: o socialismo libertário sem fronteiras.

Para isso, a difusão das nossas ideias e das nossas práticas deve ser o nosso objectivo 
essencial, aprendendo com as diversas lutas e fazendo o que for necessário para 
questionarmos e reactualizarmos as nossas propostas e as nossas práticas.

Os tempos mais próximos necessitam a mobilização de todas as forças ligadas à emancipação. 
A Federação Anarquista reunida no seu 75º Congresso tomará o lugar que é o seu neste 
combate e apela aos indivíduos e aos grupos que partilham o nosso projecto comum para se 
lhe juntarem e a reforçarem.

Tradução: Portal Anarquista

aqui: https://www.federation-anarchiste.org/

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/09/14/mocao-do-75o-congresso-da-federacao-anarquista-francofona-reunida-em-laon-e-merlieux-nos-dias-3-4-e-5-de-junho/


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