(pt) [Espanha] Crônica da CNT em Villalar 2017: Uma realidade obreira e popular By A.N.A.

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Domingo, 7 de Maio de 2017 - 08:42:32 CEST


Este ano a CNT voltou a montar sua tenda em Villalar sob o lema "Seu mundo nos destrói, 
construamos o nosso", apostando por dar um conteúdo obreiro e popular à data de 23 de 
abril[dia em que se recorda a revolta das Comunidades de Castilla e a Batalha de Villalar 
em 1521]. Podemos dizer que a sintonia com o resto do movimento libertário é cada vez mais 
evidente, tornando realidade o discurso de união tão necessário nos dias que correm. ---- 
Os meios de comunicação voltaram a dar uma imagem institucionalizada, rotineira e 
comercial do 23 de abril. É difícil não perguntar de que comunicação falam, quando dão 
essa imagem e passam de relance ante atividades sólidas e vinculadas às lutas abertas 
nestas terras, como é o caso da tenda da CNT. ---- Este silêncio dos meios (especialmente 
com a CNT ) rompe-se com a realidade do que em Villalar sucede e ao que puderam assistir 
milhares de pessoas que lá estavam. A demonstração reivindicativa dos muitos coletivos 
sociais que abrem as suas portas continua a ser um altofalante aos problemas sociais, 
laborais e ambientais que em toda a península nos afetam. A CNT continua a transportar um 
importante conteúdo em cada um dos temas.

No entorno da tenda conseguimos ver durante todo o dia distribuidoras que partilhavam 
informação: CNT Ávila, CNT Valladolid, CNT Zamora, Diario de Vurgos, Federación de 
Estudiantes Libertarios, Ideas de Rebelión, La Maldita, Marcando Pezón, editora 
Zarramaco... Também, e é algo para ter em conta, muitos outros coletivos mostraram o seu 
interesse por estar em Villalar, embora não pudessem comparecer. Esperamos que nas 
próximas ed ições possamos estabelecer relações com eles.

Um dos pontos fortes deste ano esteve nas intervenções no ato social e sindical, que 
contou com diversas plataformas sobre a defesa do meio ambiente. A apresentação do ato da 
CNT esteve a cargo de Rubén Ruiz, que recordou que é "um orgulho que depois de mais de 10 
anos de presença neste acampamento o cenário tenha servido para dar espaço a diversas 
reivindicações populares, mas jamais para que um político conte as suas mentiras, os seus 
interesses particulares ou nos lance a sua nojenta corrupção". Enquanto isto, ecoavam os 
acordes do hino da CNT "A las barricadas". Quisemos também fazer uma menção especial à 
ativista recentemente falecida, Doris Benegas, "que contribuiu de forma transparente para 
que Villalar fosse um espaço de reivindic ação social e política: a sua ausência nota-se 
de uma maneira muito dolorosa nesta data".

Chegava a hora para Alejandro Cano da Plataforma de Toledo em Defesa do Rio Tejo, que 
ressaltou como é o Tejo nas suas diferentes partes, "o rio mais violado de toda a 
península Ibérica", como as instituições "aderem a interesses políticos particulares 
esquecendo os interesses comuns" e que só "desde a união do próprio povo podemos dar voz e 
solução aos graves problemas que atravessa o rio mais grande da península Ibérica".

Desde a Assembleia Antinuclear de Salamanca e desde a Coordenadora contra Garoña 
explicaram-nos todo o drama e o processo da energia nuclear na península Ibérica: 
"disseram-nos que não cortavam nenhum carvalho e encontramos um desastre ecológico de 
grande alcance", e acrescentaram anotações que assinalam o perigo nuclear -"o seu 
transporte, o seu armazenamento, os efeitos da exposição à radioatividade para a saúde, os 
seus resíduos de milhares de anos etc"-. Também no caso de Garoña, "que é uma central 
obsoleta, com tecnologia que não o ferece nenhuma garantia... e não o dissemos à 
Coordenadora, mas sim ao Comitê de Segurança Nuclear, assegurava o porta-voz da 
Coordenadora contra Garoña, Andrés Amayuelas.

Em seguida, Gaspar Manzaneda, da CNT, recordava "que faz 100 anos que os trabalhadores nas 
terras da Rússia, iniciavam a maior ofensiva contra o capital", "que somos quem produzimos 
a riqueza e portanto quem a devemos gerir" e chamou sem fissuras "a unidade dos 
trabalhadores, porque, como disseram as pessoas de Salamanca, Toledo e Burgos, já não se 
trata de uma união possível, se não necessária para a sobrevivência da nossa espécie e do 
nosso planeta".

Por último, o apresentador do ato, convocou as pessoas que ali se encontravam "a acudir às 
manifestações do Primeiro de Maio, data histórica para a classe trabalhadora, onde 
denunciar os cortes e agressões que estamos padecendo há uma década".

Durante todo o dia pudemos ouvir o som de numerosas dulzainas através do coletivo 
Tarambanas de Palencia, também o som de rancheiras a cargo dos Los Linces de la Meseta e, 
por último, um concerto de rock a cargo de APAKA de León e Brea Bastard e Debakle de 
Valladolid.

Queremos agradecer aos grupos de música a afinidade e o companheirismo que transmitem com 
a CNT e que o seu trabalho é tão fundamental como o do resto das pessoas (militantes, 
distribuidoras..) que colaboram para que ano após ano a tenda da CNT seja diferente. Tudo 
na tenda -na montagem, nos bares, no minuto a minuto sempre uma convivência tão unida- foi 
possível desde a autogestão militante, pedra angular que apostamos para construir um mundo 
que não nos destrua.

Nos vemos na luta e no próximo Villalar.

Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=xdErdbW2Ovc

Fonte: 
https://www.cntvalladolid.es/cronica-de-cnt-en-villalar-2017-una-realidad-obrera-y-popular/

Tradução > Joana Caetano


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