(pt) VII Feira do Livro Anarquista de Porto Alegre Cancelada!

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Sexta-Feira, 27 de Outubro de 2017 - 08:33:43 CEST


Na manhã de ontem (25/10) a Polícia Civil Gaúcha cumpriu em Porto Alegre e na região 
metropolitana uma dezena de mandados de busca e apreensão em espaços libertários e casas 
de indivíduos que identificaram como anarquistas. Os mandados são parte de uma 
investigação que está acontecendo há mais de um ano. Entendemos que não é coincidência que 
essa ação da polícia seja deflagrada apenas dois dias antes da 8ª Feira do Livro 
Anarquista de Porto Alegre. ---- Em virtude desse contexto de repressão e perseguição a 
grupos e indivíduos anarquistas decidimos cancelar a a Feira do Livro Anarquista de Porto 
Alegre deste ano. Desaparecemos, abaixo dos radares, somente para reaparecer noutro ponto 
sem deixar de construir espaços e momentos de liberdade. O mapa não é o território, e para 
isso o Estado e o Capital são míopes.

Não nos surpreende que a polícia esteja iniciando uma campanha que culpa por associação 
pois não possui nenhuma evidência. É o papel da polícia incriminar e forjar provas. Nas 
manchetes, livros anarquistas, faixas e cartazes são as "provas do crime". Isso torna 
explícito que qualquer expressão que não se submeta ao Estado será criminalizada e que não 
há liberdade na democracia e no sistema capitalista. Essa liberdade, de fato, nunca 
existiu sob nenhum governo, a não ser como uma mera ilusão a ser dissipada assim que não 
fosse mais conveniente aos interesses do interesse do capital. É o que acontece agora em 
diversos países, com o crescimento da repressão, do fascismo, da xenofobia.

Em razão de tudo isso, entendemos que, de momento, é melhor nos rearticularmos desde outro 
ponto, longe dos holofotes. É uma decisão que nos dói muito tomar. Ainda mais depois do 
esforço e do carinho que dedicamos para organizar esse evento, de todas as propostas de 
atividades que vieram de perto e de longe, das pessoas que já estavam se deslocando para 
cá e também por quebrar esse ciclo, no que seria o oitavo ano consecutivo de feiras do 
livro anarquistas na cidade.

Sabemos que estes ataques partem do que há de pior entre nossos oponentes. Tomam 
diferentes formas, mas fazem parte da mesma série que podemos reconhecer em outras 
esferas. Em outros casos, se valem de um discurso moral para fazer censurar, como na 
exposição Queer Museu, de discursos técnicos para manter desigualdades, como o engodo de 
que "a economia vai bem" enquanto a miséria só se faz aumentar. Neste, usam de factóides e 
de violência física buscando manter o controle sobre as mentes e corpos das pessoas que 
pretendem dominar. Enquanto tentam explodir molotovs de garrafa PET, nos fortalecemos.

Cerquemos de solidariedade aquelas e aqueles que estão sofrendo criminalização. Da Itália 
à Argentina, dos Estados Unidos à Rússia, nossa luta é a mesma.
Não nos rendemos e não perderemos nosso desejo ardente pela liberdade!


Para mais informações leia:

     Polícia invade residências e espaços anarquistas na véspera da Feira do Livro 
Anarquista de Porto Alegre
     Nota solidária do Centro de Cultura Libertária da Azenha
     Nota da Federação Anarquista Gaúcha sobre a repressão


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