(pt) anarkismo.net: O Acordo em preparação entre União Europeia e Líbia É um Crime de Lesa-humanidade by Defend Mediterranea (en, de, gr, fr, tr)

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Sábado, 2 de Setembro de 2017 - 09:03:22 CEST


Um ano e meio depois do sinistro acordo entre a União Européia e a Turquia que levaram ao 
incremento da construção de acampamentos atrozes e inabitáveis na Grécia e na Turquia, os 
líderes do continente mais rico do planeta estão prestes a começar o pior. ---- Desta vez, 
é do lado africano que se está preparando o projeto "Europa fortaleza" em colaboração com 
o regime de marionetes da Líbia e com a iniciativa do presidente francês em troca de 
enormes meios militares e uma soma de dinheiro que poderia ser três vezes maior aos seis 
bilhões de dólares concedidos ao ditador Erdogan em 2016. ---- Para este acordo, os navios 
militares italianos aumentam suas patrulhas para o sul e a Líbia acaba de deslocar 
unilateralmente o limite de suas águas territoriais de 12 para 70 milhas náuticas. 
Paralelamente, as autoridades italianas embargaram o navio de resgate de uma ONG e 
detiveram os responsáveis, enquanto que a algumas centenas de quilômetros a sul da guarda 
costeira da Líbia dispararam com munição letal em outro barco de resgate, ao largo da 
costa de Zaouara.

Ao mesmo tempo, uma expedição de militantes fascistas circula livremente no Mediterrâneo, 
enfrentando os únicos obstáculos que nós, antifascistas, lhes colocamos criando problemas, 
medos, cancelamentos, vôo, mudanças de curso, falhas mecânicas e além de ridicularizá-los

Vários responsáveis desse navio anti-migrantes foram libertados inesperadamente da prisão 
no norte de Chipra, território sob o controle de Erdogan, quando as acusações eram graves 
e as investigações estavam sendo estendidas. Pelo contrário, os requerentes de asilo 
tamiles que foram acusados de fraude foram expulsos do Sri Lanka. Aliás, apesar de seus 
discursos xenófobos, suas ameaças explícitas e o não respeito dos regulamentos marítimos, 
os milicianos fascistas da Defend Europa nunca foram importunados pelas autoridades que 
deixaram levar a cabo seus projetos. Vários ministros da União Européia expressaram 
palavras gentis sobre eles e o Ministro do Interior austríaco chegou a felicitá-los.

Frente a esta violência, os navios das ONGs abandonam gradualmente a principal área de 
busca e salvamento, deixando as embarcações migratórias nas mãos dos fascistas europeus e 
dos guardas costeiros da Líbia conhecidos por suas práticas de chantagem, tortura e 
abduções. Em vista dos milhares de mortes nos últimos meses (mais de 2200 desde janeiro e 
4500 no ano passado), apesar da presença de barcos de resgate, é difícil imaginar a 
catástrofe humanitária que se prepara para dezenas de milhares de pessoas que fogem, sem 
parar, da guerra, miséria e repressão.

Com efeito, nada irá impedir as migrações humanas até que a justiça e a igualdade não 
tenham sido realmente estabelecidas neste mundo. Nada desencorajará as famílias de fugir 
da guerra ou da miséria até que o neocolonialismo europeu continue a transformar a África 
em um campo de ruínas. Nada fará retroceder os adversários políticos e minorias étnicas ou 
religiosas que escapam à perseguição no silencio cúmplice dos líderes ocidentais. Nada é 
mais assustador para populações inteiras, especialmente crianças e mulheres, serem 
espancadas, estupradas, forçadas a trabalhar em exércitos ou em campos de trabalho 
(numerosos casos foram mostrados por vários relatórios). E acima de tudo, nada pode 
ocultar que a história da humanidade foi construída por viagens, odisseias e migrações.
Até quando a Europa seguirá construindo paredes e cortinas de ferro?

Em todos os seus pontos, o acordo que se prepara entre a União Europeia e a Líbia é um 
crime contra a humanidade. Tanto para as pessoas que terão dificuldades em fugir de uma 
vida insuportável quanto para aqueles que deixaram de qualquer jeito, mas que morrerão no 
caminho porque será mais difícil e perigoso do que é.

Nas últimas semanas, fizemos o impossível para impedir, ou pelo menos atrasar, o navio dos 
milicianos fascistas em seu projeto de danificar o resgate marítimo de nossos irmãos e 
irmãs humanos.

Mas diante a estas grandes potências estabelecendo-se ante nossos olhos, em ambos os 
lados, por detrás da agitação grotesca de marinheiros de águas doçes, o trabalho ficou 
mais complicado.

Por isso, os alertamos com este informe, porque é nossa responsabilidade, que na Europa ou 
na África nos coloquemos contra esta nova parede diante nós. Uma parede feita de sangue e 
lágrimas. Toda parede é uma de muitas outras.

Contra esse muro e aqueles que reinam destilando medo e tentando dividir-nos, 
mobilizando-nos, todos e todos, de ambos os lados do Mediterrâneo, de Paris a Tunes, de 
Tripoli a Roma e além.

A luta segue contra as milícias fascistas no Mediterrâneo e contra a "Europa Fortaleza"!

DEFEND MEDITERRANEA*

A rede DEFEND MEDITERRANEA é composta por companheiros anti-fascistas, anti-racistas e 
solidários ao Mediterrâneo que participaram do bloqueio do barco C-Star em Suez, em Chipra 
e impediram que eles fizessem escala em Creta, Sicília e Tunísia.
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