(pt) [Espanha] Justiceiras, Solidárias e Nós: As mulheres nos grupos de ação anarquistas por Kike García Francés By A.N.A.

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Sexta-Feira, 13 de Outubro de 2017 - 08:40:58 CEST


Entre os anos de 1917 e 1923, dá-se a dura época dos pistoleiros. É o momento de Martínez 
Anido, é o momento da legalização dos assassinatos extrajudiciais através da famosa e 
triste Lei de Fugas e do terrorismo de estado, com o bando de Bravo Portillo e 
posteriormente com o Sindicato Livre. A violência e o terrorismo estatal levaram a vida a 
mais de 500 militantes libertários. Por sua vez, o anarquismo respondeu com as mesmas 
armas; a criação dos chamados grupos de afinidade ou de ação que eram integrados por um 
pequeno número de militantes, para evitar traições que não puderam evitar, e que 
respondiam com a mesma violência. Calcula-se mais de 150 vitimas destes grupos, entre elas 
o presidente do Governo Dato, autor da Lei de Fugas, ou o cardeal Soldevilla. Houveram 
muitos grupos de afinidade formados por militantes anônimos, muitos deram a vida pela 
causa e ainda outros que ficaram no anonimato. Depois da queda de Martínez Anido estes 
grupos foram se diluindo, apesar de não desaparecerem na totalidade até o golpe de estado 
de 36, onde se mantinham em volta da FAI.

Um dos grupos de ação mais famosos foi o "Los Solidarios", criado no final da época de 
pistoleiros e formado por uma onda de novos militantes. Há muitas dúvidas sobre a origem 
deste grupo, algumas fontes falam da união do grupo zaragozano "Los Justicieiros" com o 
grupo de Barcelona "El Crisol". Outras fontes, citam que "El Crisol" foi fundado por cinco 
justiceiros, fugitivos da situação de Zaragoza. Encontrava-se entre "Los Justicieros" 
nomes como Rafael Torres Escartín, Buenaventura Durruti, Gregorio Subverviela e Juliana 
López Mainar. Seja como for, foi na casa de Domingo Ascaso na rua de San Jerónimo que se 
fundou, em agosto de 1922, o grupo "Los Solidarios" formado por Francisco Ascaso, Juan 
García Oliver, Aurelio Fernández Sánchez, Ricardo Sanz García, Alfonso Miguel Martorell, 
Marcelino de Campo, Miguel García Vicancos, Gregorio Martínez Garzón, Gregorio Suberbiela 
Baigorri, Eusebio Brau, Buenaventura Durruti, Antonio Ortiz Ramírez e Rafael Torres Escartín.

Mas também houveram mulheres. Na biografia de Ricardo Sanz é acrescentado quatro nomes: a 
"Justiceira" Juliana López Mainar e Ramona Berni, María Luisa Tejedor e Josefa Not. Na 
continuação do grupo, na II República sob o nome "Nosotros", Ricardo volta a incluir estas 
quatro militantes. Porém outras fontes incluem a María Rius em "Los Solidarios", elevando 
o número a cinco. Mas tanto os meios da época, bem como a historiografia atual silenciaram 
o papel das mulheres nos grupos de ação ou de afinidade. No caso concreto de "Las 
Solidarias" não há praticamente dados nem informação sobre estas militantes, e fica muito 
por investigar e é obrigatório recuperar esta memória. As referências sobre elas são muito 
escassas e às vezes são pela sua relação sentimental com os seus companheiros, também 
membros dos "Los Solidarios", o que minimiza o papel destas mulheres, outra forma de as 
fazer invisível é limitando o seu papel a meros pontos de apoio ou de transporte, algo, 
que vamos ver bem longe da realidade.

Isto é um pequeno esboço destas mulheres libertárias e lutadoras:

Talvez a mais importante por seu trabalho foi a zaragozana Juliana López Mainar, membro do 
grupo zaragozano "Los Justicieiros", onde participou de maneira muito ativa. Juliana 
conhecida pelo seu ativismo libertário, no centro de Zaragoza, na rua Alcober Nº 5, tinha 
uma pensão que servia de refúgio para os anarquistas que eram perseguidos pelas 
autoridades. Era dona de casa e é conhecida a sua relação com o anarquista Luis Rivera, de 
quem no futuro seria companheiro de María Ascaso, irmã de Francisco.

Sua primeira ação conhecida é registrada em fevereiro de 1921, quando se deslocou a 
Andaluzia para ampliar as bases do seu movimento nessas terras, e com ela viajou Durruti. 
Outra das suas ações foi quando transportou até Zaragoza parte do dinheiro de um assalto 
organizado por "Los Justicieros", na qual foi vitima um pagador de uma importante empresa 
metalúrgica radicada em Eibar, com esse dinheiro adquiriram em uma fábrica de armas da 
própria Eibar um lote com centenas de pistolas da marca "Star"; o dinheiro restante 
dividiu-se em duas partes iguais que foram enviadas a Bilbao e Zaragoza, onde chegou 
escondido entre as roupas de Juliana.

O atentado contra o cardeal Soldevilla, pela mãos de "Los Solidarios", lhe trará sérias 
consequências. Rafael Escartín alojou-se na sua pensão dias antes do atentado, enquanto 
Francisco Ascaso estava na casa da sua mãe. No mesmo dia do atentado reuniram-se na pensão 
para prepará-lo, saíram armados e preparados da rua Alcober. Após o atentado, tanto 
Juliana como a sua família serão foco da investigação policial e a pensão será registrada. 
Seria condenada a seis anos de prisão por ser cúmplice no atentado.

Em 1933 é encontrada em Barcelona, onde está com o resto de "Solidarios", agora com o nome 
de "Nosostros", onde prepara a insurreição de janeiro. Após a ditadura, viveu no seu 
bairro de Almozara gerindo um pequeno negócio, e era conhecida em todo o bairro por seu 
passado militante.

Outra das militantes mais ativas do grupo foi María Rius, que desde os 18 anos já era 
militante da CNT, com o carnê Nº 1 do "Sindicato del Vestir". Apesar do trabalho sindical, 
estava inserida em distintas atividades sociais, como o apoio e a ajuda aos presos da sua 
organização. Ajudou também a ocultar os fugitivos e a organizar fugas, por isso foi detida 
em 1924, na sua casa encontraram explosivos e armas e foi condenada a oito anos de prisão. 
María Ruiz voltou a trabalhar na ajuda das fugas, e perante as suspeitas policiais teve 
que se exilar na França. Após a queda da ditadura de Primo de Rivera voltou à Catalunha e 
envolveu-se no Comitê feminino pro-anistia de Barcelona. Em 14 de abril de 1931 
encontrava-se entre o grupo que assaltou a prisão de mulheres. Em 19 de julho, María Rius 
ocupou o seu lugar na luta de rua, assim como muita gente. Iniciada a guerra lutou na 
frente de Aragão, em março de 1937 se incorporou à coluna Hilario Zamora, destacada em 
Sástago, fez parte na tomada do povo de Quinto e da colina Carnero. No final da guerra, em 
1939, fugiu para a França e não se sabe quando morreu.

Outra das integrantes de "Las Solidarias" foi María Luisa Tejedor, de profissão modista. 
Em dezembro de 1926 foi detida em Bilbao após a repressão de Doval em Gijón, foi enviada a 
Madrid, onde foi acusada de ter organizado a conspiração do Puente de Vallecas para acabar 
com o rei Alfonso XIII. Esteve presa até 1928, mas continuou a colaborar com o grupo, e 
cinco anos mais tarde, em 1933, é condenada a três anos de prisão, seguramente por se 
apresentar de maneira ativa em alguma revolta libertária. Nas fileiras do grupo também se 
encontrava Ramona Berni e Toldrá de origens camponesas, onde na década de 1910 se muda 
para Barcelona, onde trabalhou de tecelã e se filiou ao Sindicato Fabril e Têxtil da CNT. 
Junto com a sua amiga Pepita Not em 1923 passou a ser uma "Solidaria" desenvolvendo 
tarefas de conexões e comunicação. Foi detida pela polícia em 28 de fevereiro de 1924, 
após o assassinato do dirigente de "Los Solidarios", Gregorio Suberbiela. Durante os anos 
da ditadura de Primo Rivera, o grupo ficou muito empobrecido, segundo Ricardo, só ficaram 
em liberdade ele, Alfonso Miguel, Ramona e Pepita, e entre os quatro ocuparam-se de 
diferentes ações, com a intenção no transporte de armas adquiridas em Eibar até Barcelona.

Após à proclamação da República, Ramona continuou a sua atividade sindical participando 
como oradora em atos e comícios e colaborando com "Nosotros". A sua última aparição 
pública foi num comício em Kursaal de Manresa em 1938. Ao terminar a guerra civil 
exilou-se, talvez na França, embora não conste a sua passagem em nenhum campo de 
concentração francês. Desconhece-se a data da sua morte.

Uma das mais conhecidas foi Josefa Not, mais conhecida como Pepita Not, talvez por ser 
companheira de Ricardo Sanz. Pertencia a uma família de camponeses humildes. Em 1918 
conheceu Ricardo e fez parte do grupo "Los Solidarios", desde a sua criação. A sua tarefa 
era de correio, levar correspondência, dinheiro e armamento a militantes de Astúrias, País 
Basco, Aragão e Catalunha. Durante a República participou nos grupos de apoio aos presos 
com Rosario Dolcet Martín e Liberdad Ródenas Domínguez. Morreu por causa de complicações 
no parto da sua filha, Violeta, em junho de 1938.

Artigo de Kike García Francés, historiador e militante da CGT, publicado em "Rojo y Negro" 
Nº 313, junho de 2017.

Fonte: http://rojoynegro.info/ articulo/memoria/justicieras- solidarias-nosotras-las- 
mujeres-los-grupos-acci%C3% B3n-anarquistas

Tradução > Rosa e Canela


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