(pt) CAB, PUBLICAÇÕES: NO BATENTE #7 - 5 séculos de resistência: coletivo anarquista luta de classe CALC

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Segunda-Feira, 4 de Setembro de 2017 - 06:50:16 CEST


É fato que as expansões marítimas do século XIV, primeiro por Portugal e Espanha e depois 
pela Inglaterra, foram de fundamental importância para o desenvolvimento e o assentamento 
das bases do capitalismo global. A invasão europeia provocou transformações drásticas no 
modo de vida dos moradores destes territórios já habitados há 50 mil anos. ---- Os mais de 
1.300 povos que viviam onde hoje é o Brasil tiveram diversas que desenvolver as mais 
diversas formas de resistência ao massacre colonial ou entregar-se como mão-de-obra 
escrava. As mulheres foram estupradas e tiveram seus ventres utilizados como reprodutores 
da força de trabalho. Muitos povos foram dizimados, por epidemias trazidas pelos jesuítas 
e pela política de escravização e extermínio deliberada pela Coroa Portuguesa.

A Confederação dos Tamoios:
está declarada a guerra
contra os perós!

O litoral brasileiro era povoado
pelo povo Tupinambá e o explorador
português João Ramalho, em
um contexto de avanço nas matas
para a captura e escravização de
indígenas, prendeu o líder tupinambá
Cairuçu e o manteve encarcerado
sob péssimas condições até
sua morte. Seu filho Aimberê, também
escravizado e revoltado com a
morte do pai, comandou uma
rebelião indígena que permitiu
uma grande fuga do cativeiro.
Aimberê assumiu então a liderança
deixada pelo pai e declarou guerra
aos perós (assim eram chamados os
portugueses). Aimberê reuniu-se
com lideranças tupinambás e com
outros povos, como os Goitacazes e
Aimorés, para articular o que viria
a ser o primeiro levante contra a
invasão portuguesa. A partir daí
foi constituído o Entrincheiramento
de Uruçumirim na Baía da
Guanabara/RJ, uma organização
que se tornou o foco da resistência
indígena contra o projeto colonial
de Portugal para a América, e
ficou conhecida como a Confederação
dos Tamoios (1554-1567).
No decorrer destes cinco séculos
de dominação, estes povos continuaram
e continuam se levantando
contra o domínio dos poderosos
sobre os seus territórios, e
de maneira alguma estão apontando
para o abandono da luta. As
retomadas de seus territórios ancestrais
nas últimas décadas só
têm crescido, demonstrando o
quanto ainda está presente e vivo
o espírito da Confederação dos
Tamoios de não se submeter e não
entregar o Território Originário
ao invasor colonial.
Diante da lentidão propositada do
Estado Brasileiro em reconhecer e
demarcar os Territórios Indí-
genas, estes povos o têm feito com
suas próprias mãos e sangue. Seus
territórios são condição elementar
para a reprodução de seu modo
de vida sendo assim o eixo-central
de sua luta. É a partir da retomada
e autodemarcação das terras que
estes povos têm demonstrado que
a solução não está no Estado, mas
sim na luta social. Os povos indí-
genas têm enfrentado e disputado
espaço no campo contra o Agronegócio
e a burguesia latifundiária,
sendo que estas dispõem da
maior bancada no Congresso
Nacional, controlam os meios de
comunicação de massa e ainda
contam com a violência de jagun-
ços e polícias, orquestrando as
maiores atrocidades contra mulheres,
homens e crianças.
A crueldade e a tentativa de submeter
e exterminar estes povos se
perpetua desde os colonizadores.
Hoje em dia, entretanto, é o
Estado "Democrático de Direito",
e os grandes capitalistas e ruralistas
que se colocam como classe
dominante. Porém, ainda hoje,
mais de 300 povos originários
sobrevivem e resistem ao avanço
do domínio branco-burguês
garantindo a continuidade de seus
territórios e de sua cultura.

Viva a luta dos povos indígenas!
Viva a resistência!

https://coletivoanarquistalutadeclasse.files.wordpress.com/2017/08/jornal-no-batente-1.pdf


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