(pt) [Chile] Pelo companheiro anarquista Santiago Maldonado. Façamos com que a polícia e o Estado desapareçam! By A.N.A.

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Terça-Feira, 3 de Outubro de 2017 - 08:31:11 CEST


Este 1º de setembro foi cumprido um mês desde a detenção e desaparecimento do companheiro 
anarquista Maldonado, nas mãos da polícia da Gendarmeria Nacional da Argentina, no 
contexto da repressão de uma manifestação que incluía cortes de estradas feitas pela 
Comunidade Mapuche Pu Lof em Resistência de Cushamen, na província argentina de Chubut. 
---- Enquanto a agitação anarquista se estende para além das fronteiras, os camaradas na 
Argentina voltam para as ruas para propagar atos de revolta através da propaganda e da 
ação direta. Com ataques incendiários contra a polícia, barricadas e coquetéis molotov 
contra edifícios estatais, nossos irmãos desencadeiam a raiva em uma situação tão triste 
como real: os bastardos prenderam e fizeram um companheiro anarquista desaparecer.[1]

Porque Santiago é um anarquista, e não apenas um jovem músico e artesão como a imprensa e 
os esquerdistas estão convenientemente mostrando, torna-se claro que a negação e silêncio 
sobre a identidade política do companheiro é outra forma de fazê-lo desaparecer, 
apagando-se da conta dos fatos as verdadeiras motivações da sua presença solidária na 
comunidade Mapuche em resistência, onde estava no momento de sua detenção.

Não temos nada para aconselhar aos nossos irmãos na Argentina, acreditamos neles, em sua 
convicção e autonomia para continuar transformando a dor em raiva, espalhando o caos 
contra o mundo da autoridade, e aprofundando e ampliando afinidades em experiências 
concretas de confronto e agitação.

Ao mesmo tempo, a atuação e as coordenações informais internacionalistas ativadas desde a 
notícia sobre a detenção e desaparecimento de Santiago, deixam uma mensagem clara: eles 
não estão sós.

Extermínio, encobrimento e guerra psicológica: a contra-insurgência do século XXI contra 
os inimigos internos da ordem estabelecida.

A detenção e o desaparecimento de Santiago Maldonado não é, como alguns poderiam pensar, 
um fato isolado. É, pelo contrário, a expressão viva e atual da histórica repressão 
estatal, capitalista e civilizada. É um novo episódio de confronto histórico contra as 
forças da lei e da ordem.

Não é uma surpresa então que indivíduos mapuches e anarquistas sejam indicados como o novo 
inimigo interno no contexto do domínio democrático do Estado. É sabido que a luta radical 
na defesa da Terra, da autonomia e da liberdade foi transformada com o passar dos anos em 
um perigo real para os interesses do poder. Como outros já têm levantado, é uma nova 
subversão autônoma, expressa em ações de resistência e ofensiva que, combinada com a 
propagação e implementação de formas de vida e de relações contrárias às impostas pelo 
Estado, o capitalismo e a civilização, constroem uma realidade antagônica que preocupa o 
poder e o mantém ocupado na sua erradicação, isolamento e extermínio.

Em relação ao exposto, e a atual configuração do conflito inclui a reatualização das 
táticas que muitos - ingênua ou convenientemente - continuam a considerar exclusivas dos 
regimes ditatoriais.

A detenção e subsequente desaparecimento de Santiago Maldonado nas mãos da polícia na 
Argentina em 1º de agosto passado, bem como a morte no Chile de Macarena Valdés[2]- ativa 
opositora de uma usina hidrelétrica, que foi encontrada morta em sua casa em 22 de agosto 
de 2016 em um aparente suicídio, dias após assassinos ligados à empresa RP Global deixarem 
mensagens ameaçadoras para sua família, são apenas dois exemplos recentes da continuidade 
das táticas de contra-insurgência no século XXI.

Em ambos os casos, o encobrimento do Estado e dos meios de comunicação aparecem sob a 
forma de um falso suicídio no caso da Macarena, e da proteção dos agentes de polícia pelo 
Estado no caso de Santiago, buscando instalar a ideia de que o companheiro nunca esteve no 
lugar, ou que continua a desfrutar de uma vida "hippie" em outro lugar, ou mesmo 
clandestinamente mudou-se para o Chile para continuar uma ação de guerrilha[3]. Com 
argumentos e mentiras iguais ou similares as ditaduras latino-americanas responderam as 
queixas sobre os casos de detidos desaparecidos.

O precedente acrescenta a situação de Facundo Jones Huala, lonko da comunidade de Cushamen 
e referente da Resistência Ancestral Mapuche, prisioneiro pela segunda vez na Argentina 
desde junho de 2017 e, ao mesmo tempo exigido pela justiça do Chile acusado de atacar um 
fundo privado, isto como um modo de vingança estatal pela sua participação nos processos 
de recuperação territorial Mapuche. Enquanto Lonko foi libertado no início de setembro, a 
colaboração entre os Estados para a repressão e a transferência de inimigos internos 
continua a bater suas asas com a mesma motivação contra-insurgente que viu a Operação 
Condor nascer no início dos anos 70.[4]

Estas são as táticas implantadas pela democracia capitalista do século XXI, que revela sua 
essência opressiva e totalitária buscando a subjugação de toda a população e a perpetuação 
da ordem social através da militarização dos territórios em resistência, com vigilância, 
monitoramento e escutas telefônicas, o uso de agentes disfarçados, infiltrados, 
colaboradores, e o aprisionamento, tortura e desaparecimento de mapuches e anarquistas nas 
mãos de agentes estatais.

A imagem é completada com a cumplicidade dos meios de comunicação social que contribuem 
para a propagação de informações falsas, confusas e tendenciosas com o objetivo de moldar 
uma "opinião pública favorável" para a validação e continuidade de uma estratégia já 
conhecida historicamente: o extermínio dos projetos de luta encarnados por 
revolucionários, subversivos, conspiradores e comunidades em conflito.

Setembro da raiva e da memória

À estratégia acima referida nos enfrentamos hoje como protagonistas da continuação do 
conflito contra o poder e a sua sociedade. Enquanto outros assumem posições eternas de 
espera e vitimização, perpetuando sua condição de espectadores das lutas lideradas por 
outros, insurretos que não reconhecem bandeiras ou fronteiras, cada um em seu território e 
com afins, focam para a continuidade, aprofundamento e (re)ativação da ameaça anarquista 
contra o poder.

O caso de companheiro Santiago Maldonado não é um "excesso de repressão" ou "abuso de 
poder". É o poder e sua repressão desdobrando suas intenções sinceras de eliminar. E 
enquanto outros procuram refúgio na justiça do mesmo Estado ou na institucionalidade 
internacional, nós nos sentimos chamados para enfatizar as estratégias que podemos 
desenvolver para enfrentar a dinâmica atual repressiva e aquelas que podem vir com o 
aprofundamento da natureza totalitária dos regimes democráticos.

Este é um desafio que assumimos no calor do confronto e não do conforto de cidadãos ou 
reformadores como observadores passivos, porque é contra os inimigos declarados da ordem 
social que primeiro aponta o inimigo, e não é difícil de visualizar para onde dirige o 
compasso repressivo com a hipervigilância, a normalização da presença militar nas ruas, a 
expansão das ideologias cidadãs, os exercícios conjuntos entre grupos militares de 
agressão para contextos urbanos e a promoção das operações de inteligência sob o discurso 
de proteger a sociedade, aniquilando os "inimigos da democracia que tanto custou para 
construir".

O mês de setembro deixa no Chile outros exemplos concretos do que já foi mencionado. O 
assassinato da companheira antiautoritária Claudia López nas mãos das balas da polícia em 
11 de setembro de 1998 - encapuzados em uma barricada nas manifestações de repúdio no 
início da ditadura iniciada em setembro de 1973 - é outro reflexo da resposta repressiva 
ante o surgimento da subversão autônoma e antiautoritária no Chile pós-ditadura[5]. Em 
setembro de 2005 é detido por policiais da cidade de Puerto Montt, o jovem de origem 
Mapuche José Huenante; e em setembro de 2015 é detido, e levado para o deserto em um carro 
da polícia, na localidade de Alto Hospício, o jovem José Vergara[6]. Depois de serem 
detidos, não foram vistos novamente vivos ou seus corpos aparecidos. Ambos são atualmente 
detidos desaparecidos na democracia.

A um mês após o desaparecimento do companheiro Santiago Maldonado...

A 17 anos após o assassinato da companheira Claudia López...

A 118 anos da morte em ação do companheiro anarco-niilista Bruno Filippi ao atacar um 
centro de reunião burguesa na Itália com um dispositivo explosivo em setembro de 1919...

Que nada pare nossa ofensiva contra a autoridade e aqueles que validam seus rolos 
impostos. Que não se detenha o conflito com aqueles que defendem o poder!

CONTINUEMOS A PROPAGAR O CONFRONTO ANARQUISTA CONTRA TODA AUTORIDADE!

Sem Bandeiras, Nem Fronteiras, núcleo de agitação antiautoritária.

Chile. Setembro de 2017

[1]https://es-contrainfo.espiv.net/?s=Argentina+Santiago&Submit.x=0&Submit.y=0

[2]http://www.mapuexpress.org/?p=13455

[3]http://www.nuestrasvoces.com.ar/entendiendo-las-noticias/estan-defendiendo-guerrillero/

[4]Operação Condor: acordo de cooperação entre os serviços de Inteligências sul-americanos 
durante a década de 70 para eliminar atividades subversivas na região.

[5]https://publicacionrefractario.wordpress.com/2015/09/07/memoria-anticarcelaria-para-claudia-lopez-11-de-septiembre-desde-la-carcel-hasta-la-calle/

[6]http://lamatriznoticias.com.ar/jose-huenante-y-jose-Vergara-los-detenidos-desaparecidos-en-democracia-de-Chile/

Tradução > Liberto


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