(pt) [Itália] Geografia e anarquia By A.N.A.

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Quarta-Feira, 15 de Novembro de 2017 - 08:25:07 CET


Entre 21 e 23 de setembro passado, foi realizada na cidade italiana de Reggio Emilia, no 
Círculo Cucine Popolo Massenzatico, a Primeira Conferência Internacional de Geografias e 
Geógrafos Anarquistas (ICAGG) intitulada "Geografia, mudança social e práticas 
antiautoritárias". Participaram da Conferência 45 palestrantes, a maioria deles da Europa 
e das Américas. As apresentações, todas apresentadas em assembleia plenária para promover 
o confronto entre todas as pessoas que participaram e, assim, evitar cair nos esquemas 
hierárquicos das conferências de moda, foram agrupadas por áreas temáticas e ampliadas em 
vários tópicos, dos casos mais teóricos as várias pesquisa-ação e reflexão concretas sobre 
o valor agregado que o libertário pode trazer para a geografia. De fato, remover da 
disciplina geográfica seu componente oficial e de Estado, que passa pela cartografia 
militar para alcançar a aplicação do poder em todas as áreas, só pode ser feito do ponto 
de vista libertário, fora dos cânones da autoridade.

Durante a Conferência, o território foi mencionado como produto da ação coletiva dos 
cidadãos em seus espaços de vida, em uma relação circular e recíproca com o ambiente 
natural, fora da lógica da exploração do capital e da dinâmica do poder, que enxergam no 
território apenas a porção do espaço onde eles podem concentrar suas forças de rapina e 
comando. Se falou sobre antifascismo, descolonização e espaços urbanos liberados e 
autogestionados; falou-se de uma geopolítica que parte do anarquista, sendo relegada aos 
geógrafos anarquistas do século 19 como Élisée Reclus e Piotr Kropotkin. O contributo à 
geografia da época desses pioneiros do pensamento anarquista e, ao mesmo tempo, cientistas 
físicos e sociais foi exposto e debatido em uma sessão, mas o debate como um todo e muitos 
outros documentos deixaram claro como essa contribuição não se esgotou no século XIX e 
como, pelo contrário, permaneceu viva e vital até hoje. Como um rio subterrâneo, a 
geografia anarquista tem atravessado todas as tendências burguesas e marxistas do século 
XIX, e agora veio à tona para influenciar e permear uma geografia crítica que, nas 
palavras do geógrafo Simon Springer, "não pode ser mais do que anarquista".

Durante os três dias da Conferência se tratou sobre movimentos indígenas, migrantes e 
refugiados, ecologia e movimentos urbanos. Para alguns temas de grande interesse e 
atualidade, duas sessões foram dedicadas, como no caso dos movimentos radicais e 
auto-organizados que, com sua ação direta, criam territórios e espaços livres, para 
experimentar e viver aqui e agora uma sociedade diferente. Também as práticas de 
contra-mapa e cartografia crítica encontrou espaço em uma sessão dupla para verificar a 
necessidade de usar representações que colidam de frente com a couraça opressiva de 
mapeamento do estado, controle, classificação e esquemas. Não faltou uma apresentação 
sobre a experiência concreta de Rojava, onde entre uma guerra feroz, e milhares de outras 
dificuldades se está construindo uma sociedade de valores libertários, ação muito 
importante em uma região caracterizada por Estados autoritários desde sempre e fanatismo 
religioso.

A Conferência terminou na tarde de sábado no salão do Teatro Artigiano de Massenzatico, 
que está localizado nas instalações da primeira Casa Popular Italiana, fundada pelo 
pioneiro do socialismo Camillo Prampolini. Após as últimas apresentações, foi realizada 
uma assembleia para extrair um primeiro balanço da Conferência e coletar ideias para o 
próximo compromisso. Foi decidido realizar a próxima edição da Conferência na cidade 
francesa de Lyon, em torno da qual gravita um grupo de ativistas, acadêmicos e 
pesquisadores ativos há anos e bem enraizados no território.

A Conferência não só foi um lugar para o intercâmbio de ideias e notas científicas, de 
fato - e não poderia ser de outra forma - as refeições e os jantares preparadas pelos 
voluntários do Círculo Cucine del Popolo foram ocasiões de conhecimento mútuo e de 
socialização, com shows musicais e teatrais, até o jantar final do sábado, que terminou 
com as notas de A las Barricadas Barricadas e La Internacional.

Até daqui dois anos em Lyon!

Gianmaria Valent

Fonte: https://www.nodo50.org/tierraylibertad/351articulo3.html

Tradução > Liberto


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