(pt) [Espanha]1º de Maio de 2017: Contra a precariedade, a corrupção e a guerra By A.N.A.

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Quarta-Feira, 3 de Maio de 2017 - 07:51:48 CEST


Pela Greve Geral indefinida ---- A precariedade e corrupção na Espanha ---- O governo e os 
meios de comunicação seguem insistindo na progressiva recuperação econômica que vive o 
país. Por outro lado, a taxa de desemprego supera os 4 milhões de pessoas, sendo o 
trabalho negro, a precariedade laboral, as rendas de inserção nas comunidades autônomas 
(‘RMI' na Comunidade de Madrid), e as economias e pensões de familiares idosos, os 
suportes que tem os trabalhadores na Espanha para lidar com tão penosa situação. Os 
serviços sociais de Madrid estão colapsados e os investimentos no âmbito social são cada 
vez menores. Cada vez mais dinheiro é posto no sentido da terceirização de serviços, sendo 
consequências diretas a precarização dos serviços sociais, um pior serviço com mais gasto 
para o s contribuintes e o lucro direto de diversas ONGs que vivem da terceirização, da 
precariedade e da exclusão social.

A pobreza infantil na Espanha se multiplicou por cinco durante a crise. Entre 2008 e 2015 
o número de crianças em situação de pobreza extrema aumentou para mais de 400.000. A 
precarização e a destruição dos postos de trabalho levaram a grande empobrecimento das 
famílias obreiras. Isso se traduz na falta de acesso aos serviços para os menores, má 
alimentação e graves consequências para a saúde.

Todos os dias seguem acontecendo despejos na Espanha, pois as famílias não conseguem pagar 
as hipotecas. Se realizaram centenas de milhares de despejos desde o começo da crise, 
enquanto que o investimento em habitação por parte do Estado foi reduzido em 50%, ao passo 
que milhares de casas se encontram vazias. Cerca de 30% dos imóveis desocupados da Europa 
estão na Espanha. Chegou-se a tal ponto que na Espanha uma das principais causas de mortes 
é o suicídio.

A Espanha é o país com a maior desigualdade dentro da União Europeia, variando entre a 
segunda e quinta colocação. Essa condição, longe de diminuir, aumentou 
desproporcionalmente na crise, polarizando a sociedade. Cerca de 30% da população 
espanhola vive em risco de pobreza extrema em razão dos baixos salários, o desemprego e a 
precariedade laboral. De outro lado, 1% da população concentra quase 70% da riqueza do 
país. Os políticos jogam seu papel promovendo políticas que reforçam e protegem a 
concentração da riqueza nas mãos de uns poucos.

Já está mais do que demonstrado que aos representantes políticos pouco lhes importa a 
situação social. Seu objetivo não é outro que viver das instituições do Estado. Isso 
expressou claramente o senador do PP Eugenio González: "que trabalhem os idiotas". Sendo 
que os idiotas que os sustentam, a eles e aos empresários, com seus salários, vícios e 
nível de vida. Obviamente que esse senhor não irá renunciar ao seu cargo.

No dia 23 de fevereiro se publicou a sentença dos cartões pretos. Na mesma, representantes 
do PP, PSOE, IU, CO e UGT, conselheiros na Caixa de Madrid, depois de gastar durante anos 
centenas de milhares de euros "de representação", são condenados a penas irrisórias por 
apropriação indébita. O mais provável é que nenhum sequer pisará na prisão, sejam em razão 
das baixas pena, seja porque lhes sobra dinheiro.

A trama da ‘Púnica' é outro caso dos mais comentados e com mais repercussão midiática na 
Espanha. Na mesma se prenderam e processaram dezenas de membros do PP e do PSOE, bem como 
empresários, todos acusados de corrupção, pagamento de comissões ilegais através de uma 
trama societária. Esse caso atingiu profundamente a cúpula do PP em Madrid. Os mesmos que 
enchem a boca de democracia e liberdade para encarcerar aqueles que lutam contra as 
injustiças.

A guerra no mundo

O sistema econômico capitalista não faz estragos somente na Espanha. Diversas guerras 
sacodem o mundo hoje em dia. Algumas mais midiáticas, outras menos. A maior parte com a 
justificativa de defesa da paz e promoção da democracia. No entanto, por trás desses 
conflitos patrocinados pelos Estados Unidos, Rússia, China, Irã, a União Europeia ou a Grã 
Bretanha e França em particular, primam os interesses econômicos das multinacionais e os 
interesses geopolíticos dos Estados, os quais giram em torno da construção de grandes 
estruturas, o controle do gás e do petróleo, das reservas minerais e de outros recursos 
naturais.

Atrás de cada arma, míssil, bomba, avião de combate e exército, existem empresários que 
lucram com o negócio da morte e do sofrimento. Um exemplo que temos na Espanha é o 
ex-ministro da defesa, Pedro de Morenés y Álvarez de Eulate, vinculado a alta nobreza 
espanhola e empresário da indústria armamentista.

A Espanha foi e é um dos maiores provedores de armas para o mundo nos últimos 50 anos, com 
a desculpa da defesa. No entanto, entre os seus clientes estão diversos países que estão 
envoltos em guerras com outros países ou conflitos internos. Alguns deles são o Reino 
Unido, Arábia Saudita, Iraque, Líbia ou Venezuela.

De outro lado temos as centenas, talvez milhares, de vítimas civis que morrem diariamente 
por causa dos conflitos armados que sacodem o mundo. Milhões de trabalhadores que tem que 
se submeterem ao sorteio da morte para manterem suas famílias.

Existem, pois, motivos para se organizar. Para a greve geral indefinida

Tanto dentro das fronteiras do mundo ocidental, quanto fora, nós, os trabalhadores, temos 
que sofrer as misérias a que somos condenados por empresários e políticos. De dentro, 
temos que sofrer o deslocamento das fábricas, a destruição dos postos de trabalho e o medo 
contínuo do desemprego, assim como a frustração de que jamais alcançaremos o nível de vida 
que nos vendem como o ideal de qualquer país rico e desenvolvido. Tudo isso com o fito de 
nos explorar e tirar de nós o máximo de proveito de nosso trabalho com o mínimo de salário 
(e se ainda economizam com a Seguridade Social, melhor ainda), embolsando tudo.

Fora do Ocidente, os negócios da guerra e os interesses imperialistas das multinacionais e 
do Estado mantém na miséria milhões de pessoas nos cinco continentes, sofrendo fome e 
guerras que nunca acabam.

O deslocamento da indústria europeia é outra manobra patronal para economizar na 
fabricação de produtos, mantendo milhares de trabalhadores e crianças em condições 
subumanas e de semiescravidão. Foi assim que Amancio Ortega, fundador da Inditex, fez sua 
fortuna, sendo aplaudido na Espanha como um empresário exemplar, ao passo que é exaltado 
pelos mesmos políticos que criam os esquemas de corrupção para enriquecerem, e por 
empresários que financiam aos partidos políticos que promovem políticas que defendam seus 
interesses de classe contra os trabalhadores.

Ante essa situação, é necessário que nós trabalhadores nos organizemos para colocar sobre 
a mesa a ferramenta mais efetiva que contamos tanto em nível local quanto internacional, a 
greve geral indefinida. Para parar as investidas neoliberais na Espanha, tanto como contra 
as guerras que assolam as populações do mundo em virtude de negócios de uns poucos 
empresários e políticos.

Longe dos sindicatos pelegos, que são parte da engrenagem da máquina neoliberal, temos a 
alternativa de criar e fomentar redes, coletivos e sindicatos de funcionamento horizontal, 
assemblearios e solidários, que são a melhor ferramenta para colocar travas ao 
neoliberalismo, tanto no aspecto laboral quanto no social, e ainda para defender e 
promover nossos interesses como trabalhadores.

NEM GUERRA ENTRE POVOS, NEM PAZ ENTRE CLASSES

PARA A GREVE GERAL INDEFINIDA

PELA ANARQUIA

Grupo Anarquista Tierra

grupoanarquistatierra.wordpress.com

Fonte: 
https://federacionanarquistaiberica.wordpress.com/2017/04/11/1o-de-mayo-de-2017-contra-la-precariedad-la-corrupcion-y-la-guerra/#more-790

Tradução > Liberto


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