(pt) Greece, verba-volant.info - Contra o antagonismo, a solidariedade: A expulsar do movimento tudo o que faça reproduzir o mundo do poder e da imposição

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Domingo, 26 de Novembro de 2017 - 08:32:23 CET


Em 17 de novembro de 2017, uma vez finalizada a marcha do aniversário da rebelião da 
Escola Politécnica em 1973, um grupo de pessoas, repetindo o que geralmente se faz durante 
vários anos, se aproximou do bairro de Exarchia e se dedicou a uma "contenda" com os 
policiais. Alguém deste grupo disparou um sinal (foguete de sinalização) em linha reta 
para os policiais, lesionado gravemente a uma mulher que naquele momento estava detrás 
deles e foi alcançada pelo foguete. A seguir, o texto da Iniciativa Anarcossindicalista 
Rocinante sobre o papel destes grupos e a responsabilidade do movimento libertário.
Natasa Tsukalá, uma advogada que durante muitos anos esteve apoiando os oprimidos e a as 
vítimas da repressão, está lutando por manter-se com vida no hospital de Atenas 
Evangelismós. Ainda quando saia vitoriosa desta luta, é muito provável que não consiga 
salvar uma de suas pernas. O golpe que recebeu Natasa Tsukalá não foi um golpe vingativo 
de algum policial, tampouco foi o resultado de alguma emboscada feita por fascistas 
ultradireitistas. Foi o resultado de um sinal (foguete de sinalização) disparado em linha 
reta dentro de uma zona urbana por algum membro de um destes grupos que desde faz tempo, 
com a tolerância de uma grande parte do movimento, estão pretendendo tirar do anarquismo 
todo seu conteúdo humanitário, solidário, social e libertário. Não seríamos sinceros se 
disséssemos que este fato nos surpreendeu. Desde faz vários anos os grupos autodenominados 
anarquistas operam contra qualquer princípio do pensamento libertário e anarquista:
Onde o anarquismo propõe a solidariedade, eles propõem o antagonismo. Onde o anarquismo 
propõe a sociabilidade, eles propõem o individualismo. Onde o anarquismo propõe a síntese 
e a criação, eles propõem a violência cega e o militarismo. Onde o anarquismo propõe a 
liberdade e a vida, eles propõem o cinismo, a conspiração, a "eficácia" e a adoração da 
potência.
Os vimos atuando em Keratsini, em setembro de 2014, quando estiveram a ponto de matar a 
companheira K.K., pegando-a na cabeça com uma barra de ferro, por estar em desacordo com a 
destruição de um Centro de Formação Profissional (por estes grupos). Os vimos atacando 
contra eventos e festas de organizações anticapitalistas, batendo em mulheres, a 
companheiros e a companheiras, para roubar o dinheiro do caixa. Os vimos atacando a 
companheiros e companheiras que estavam montando suas mesas (para expor seu material 
escrito) em novembro de 2015, durante a celebração do aniversario da rebelião da Escola 
Politécnica. Os vimos durante os três dias que durou a celebração, expulsando às demais 
tendências do recinto (da velha Escola Politécnica) e atirando pedras a todos os que se 
aproximavam de seu quartel. Sobretudo, cada vez, ao dia seguinte os vemos defendendo, em 
geral com orgulho, sua ação.
Tanto ontem como hoje, empregaram o argumento de incrível obscenidade, de inspiração nazi, 
da "baixa colateral", ou estão tratando de apresentar a Natasa Tsukalá como colaboradora 
da Polícia, fazendo uso da propaganda vil de Goebbels.
As imagens publicadas na Internet da grave lesão de Natasa Tsukalá, não deixam lugar a 
dúvidas: Estes grupos atuam com um total desinteresse pela vida humana, a qual é a medida 
de toda percepção libertária e insurrecional, com o fim de dedicar-se a exercícios de 
poder, imposição e dominação. Estes grupos não lutam contra o Estado. Operam como um 
potencial Estado, reivindicando para eles o Poder arbitrário.
Já não há nenhuma desculpa para a continuação da tolerância do movimento a estes grupos. 
Sua prática ofende, difama, calunia, debilita e envergonha o movimento social e 
libertário, e toda luta por uma sociedade sem imposições. Sua única contribuição é a 
relativização da repressão, como a que vimos desenvolvendo-se na avenida Alexandras, 
durante as cargas das forças policiais contra manifestantes que estavam regressando da 
marcha (do 17 de novembro de 2017), no bairro de Exarchia, o qual, ademais da difamação 
dos meios de desinformação e dos loros políticos, cada dois por três se vê forçado a 
confrontar a invasão das denominadas forças antidistúrbios, irrompendo no bairro a modo de 
exército de ocupação.
A Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante chama a todas as organizações libertárias e 
anticapitalistas, e a todas as pessoas que lutam pela liberdade, a coordenar-se pela 
autodefesa do movimento, tanto contra a repressão estatal que é a mesma, independentemente 
de se governe a "Direita" ou a "Esquerda", como contra fenômenos de violência antissocial, 
de desprezo pela vida humana, e da tentativa de substituir os processos sociais por um 
militarismo cego interminável.
Nos pomos de lado de Natasa Tsukalá e de cada uma das vítimas da violência policial da 
sexta-feira 17 de novembro de 2017.
Contra o antagonismo, a solidariedade. Salvaguardamos os princípios libertários e sociais 
do movimento das tentativas de seu desvio para a adoração da força e do militarismo. Nos 
organizamos frente à pobreza, a repressão e qualquer tipo de imposição e dominação. 
Lutamos pela organização libertária horizontal dos oprimidos em todos os lugares de 
trabalho, em todas as universidades, em todos os bairros. Pela liberdade de cada um e a 
igualdade de todos.
Iniciativa Anarcossindicalista Rocinante
Tradução: Agência de Notícias Anarquistas.

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