(pt) Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CAB): De Chicago a Joinville, há 131 anos lembrando de luta e de luto Por Carlos de Oliveira

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Domingo, 14 de Maio de 2017 - 08:38:26 CEST


Segunda-feira, primeiro de maio de 2017, Itinga, zona sul de Joinville. Nunca este bairro 
amanheceu tão rubro-negro como nesta data. Faixas divulgavam: III Sarau 1º de Maio do 
Coletivo Anarquista Bandeira Negra (CABN). Poucos metros a frente já se avistara a 
Associação dos Moradores e Amigos do Bairro Itinga, a Amorabi. Lá, bandeiras pretas e 
vermelhas estavam estendidas em janelas, mesas e no palco principal onde pessoas 
apresentam seus espetáculos. ---- Dias antes houvera uma dedicação resistente e voluntária 
para que a atividade fosse regada de amor e rebeldia. Vassoura arranhava o piso, cordas 
voavam aos quatro cantos, e as cadeiras, uma por uma, eram enfileiradas e decoradas com a 
nova edição do jornal Luta Social. Esta, nova e primeira edição do novo jornal da 
Coordenação Anarquista Brasileira (CAB).

O relógio na cozinha já marcara catorze horas da tarde. Os moradores do bairro se 
aproximavam do local que tanto precisou de mobilização para se conquistar. Crianças, 
jovens e velhos passavam pelo portão de cerca branca. Minutos depois apareciam aqueles e 
aquelas que já estiveram juntos em manifestações contra o aumento de tarifa do ônibus, 
luta por terra, desviando do quente gás de pimenta, das fumegantes balas de borracha e dos 
capangas que teimam em crivar com balas de perseguição e medo os que se organizam contra 
os poucos abastados.

Indígenas encostam seus instrumentos musicais enquanto algumas panelas de comida chegam 
para ser saboreada pelos guaranis. A comida é preparada em conjunto. Alguns cuidam dos 
alimentos verdes, vermelhos, brancos. Ao lado, o amarelo do detergente banha a esponja que 
desliza sobre pratos para ninguém ficar sem local para por comida.
O texto de abertura começa a ser narrado. Há 131 anos o 1º de Maio é o dia para lembrar e 
dar importância a todos e todas trabalhadores e trabalhadoras do mundo. Um dia para 
dedicar e homenagear os Mártires de Chicago. Oito pessoas. Mortas pelo governo e patrões. 
Todos que, hoje, ainda precisam dedicar seus esforços para enriquecer poucos, devem 
dedicar ao menos uma tarde do ano para Albert Parsons, Louis Lingg, Adolph Fischer, George 
Engel, August Spies, Michael Schwab, Samuel Fielden e Oscar Neebe.
Pessoas do Paraná, Rio Grande do Sul, São Francisco do Sul, Araquari, Florianópolis, 
Lages, estão atentas à programação e acompanham a jovem que lê crônicas escritas pelo 
jornalista Edgard Leuenroth. Aplaudem no ritmo das músicas que são entoadas pelos dedos 
que tocam as cordas de guitarras e violões. Emocionam-se pela fala da trabalhadora da 
educação e seu dia a dia como educadora.
As banquinhas reúnem produtos que estão longe dos espaços com vidros, cadeados e 
seguranças privados. Livros sobre a Espanha em 1936, bolsas que estampam meninas 
zapatistas e o velho Cartola, índios exibem seus artesanatos e o rapaz arruma caixas de 
alimentos livres de veneno, do mesmo grupo que recebera tiros da Polícia Militar poucos 
dias antes.
A parada na programação para a partilha reúne doces e salgados. Homens e mulheres. 
Moradores do Itinga e Aventureiro. Os de moletom e quem calça chinelo. Deveriam haver mais 
cafés em grupos durante o ano.
Nove ou dez crianças não sobem para ver o espetáculo do Abismo Teatro de Grupo, que 
apresentara a peça "Quem Roubou meu Futuro?". Preferem demonstrar a habilidade 
futebolística no campinho com mais barro que grama. O goleiro, maior que todos os outros 
jogadores, corajoso feito uma águia, enfrenta a trave enferrujada para evitar qualquer 
gol. O único a vencê-lo é o menino que joga descalço, veste uma bermuda vermelha sangue e 
uma camiseta preta. O gol é no ângulo. A comemoração é com os companheiros de time. 
Ninguém roubará o futuro de quem veste rubro-negro.

https://www.cabn.libertar.org/cronica-de-chicago-a-joinville-ha-131-anos-lembrando-de-luta-e-de-luto/


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