(pt) [Grécia] Texto de anarquistas de Patras contra a recente ocupação da Escola Politécnica de Atenas By A.N.A. (en)

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Terça-Feira, 21 de Novembro de 2017 - 06:19:22 CET


Em 15 de novembro de 2017 um grupo de pessoas procedeu à ocupação da velha Escola 
Politécnica de Atenas, em cujo recinto cada ano, de 15 a 17 de novembro, se celebram 
eventos em memória da rebelião de 17 de novembro de 1973 contra a Ditadura militar. 
Segundo o primeiro comunicado conciso da ocupação, seu primeiro objetivo político é "a 
expulsão das organizações políticas e partidárias que pretendem manipular a rebelião". No 
mesmo texto se fez um chamado a "fazer realidade a insurreição e enfrentar-nos com as 
forças policiais". No segundo comunicado, igualmente conciso que o primeiro, a frase 
"organizações políticas e partidárias" foi substituída pelas frases "parasitas 
partidários" e "manipuladores partidários e institucionais".
No mesmo dia, vários grupos esquerdistas realizaram uma marcha de protesto fora dos 
recintos da velha Escola Politécnica. No dia seguinte, vários partidos e grupos 
esquerdistas (e poucos anarquistas) chegaram em marcha à Escola e encerraram a ocupação. 
Até a hora de escrever essas linhas, o grupo que ocupou a Escola Politécnica não emitiu 
nenhuma declaração sobre o final da ocupação. A seguir, o texto da coletividade anarquista 
"Anarquistas comunistas de Patras" contra a ocupação.

A Escola Politécnica pertence aos lutadores e as lutadoras. O 17 de novembro não se pode 
manipular, a anarquia não se pode aviltar.

Com surpresa, tristeza e raiva, nos informamos da ocupação da velha Escola Politécnica por 
um grupo de pessoas na manhã de quarta-feira (15/11), e a consequente exclusão de 
associações estudantis e grupos esquerdistas do recinto da Universidade. Estes coletivos 
tradicionalmente celebram neste recinto as atividades de memória histórica realizadas cada 
ano durante três dias.

Como anarquistas comunistas e lutadores que levamos quase vinte anos participando tanto em 
Patras como em Ioánnina nas atividades de memória histórica e de classe, realizadas por 
causa do aniversário da revolta da Escola Politécnica (o 17 de novembro de 1973), deixamos 
claro que ninguém tem o direito de impor uma lógica de propriedade das lutas da Escola 
Politécnica. A tradição lutadora, de classe e insurrecional da Escola Politécnica e das 
lutas dos estudantes e dos obreiros contra a junta militar dos coronéis, pertence aos 
lutadores e as lutadoras daquela ocasião, do presente e do futuro. Pertence aos de baixo 
da sociedade e a todos os que montamos barricadas contra a investida do totalitarismo do 
Estado e do Capital.

De as todas formas, sabemos de sobra que um dos desejos fervorosos da Soberania é 
incorporar e absorver as lutas, assim como distorcer aqueles rasgos radicais delas, por 
causa dos quais podem ser perigosas no futuro. Portanto, a ação da ocupação da Escola 
Politécnica pode ser somente daninha com respeito a manutenção da memória histórica social 
e de classe, quando proíbe a associações estudantis ou juventudes políticas esquerdistas 
celebrar suas atividades (eventos) em seu recinto.

Nos mostramos relutantes, pois, a qualquer tentativa de manipular e tratar de tirar lucro 
político das lutas coletivas dos de baixo, tanto das do passado como das do presente. 
Ainda quando se os okupas quiserem proteger as mensagens da rebelião da Escola Politécnica 
da manipulação partidária, na prática o que conseguiram é reproduzir esta manipulação, 
tendo como símbolo o A circulado, e invocando a Anarquia. Ainda mais, posto que uma ação 
semelhante é uma ação de elitismo e vanguardismo, separada dos desejos e das necessidades 
do movimento de classe contestatório neste período. Enfim, os métodos empregados pelos 
okupas não são os dos lutadores anarquistas e libertários. São os métodos das chefaturas 
da esquerda, da noção das vanguardas políticas que se põem acima dos lutadores e das 
lutadoras, e tomam decisões por eles e sem eles.

Por conseguinte, cremos (consideramos) que dita ação política reproduz invenções 
ideológicas perigosas, pretendendo pôr na prática dentro do movimento contestatório (com 
seus vários matizes) uma polêmica que na conjuntura atual se deve realizar contra os 
soberanos. Somos claramente relutantes ao translado ao terreno do movimento da guerra 
social e de classe contra o Capital, o Estado e os fascistas.

Ao mesmo tempo, podemos reconhecer alguns pontos de partida ideológicos comuns após dita 
ocupação-isolamento da Escola Politécnica, entre o ataque contra comunistas e 
anarcossindicalistas faz dois anos, no marco da celebração de eventos no aniversário da 
rebelião da Escola Politécnica, e o ataque contra estudantes em Atenas, durante as últimas 
eleições estudantis. Em ambos casos falamos de valentões com manto anarquista. Aparte da 
diferente composição dos sujeitos destes ataques diferentes, o conceito que tem alguns 
segmentos do "âmbito" anarquista destas ações, em realidade se baseia em uma lógica e 
atitude anticomunista e pequeno burguesa, a qual identifica os e as estudantes comunistas 
com as chefaturas dos partidos esquerdistas e os classifica na categoria dos inimigos, 
junto com o Estado e o Capital. Esta lógica nos dá asco.

A única coisa positiva (se existe algo semelhante) em tais ações de pessoas que 
(possivelmente sem dar-se conta) operam como os idiotas úteis para a Soberania, é que, 
dado que (cremos que) certos segmentos organizados de anarquistas mantêm distâncias deles, 
se demonstra de a maneira mais clara que já o "âmbito" anarquista é uma nuvem, uma 
referência a períodos históricos do passado. O desafio é que (este âmbito) comece já a 
adquirir as características de um movimento que tenha um discurso social amplo. Nesta 
direção é necessário manter distâncias de tais ações.

16 de novembro de 2017

Anarquistas comunistas de Patras

O texto em grego:

https://athens.indymedia.org/post/1580089/

Conteúdo relacionado:

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/11/16/grecia-escola-politecnica-1973-2017-a-rebeliao-permanece-viva-contra-os-mitos-da-democracia/

Tradução > Sol de Abril


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