(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra CAB - Opinião anarquista: O Anarquismo é luta social e exige respeito

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Quinta-Feira, 2 de Novembro de 2017 - 11:29:56 CET


Diante do ataque orquestrado pela polícia civil do Rio Grande do Sul em conluio com a Rede 
Globo, denominado "Operação Érebo", que tem como objetivo criar precedente para enquadrar 
a ideologia anarquista na Lei Antiterrorismo, a Coordenação Anarquista Brasileira afirma 
que somos historicamente fruto das lutas do povo oprimido. Nossa ideologia nasceu na luta 
das/os de baixo, da classe trabalhadora contra todas as formas de dominação. As violências 
que a nossa classe sofre no cotidiano com a falta de acesso aos direitos mais básicos são 
o que impulsiona o trabalho realizado pelo anarquismo, em meio ao povo e na defesa de uma 
sociedade mais justa sem desigualdade social e livre de todas as formas de opressões. ---- 
Por isso os militantes da Coordenação Anarquista Brasileira, da qual a Federação 
Anarquista Gaúcha faz parte, são trabalhadoras e trabalhadores, filhos e filhas do povo. 
Somos militantes, e como tais, atuamos em sindicatos, ocupações de moradia e movimento 
estudantil e demais espaços sociais. Defendemos o trabalho de base, buscando mobilizar 
distintos sujeitos sociais desde seus locais de trabalho, estudo e moradia. Portanto não 
nos prestamos a caricaturas pintadas pela Rede Globo e pelo Delegado Jardim.
Diante desta calunia, que tem por finalidade não apenas tipificar o anarquismo na Lei 
Antiterror mas também paralisar toda a esquerda revolucionária através do medo, afirmamos 
que não vamos nos acovardar, seguiremos em luta contra o ajuste e a repressão.

O Anarquismo é luta social e exige respeito

O Anarquismo existe há mais de 150 anos, é fruto do socialismo e uma ferramenta da classe 
trabalhadora para a conquista de seus direitos. Esteve presente na construção da 
Associação Internacional dos Trabalhadores e está nas lutas sociais da atualidade. Uma 
ideologia que historicamente participou de muitas das lutas organizadas e forjadas pelas 
mãos dos/as trabalhadores/as em diferentes continentes e países: Comunas Parisienses, 
Revolução Russa, Revolução Ucraniana, Revolução na Manchúria, Revolução Mexicana e a 
Patagônia Rebelde na Argentina; as Federações Operárias Regionais na Argentina (FORA) e no 
Uruguai (FORU). O Anarquismo também esteve presente e contribuiu muito no chamado 
"sindicalismo revolucionário" no Brasil, ajudando a impulsionar lutas e greves no início 
do século passado, como a Greve Geral de 1917.
O anarquismo, como ontem, permanece cotidianamente envolvido nas causas sociais, nas lutas 
sindicais, nas associações de bairros, de moradores. Compromissado em combater as 
desigualdades e opressões, defendendo o avanço nos direitos das mulheres e LGBTTT, pela 
demarcação dos territórios indígenas e quilombolas, em apoio e solidariedade aos povos e 
trabalhadores do campo.

A violência da mídia e da Globo

No último domingo, dia 29/10, em seu programa Fantástico, a Rede Globo tentou, de forma 
grosseira, confundir sobre o que de fato é a ideologia anarquista.
Violência é o que a Globo pratica, ao criminalizar e difamar a ideologia anarquista. Ao 
expor trocas de mensagens de celular sem nenhuma permissão para isso. É uma atitude 
irresponsável e leviana que pode prejudicar trabalhos sociais sérios construídos com 
esforço e compromisso no dia a dia.
Esse tipo de jornalismo serve apenas a seus próprios interesses, buscando lucrar vendendo 
factoides grosseiros e calúnias. É também um jornalismo servil aos interesses do Capital e 
da crescente Direita no país repete assim o mesmo papel que teve durante a ditadura 
civil-militar.

A violência dos poderosos contra o povo

É importante falarmos aqui também de toda a violência contra o povo praticada pelo 
capital, pelo Estado e governantes. A violência das eternas filas de espera dos hospitais, 
da falta de remédios e recursos, de salários não pagos aos profissionais da saúde. A 
violência dos transportes públicos, superlotados e sucateados, dominados por mafiosos 
amigos de governadores e prefeitos. Vamos lembrar da violência do ensino público 
abandonado pelo governo para ser privatizado. Os trabalhadores e trabalhadoras da educação 
que não recebem seus salários, e os estudantes que também são violentados pelo Estado. A 
violência dos latifundiários, grileiros e bancada ruralista contra os povos indígenas, 
sendo expulsos de seus territórios, contra os sem-terra e os pequenos agricultores. A 
violência do Estado e da polícia contra o povo negro, o genocídio nas favelas e periferias.
Mas, apesar disso, quem o estado, a polícia e a mídia rotulam de terroristas e violentos 
são aqueles que se organizam na busca pela transformação social, pelo fim de toda essa 
injustiça e desigualdade social promovidas pelos poderosos e capitalistas.
Solidariedade para avançar contra os ataques
A solidariedade por parte da esquerda é fundamental neste momento. Este não é apenas um 
ataque isolado contra a ideologia Anarquista. Não é possível compreender estes 
acontecimentos se não os pensarmos inseridos no contexto de avanço da direita no país. E 
mais ainda, na estrutura mundial de dominação do capital, em especial o imperialismo 
norte-americano e a forma como ele vêm atuando na América Latina e no Brasil. Para que os 
recursos naturais deste continente e seus povos sejam cada vez mais explorados, se faz 
necessário criminalizar e reprimir os movimentos sociais e as organizações políticas. Por 
isso é, toda a esquerda que está sob ameaça e ataque, assim como os movimentos populares. 
E todos aqueles que se opõem à sanha do capital internacional e nacional que quer colocar 
suas garras sobre os recursos naturais e as terras, e explorar ao máximo o povo, 
destruindo todos os direitos que foram conquistados com muita luta.
Por isso estes ataques devem ser denunciados. É preciso mostrar que o Anarquismo não é que 
mostra a mentirosa reportagem da Rede Globo, e que vem sendo veiculado pelos outros 
grandes veículos de informação (SBT e BAND). Não aceitamos nenhuma forma de 
criminalização, muito menos ideológica. Somos historicamente fruto das lutas do nosso povo 
oprimido e permaneceremos firmes na luta anticapitalista por um mundo novo e uma nova 
sociedade que carregamos em nossos corações.
CONTRA A FARSA DA REDE GLOBO
ANARQUISMO NÃO É CRIME, É LUTA!
VIVA O ANARQUISMO!

https://www.cabn.libertar.org/cab-opiniao-anarquista-o-anarquismo-e-luta-social-e-exige-respeito/


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