(pt) Federação Anarquista Gaúcha - FAG: Fantástica Infâmia! -- Uma teoria da conspiração ao gosto da extrema direita!

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Quinta-Feira, 2 de Novembro de 2017 - 11:49:25 CET


INFAMIA! Não há outro termo para se referir à farsa que foi promovida neste domingo pela 
Rede Globo através do programa "Fantástico". Conhecido por seu aspecto idiotizante e 
sensacionalista, o Fantástico já alertava, logo em seus primeiros quadros, seu fetiche por 
teorias da conspiração ao apresentar mais uma de suas matérias sobre misteriosos OVINIS. 
Embaladas na onda conservadora, as teorias da conspiração, "rigor e sabedoria" dos 
estúpidos, vêm ganhando espaço cada vez maior nos grandes meios de comunicação. Não seria 
justo o Fantástico quem deixaria de aplicar uma "autêntica". ---- O sensacionalismo 
apresentado em torno de uma nova teoria da conspiração foi a matéria sobre uma suposta 
"organização anarquista criminosa", propagandeada ostensivamente ao longo dos últimos dias 
e guardada como a "chave de ouro" do programa.

A matéria em questão, abordou a operação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul direcionada 
ao espaço cultural Parhesia, a ocupação urbana Pandorga, e nossa organização política, 
Federação Anarquista Gaúcha/Coordenação Anarquista Brasileira (FAG/CAB). Desde o início da 
operação (dia 24/10), a grande mídia local, com a RBS na linha de frente, já demonstrava 
ser parte ativa nessa conspiração. Acompanhando e difundindo quase que em tempo real todo 
o procedimento da Polícia Civil, os telejornais endossavam completamente a versão 
policial, emitindo toda sorte de juízo e condenações. Em meio ao show de horrores 
destacou-se o telejornalismo do SBT afirmando que se tratavam de grupos neo-nazistas.
Atentados isolados passaram a ser associados de forma escandalosa a ideologia anarquista e 
a nossa organização em particular. O cálculo é claro e largamente conhecido: buscam 
através do bombardeio midiático coagir os militantes sociais que se identificam com o 
anarquismo, deixar na defensiva, obrigar sairmos a público rezando a cartilha da "moral e 
dos bons costumes" dos "cidadãos de bem", linchadores e hatters de internet, que cada vez 
mais estão ganhando terreno no país.
Buscam, através de factoides, criminalizar iniciativas de caráter artístico-cultural além 
de nossa organização, conhecida por mais de 20 anos de militância ininterrupta nas 
diversas lutas e organizações dos trabalhadores e oprimidos.
Trata-se de uma operação ao gosto da extrema-direita que vem se agrupando em torno de uma 
agenda moralista e com um discurso fortemente macarthista. Extrema direita essa que desde 
a onda de ocupações de escolas vem investindo na promoção de milícias para provocar, 
intimidar e, quando possível, atacar fisicamente atos promovidos pela esquerda ou contra 
aquilo que julgam um atentado aos "bons costumes".
Enquanto isso proto-milícias fascistas e seus crimes de ódio passam impunemente!
Reunindo-se, entre outros, em grupos pró-Bolsonaro, estes militantes da extrema direita 
estão fazendo um grande carnaval reacionário nas redes sociais, exibindo armas e 
convocando os "cidadãos de bem" a atacar os "esquerdistas" e "defensores de bandidos", 
enquanto cada vez mais levam sua demência para as ruas.
Em uma mobilização dos municipários de Porto Alegre, na ocasião em Estado de greve, um 
professor foi agredido com um bastão retrátil por um capanga de um youtuber, ambos 
vinculados ao MBL. No dia seguinte, eram recebidos com grande cordialidade no Paço dos 
Açorianos pelo prefeito Marchezan/PSDB, que pronto agradeceu seus feitos.
Como o ovo da serpente choca de norte a sul, vimos recentemente uma turba tumultuar e 
inviabilizar uma atividade acadêmica a respeito do centenário da Revolução Russa na 
Universidade Federal do Pernambuco (UFPE) aos gritos de "intervenção militar já"! O ataque 
a atividade docente, com vistas a patrulhar e censurar tudo aquilo que é dito nas escolas 
e universidades tem sido uma das muitas histerias presente na agenda da extrema-direita. 
Mas, se estamos falando da região sul do país, a extrema-direita historicamente teve uma 
presença "sombria", pouco ou nada abordada. Trata-se do nazismo, ou neo-nazismo.
Foi justamente em Porto Alegre onde se abrigou a Editora Revisão, responsável por editar e 
difundir amplamente literatura nazista e de negação do holocausto, cuja página na internet 
segue ativa. Foi em Porto Alegre onde, em razão de um quipá, jovens foram esfaqueados em 
um bairro boêmio da cidade e também é aqui onde nas ruas são diários casos de agressões 
físicas a casais homosexuais, a travestis, a moradores de rua, mulheres, negros e 
imigrantes, haitianos e senegaleses sobretudo. Por detrás desses ataques operam grupos 
neo-nazistas e integralistas que atuam de forma coordenada em um "corredor do ódio" que 
envolve Porto Alegre-Serra Gaúcha-Blumenau-Curitiba. Periodicamente realizam encontros, no 
caso, as "gigs" de bandas "RAC" onde aproveitam para fazer uma espécie de ritual ao final 
dos concertos: sair em bando nas ruas para "beber e se divertir".
Toda essa confraria da extrema direita, que pratica e estimulam covardes atos de ódio, são 
muito bem conhecidas pelo Delegado Jardim, regente mor da conspiração em curso contra o 
anarquismo. Há mais de 10 anos, o Delegado Jardim é incumbido da tarefa de investigar a 
atuação destes grupos da extrema-direita, no entanto, até o presente momento, Jardim não 
apresentou nada além de aparições televisivas com sua empáfia característica.
A Síndrome de Estocolmo de um "novo" cruzado contra a esquerda!
Essa não é a primeira vez que Jardim direciona sua carga à lutadores sociais. Em 2013, em 
meio às muitas manifestações populares que reivindicavam o direito à cidade e protestavam 
contra os gastos da copa em Porto Alegre, uma operação de caça de militantes da Brigada 
Militar resultou na prisão de 3 professores que caminhavam após a dispersão do ato com uma 
bandeira do CPERS.
Jardim foi o Delegado que se encarregou do caso e logo buscou enquadrar os militantes como 
responsáveis pelo apedrejamento ao Museu Julio de Castilhos e a Catedral em meio a uma 
série de suposições. Precisavam de um bode expiatório para apresentar como troféu na 
grande mídia, encaminhando-os ao presídio. Impossibilitado de concluir seu objetivo, dada 
a forte solidariedade que garantiu a liberação d  s companheir  s, Jardim não se conteve e 
fez questão de convocar o serviço sujo da RBS. No dia seguinte, lá estava uma matéria 
destacada na Zero Hora e no ClicRbs que acusava professores de "atos de vandalismo". Não 
bastasse citar o nome completo de dois companheiros e uma companheira, a matéria estampava 
uma foto de Jardim mostrando suas fotos. Em mais de 10 anos com a responsabilidade de 
investigar a atuação neo-nazista, Jardim nunca expôs publicamente um de seus milicianos. 
No entanto, quando se trata de alguma mobilização popular, alguma manifestação de 
esquerda, Jardim parece espumar.
Não seria exagero sugerir que todo esse tempo enquanto responsável da Polícia Civil para 
investigar o neo-nazismo no Rio Grande do Sul tenha levado o senhor Jardim à uma Síndrome 
de Estocolmo, apaixonando-se por aqueles que estava responsável por reprimir. A 
manifestação da simpatia enrustida não poderia vir de melhor forma que clamando cadeia, 
prisão e deportação à militantes sociais e a esquerda, elemento basilar de toda 
manifestação nazi-fascista.
O que representa a aventura do Delegado Jardim e da Rede Globo?
O episódio mais recente parece estar configurando o "momento de ouro" do delegado, que 
nunca teve tamanha audiência. Representante "do bem", cruzado contra "quadrilhas do mal", 
Jardim se depara agora em uma encruzilhada onde terá de decidir qual figura detestável na 
história dos oprimidos buscará "reencarnar". Pode ser que queira ser uma versão dos 
trópicos de Frederick Katzmann em sua farsa contra Sacco e Vanzetti ou de Hermann Göring 
em seu alarme pelo incêndio ao Reichstag.
Seja o que for, nesta semana, a triste figura de Jardim roubou a cena na conjuntura 
política do país buscando criar um espantalho para conclamar uma caça às bruxas. Taxar e 
intimidar uma ideologia e uma organização política em meio a um momento de importantes 
greves na região, onde sua militância toma parte ativa buscando levar às últimas 
consequências as disposições de luta e organização que brotam em cada local de trabalho, 
estudo e moradia. Jardim e a Rede Globo buscam semear pânico e desorientação; em um 
primeiro momento no anarquismo militante, logo em seguida, se arvorarão em completar sua 
investida farsesca, carregada de factoides e arapongagens, ao conjunto da esquerda e dos 
movimentos sociais. Jardim roubou a cena para escancarar a verdadeira farsa que é a 
alternativa da extrema direita e seus aventureiros de plantão, que com o beneplácito do 
oligopólio da grande mídia se desenvolvem em tribunais e no aparelho repressivo do Estado, 
convocando e promovendo o genocídio da juventude negra nas periferias, a violência contra 
LGBTs e a intolerância religiosa; o extermínio dos povos indígenas e quilombolas e o 
ajuste fiscal.
Terrorismo contra os de baixo, terrorismo contra nossa classe! Jardim, a Rede Globo e seus 
cruzados que fiquem cientes que não nos curvaremos!
Contra o ajuste e a repressão! Luta e organização!
Federação Anarquista Gaúcha (FAG) - Organização integrada à Coordenação Anarquista 
Brasileira (CAB)

https://www.facebook.com/FederacaoAnarquistaGaucha/posts/1733138210031063


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