(pt) uniao anarquista UNIPA: PELA FORMAÇÃO DE UM COMITÊ DE APOIO E PROPAGANDA DA UNIPA NO PIAUÍ

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Terça-Feira, 7 de Novembro de 2017 - 07:20:17 CET


Os Bakuninistas piauienses ---- Este texto foi produzido pelos/as bakuninistas do Estado 
do Piauí. Tem por intenção analisar criticamente o desenvolvimento da organização política 
anarquista no Estado, e com este documento, formalizar nosso pedido de criação de um 
Comitê de Apoio e Propaganda da UNIPA. ---- Nossa análise começa nos anos de 1990, indo 
até a atualidade, dividindo-se em quatro grandes blocos: O contracultural, de 1990 a 
meados de 2000; o universitário-espontaneísta, de meados de 2000 a 2013; o educacionista, 
de 2013 a 2015; a bifurcação organizacional de 2015 à atualidade. Vejamos: ---- Chamamos 
de etapa contracultural o período entre os anos de 1990 a meados dos anos 2000, quando se 
articulou no Piauí o "Grupo de Estudos Anarquistas". O GEA era formado hegemonicamente por 
anarcopunks, e tinham a contracultura como base de suas atividades.

O grupo realizou ações esporádicas, como campanhas contra as eleições e o militarismo, no 
dia da "Independência". Com base social formada pela juventude precarizada e 
marginalizada, colaborou significativamente para a ocupação de onde hoje é o bairro Vila 
Irmã Dulce, em Teresina, no ano de 1998.

Por suas debilidades teóricas, como o ecletismo, o grupo não avançou na formação de bases 
sociais fora da esfera contracultural nem em organização política. Na medida em que seus 
membros cresciam, abandonavam o ambiente anarcopunk, e consequentemente o GEA. Incapaz de 
renovar seu corpo-ativo, deixa de existir em meados dos anos 2000.

Parte da juventude que fazia parte ativa no GEA, ou mesmo os que estavam sob a sua 
influência, adentraram a Universidade. E nelas, sem um corpo que organizasse 
federativamente as forças individuais, acabou por se tornar espontaneísta, ou seja, 
disposta a contribuir para as lutas universitárias interligando-a com a luta de classes, 
mas sem unidade teórica, aderindo também ao ecletismo, por vezes levados à reboque pelos 
programas políticos de outras organizações reformistas.

Apesar disso os anarquistas ganham um significativo campo de influência entre os 
estudantes "independentes" e elevam o nível estratégico da luta contra o desmonte da 
educação pública no governo Lula, como a Reforma Universitária. Colaboram veementemente 
para o rompimento do DCE e de outros cursos, como Serviço Social, com a degenerada 
UNE/PCdoB, mas eventualmente realizam alianças políticas com outros grupos reformistas, 
como a ANEL/PSTU e OE/PSOL. Do mesmo modo, ao criticar a estrutura do Movimento estudantil 
e sindical, não conseguiram dar uma resposta concreta aos problemas estruturais e 
organizativos que permeavam estes ambientes.

Suas características eram a ultracombatividade, disposição e sincera entrega na luta do 
povo, o que infelizmente não coincidia e nem foi suficiente para a formação de uma 
organização política que mantivesse unidade teórica, impedindo assim desvios liberais 
típicos do espontaneísmo.

Com o Levante dos Marginalizados de Junho de 2013 o anarquismo tornou a ser debatido em 
todos os âmbitos da luta do povo como no movimento estudantil, sindical e popular. É a 
partir desses debates, e de uma conjuntura favorável na situação piauiense, como a 
descrença popular diante da democracia burguesa (eleições, legislações, instituições e 
partidos) que o Grupo de Estudos Anarquistas do Piauí (GEAPI) surge, em Teresina e em 
Parnaíba.

Hegemonicamente sua estrutura de militantes era formada por estudantes universitários, com 
alguns trabalhadores e secundaristas.

Suas principais atividades giravam em torno de leitura de textos diversos e atividades 
esporádicas com base meramente histórica e saudosista, sem conseguir responder aos 
desafios que a atualidade da luta de classes exigia, nem avançar na crítica sobre as 
vacilações e degenerações do anarquismo no mundo. Apesar dos significativos esforços 
despendidos por seus membros, o GEAPI continuou na linha do ecletismo, reproduzindo os 
mesmos erros cometidos anteriormente.

Assim, o GEAPI corresponde a fase educacionista, que se esforçava para propagandear "o 
movimento anarquista", como se este por si só pudesse resolver as contradições sociais 
pela "propaganda e educação", ou mesmo como se existisse um "movimento anarquista" 
homogêneo e isento de contradições. Tal afirmação se materializa pela prática. Diversos 
"seminários" sobre o anarquismo foram realizados, sempre em torno de uma "História do 
Movimento Anarquista".

Ao passo em que o GEAPI se consolidou, outras organizações passaram a interagir com o 
grupo, como os especifistas da Coordenação Anarquista Brasileira, em especial a Federação 
Anarquista do Rio de Janeiro (FARJ) e a Organização Resistência Libertária (ORL) de 
Fortaleza-CE, assim como os bakuninistas da União Popular Anarquista (UNIPA). Distantes 
dos debates nacionais, compreendíamos ainda dentro do GEAPI que a disputa entre as duas 
maiores organizações anarquistas do Brasil não passava de debates infrutíferos, 
desnecessários e sem consequências na realidade. Hoje, conscientes da profundidade e 
necessidade deste debate, avaliamos como equivocada a nossa análise, e caso tivéssemos 
atentado com mais cuidado a disputa, nosso rompimento para construir a UNIPA teria se dado 
muito antes.

Em 2014, o I Congresso Anarquista do Piauí (I CONAPI) foi decisivo para o amadurecimento 
do anarquismo no Estado. Foi onde, pela primeira vez, o confronto entre especifistas e 
bakuninistas ficou mais visível, e auxiliou nas discussões internas sobre os rumos do 
anarquismo piauiense.

Foi nesse período que um pequeno, porém coeso e disciplinado grupo dentro do GEAPI passou 
a investigar com mais energia a polêmica anarquista nacional e internacional, se 
convencendo que tanto o ecletismo quanto o especifismo não teriam capacidade política de 
participar e criar condições favoráveis à Revolução Brasileira.

A partir do I CONAPI, os debates de linha política ficaram cada vez mais claros dentro do 
GEAPI. A segunda edição do Congresso já não era sequer a sombra do primeiro. Sem uma 
política séria de ingresso, o grupo passou a arregimentar "simpatizantes", quer das duas 
fases anteriores, quer novos contatos, que tinham se tornado em essência e em prática, 
liberais radicais e/ou social-democratas. O GEAPI também ensaiava participar dos debates 
de linhas políticas no Piauí. Assim lança uma tese ao Congresso de Estudantes da UFPI 
(CONEUFPI) e diversos textos sobre o sindicalismo, educação e o Movimento Estudantil no 
Piauí. Formava-se assim uma organização perigosamente híbrida: Por um lado, aglomerava 
indiscriminadamente "simpatizantes" do anarquismo em sua perspectiva educacionista 
meramente propagandística, e tentava articular lutas estudantis e sindicais, o que exigia 
um grupo coeso e com unidade teórica.

Devido a essas contradições, em 2015 o GEAPI deixa de operar. Diversos companheiros e 
companheiras rompem com essa organização, percebendo suas limitações e compreendendo a 
importância da unidade teórica para colaborar efetivamente com a agudização da luta de 
classes no Estado. A proposição dos camaradas da UNIPA, lançada ainda durante o CONAPI, 
então se mostravam claras: "A libertação da classe trabalhadora exige mais do que boas 
‘intenções', exige respostas concretas dos anarquistas para combater a burguesia, a 
repressão e as burocracias (...)".

O amadurecimento de nossa posição política levou-nos a enxergar o especifismo da CAB como 
a repetição parcial dos erros organizacionais iniciados no Piauí com o Grupo de Estudos 
Anarquistas nos anos de 1990, e não era para nós uma opção viável para os fins que 
buscávamos. Isto já havia se manifestado diversas vezes pela prática de seus militantes, 
como nos boatos gerados dentro do CONAPI contra os militantes da UNIPA, apontada como "uma 
seita de marxistas ortodoxos travestidos de anarquistas", assim como Bakunin, Makhno e os 
Amigos de Durruti foram chamados pelos confucionistas do anarquismo.

Internamente, e depois de participar de formações políticas com a ORL/CAB, em especial, os 
Seminários "Anarquismo e Organização Popular", esta aparentava, pela prática, ser um grupo 
que esporadicamente se reunia para fazer trabalho de base, que não haviam superado o 
romantismo, e que por isso tinham pouca ou nenhuma base social, nem muito menos mantinham 
unidade teórica local, regional ou nacional, notadamente percebida pelo posicionamento de 
outros núcleos da CAB em outros Estados.

Apesar de nossas ponderações, explícitas em conversas individuais ou nas últimas reuniões 
internas realizadas pelo GEA, o bloco que não refletiu a realidade do anarquismo no Piauí 
como nós, optou por um alinhamento pró-CAB.

Como avaliamos internamente, o grupo da CAB no Piauí ("Organização Anarquista Zabelê" - 
OAZ) não avançaria pelas debilidades teóricas não resolvidas (e aprofundadas) com o 
ecletismo, reproduzidas na prática do especifismo, e se dissolveria por falta de unidade 
teórica. O tempo mostrou que nossa análise estava correta, e ao que sabemos, tal 
organização deixou de existir no início de 2017.

Nós, apesar de coesos e conscientes das tarefas que recaiam sob nossos ombros desde o 
rompimento com o GEAPI (por um lado, avançar na construção de um amplo campo de lutas que 
envolvesse trabalhadores e estudantes, e por outro, colaborar para a forja e propagação de 
nossa linha política no Piauí), acreditamos que não era a hora de iniciar um projeto de 
organização política via formação de um Comitê de Apoio e Propaganda (CAP) da UNIPA, por 
entendermos que nós mesmos possuíamos heranças ecletistas, que precisavam ser 
neutralizadas, e que essa depuração só ocorreria com um rigoroso trabalho de base, onde a 
prática nos daria oportunidade de refletir nossas próprias limitações e possibilidades.

Para resolver este impasse, realizamos formações internas, onde debatíamos os materiais 
publicados no site da UNIPA, assim como seus comunicados e as edições do jornal Causa do 
Povo. Fundamos uma articulação provisória, o Círculo de Debates Anarquistas - Piauí 
(CDA-PI), onde produzimos um documento intitulado "O Velho e o Novo Anarquismo no Piauí", 
indicando nosso firme propósito de ação e a nível político, permitindo o ingresso na 
articulação nascida do rompimento com o GEAPI, e que hoje, avaliamos que a decisão nos deu 
bons resultados. Da mesma forma, dedicamos nossos esforços para erguer uma tendência capaz 
de tornar viva a alma da luta pela causa do povo, o que também avaliamos como positivo.

Entendendo que este problema foi parcialmente resolvido, concluímos que é chegada a hora 
de somarmos esforços ao bakuninismo nacional, e assim, solicitamos oficialmente à União 
Popular Anarquista a formação de um Comitê de Apoio e Propaganda no Piauí.

O nosso trabalho foi e é firme, sincero e constante. Avançamos consideravelmente em nossos 
planos. Combatemos com veemência a reação e a socialdemocracia. Foram as nossas mãos as 
primeiras que se erguiam na defesa de nossa classe, e as últimas que cessavam nos ataques 
contra os inimigos do povo. Vimos organizações surgirem e desaparecerem, mas, como sólidas 
árvores fincadas no chão por suas profundas raízes, passamos por diversas tempestades. E 
assim continuaremos a atuar no Piauí, para acelerar o rompimento das correntes que esmagam 
o povo, e construir, da periferia para o centro, a Revolução Brasileira que colocará um 
fim às contradições sociais existentes em nossa época.

BAKUNIN VIVE E VENCERÁ!

TODO PODER AO POVO!

ANARQUISMO É LUTA!

https://uniaoanarquista.wordpress.com/2017/11/04/pela-formacao-de-um-comite-de-apoio-e-propaganda-da-unipa-no-piaui/


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