(pt) federacao autonoma dos Trabalhadores FAT: MENSAGEM DOS GARÇONS (en)

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Quarta-Feira, 4 de Outubro de 2017 - 08:30:40 CEST


Temos uma profissão antiga e gostamos do que fazemos, servimos pessoas durante o dia e 
durante a noite, ficamos por no mínimo oito horas do nosso dia em pé, correndo de um lado 
para o outro. ---- Somos garçons e garçonetes, trabalhamos em restaurantes e bares de 
Goiânia e regiões metropolitanas, estamos em contato direto com outros trabalhadores como 
cozinheiras e barmens. ---- Assim como muitas outras profissões estamos sendo prejudicados 
pelo descaso e pelo abuso de empregadores, cooperativas, empresas e pelo Estado, claro. 
---- Aqueles que têm carteira assinada recebem o piso de 4,94 por hora trabalhada, o 
repasse dos 10% nem sempre (quase nunca) é repassado de fato para o trabalhador, e é na 
verdade ‘canalisado' para o patrão. ---- Temos jornadas de trabalho irregulares, estamos 
sempre à mercê das necessidades de nossos empregadores, estamos sempre fazendo hora extra 
que nem sempre (às vezes nunca) ela é repassada como se deveria.

Há estabelecimentos na capital que nem ao menos se paga a hora extra, muito menos se 
acrescenta o adicional noturno.

Há em muitos locais desvios de função de garçom, onde ele se torna também segurança, 
faxineiro, entregador, entre outros.

Quando não temos carteira assinada, todo acordo é feito com o patrão diretamente e nunca é 
para o melhor do empregado.

De acordo com a lei nossa função que tem a carga horária de oito horas, deveria pois ter 
uma hora de intervalo e em muitos estabelecimentos esse intervalo é reduzido a apenas o 
momento de se alimentar, e em muitos locais não é oferecido nem mesmo a alimentação do 
trabalhador (que é obrigatório por lei).

Não podemos nos esquecer dos freelancer que estão mais ainda submetidos a regras 
inventadas pelo patrão, além da insegurança de se permanecer ou não em determinado local 
de trabalho, sem grandes direitos trabalhistas.

Chegou a hora de descruzarmos os braços, abrirmos nossa boca e dizer NÃO! Não aceitamos 
condições precárias de trabalho, não aceitamos patrões nos desrespeitar, nos humilhar, não 
aceitamos um direito a menos!

Queremos trabalhar dignamente e ser respeitados e respeitadas, queremos trabalhar com bons 
salários, com 10%, hora extra e adicional noturno! Dê a nós o que é nosso ou arrancaremos 
à força. Não nos calaremos pois juntos podemos muito, sozinhos só sofreremos represálias. 
Chegou nossa hora, vamos à luta para conquistar aquilo que nos pertence.

Postado em Sem categoria como 28 de setembro de 2017. Deixe um comentário
PELA FEDERAÇÃO AUTÔNOMA DOS TRABALHADORES

Neste ano de 2017, um grupo de trabalhadores pobres de diferentes ofícios começou a se 
reunir, a discutir e a pensar formas de lutarmos contra a exploração que sofremos.

Somos catadores de recicláveis, garçons, professores de contrato temporário, porteiros, 
jardineiros e estudantes pobres.

Nossa união começou a dar forma ao objetivo de criar uma grande união dos trabalhadores 
pobres de Goiás, que chamamos agora de Federação Autônoma dos Trabalhadores (FAT).

Nossa vida sempre foi de dificuldades, de opressão e de exploração. Nos últimos anos, com 
a crise econômica e com os ataques do governo, ela tem se tornado ainda pior.

A Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e muitos outros projetos estão sendo 
aprovados para retirar ainda mais nossos poucos direitos.

Apesar disso, grande parte dos sindicatos, vinculados a políticos ou mesmo aos patrões, 
não demonstram nenhuma disposição para lutar de verdade em defesa dos nossos interesses.

Lá em cima, os ricos e a classe média, de vermelho ou de verde e amarelo, lutam pelo poder 
sem se importar com a destruição cada vez maior de nossas condições de vida.

Enquanto isso, a maior parte da classe trabalhadora pobre permanece desorganizada, sem ter 
como se defender de todos estes ataques.

Desemprego, diminuição real do salário, aumento da cesta básica e do transporte público, 
sucateamento ainda maior das escolas, dos hospitais, da previdência.

Tudo isso é o que enfrentamos e os de cima, tendo uma vida de regalias, jamais irão nos 
defender.

É por isso que começamos a nos unir e a nos organizar. Só nós mesmos, que sentimos na pele 
o sofrimento diário, podemos lutar por aquilo que precisamos.

Nossa caminhada será longa, mas já demos o primeiro passo. Começamos convocando alguns dos 
trabalhadores mais engajados de cada categoria.

Cada um deles foi formando pequenos núcleos de trabalhadores em seu local de trabalho ou 
de moradia.

Unidos, cada núcleo está discutindo entre eles mesmos os seus problemas diários, nos 
bairros em que vivem (a ausência de creches, escolas, asfalto, transporte) e em nosso 
trabalho (a humilhação sofrida, os salários baixos, a perseguição, a ausência de direitos).

Além disso, estão planejando a propaganda no interior da nossa classe, para convocar cada 
vez mais trabalhadores pobres para se unir a nós nesta grande rede de solidariedade dos 
oprimidos.

Nesta união, vamos planejando tanto as formas de luta e de resistência para alcançar as 
melhorias que precisamos quanto formas de apoio mútuo entre nós trabalhadores.

Pensamos que a solidariedade é a nossa maior força. Uma opressão a um trabalhador é uma 
opressão a toda a nossa federação.

Nossa Federação é autônoma, completamente independente de políticos e de partidos. Sabemos 
que as eleições servem aos interesses dos ricos e que estes não irão jamais abrir mão de 
suas riquezas por nós.

Nossa Federação não tem chefes, nem líderes. Somos aqui, todos os trabalhadores pobres, 
iguais.

Todos decidimos juntos, de igual para igual, de baixo para cima, cada um dando suas 
ideias, seus braços e mãos, na medida das suas forças.

Não aceitamos criar líderes para que eles se tornem os futuros políticos a nos oprimir. 
Nossa força vem da união de cada um e não de nenhum indivíduo iluminado.

Sabemos que a nossa única saída, os únicos que podem nos defender, somos nós mesmos, 
organizados e unidos como trabalhadores, por todos os lugares, nas fábricas, nas empresas, 
nos nossos locais de moradia e de estudo.

Chamamos, assim, todos os trabalhadores pobres para se unirem, para se organizarem, para 
que, através da solidariedade entre os que mais sofrem, possamos criar tanto meios de 
resistência e de luta como formas de nos ajudarmos e nos apoiarmos mutuamente.

Não esperemos, trabalhadores, dos patrões ou do governo. Nos organizemos, nos unamos entre 
nós mesmos. Somos a maioria da população, e, unidos, ousaremos um dia vencer!

FAT no Email:

federacaoautonoma  gmail.com


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