(pt) [Venezuela] Com Maduro, como com Macri, há desaparecimentos forçados e repressão contra os povos indígenas Por Alcedo Mora Carrero¹ By A.N.A.

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Quinta-Feira, 9 de Novembro de 2017 - 07:16:22 CET


Para todos nós que carregamos a luta pela aparição com vida de meu pai, Alcedo Mora, e dos 
irmãos Jesus e Eliécer Vergel desaparecidos em 27 de fevereiro de 2015, tem sido muito 
dolorosa a notícia da descoberta do corpo sem vida de Santiago Maldonado no sul da 
Argentina. Sem dúvida, é um crime do Estado que o governo de Macri fez todos os esforços 
para ocultar, tentando a todo o custo encobrir a Gendarmeria[polícia]. Enviamos nosso 
abraço solidário aos parentes e amigos de Santiago, morto por solidariedade com a luta do 
povo mapuche. Tem sido exemplar a bravura com que a família e milhares e milhares de 
argentinos se mobilizaram e desmascararam o governo. O aparecimento do corpo de Santiago 
foi graças à luta.

Aqueles na Venezuela que lutam contra o desaparecimento forçado e exigem o aparecimento de 
Alcedo, Jesus e Eliécer, infelizmente também encontram com autoridades que se recusam a 
investigar o crime porque são cúmplices. Alcedo Mora foi um revolucionário desaparecido 
por relatar atos de corrupção na PDVSA[petroleira estatal da Venezuela], juntamente com os 
irmãos Vergel, camponeses colombianos refugiados na Venezuela. O pai dos irmãos Vergel 
também foi sequestrado em maio, mas conseguiu escapar e declarou que seus captores eram 
membros do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional e paramilitares colombianos e que 
lhe disseram que o meu pai e os irmãos Vergel tinham sido mortos e que o mesmo aconteceria 
com qualquer um que investigasse o caso. Apesar de todos estes fatos e ameaças contra nós, 
de todas as alegações que fizemos a nível nacional e internacional, o governo continua não 
investigando.

Por tudo isso, é muito escandaloso que a Chancelaria venezuelana tenha emitido uma 
declaração criticando a repressão do governo argentino e a violação dos direitos humanos e 
até mesmo reivindicações de direitos do povo mapuche. Em primeiro lugar, porque o governo 
venezuelano exerce grande repressão contra os setores populares, viola os direitos humanos 
e não investiga os desaparecimentos forçados por motivos políticos como o caso do meu pai 
e dos irmãos Vergel. E em segundo lugar, porque o governo venezuelano aprisionou o cacique 
do povo yukpa Sabino Romero em 2009, e policiais de Machiques sob o governo municipal do 
PSUV[partido governista ligado ao presidente venezuelano Nicolás Maduro]matou-o em 2013. E 
porque o aprisionaram e mataram? Pela mesma razão que está preso Facundo Jones Huala, 
simplesmente por defender o direito ao território de seu povo. Então é uma mentira que o 
governo venezuelano se solidariza com os povos indígenas, e exigimos que reconheça o 
território dos povos indígenas venezuelanos e pare de entregar suas terras para as 
transnacionais com o projeto do Arco Minero do Orinoco, que deixe de reprimir os yukpa e 
outros povos indígenas e que liberte todos os prisioneiros políticos indígenas como os 
filhos de Carmen Fernández. Se o governo repudia os métodos ditatoriais então que não os 
empregue contra o nosso povo e que o Defensor do Povo e Procurador-Geral, Tarek William 
Saab, realize uma investigação sobre o desaparecimento forçado de Alcedo, Jesús e Eliécer.

Reiteramos a nossa solidariedade com o povo mapuche e os familiares e amigos de Santiago 
Maldonado. Estamos irmanados na mesma luta.

[1]Texto escrito pelo filho da vítima do caso mais emblemático de desaparecimento forçado 
na Venezuela chavomadurista.

Fonte: http://periodicoellibertario.blogspot.com.br/2017/10/con-maduro-como-con-macri-hay.html

Tradução > Liberto


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