(pt) federacao anarquista gaucha: Há 100 anos da Greve Geral de 1917

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Quarta-Feira, 3 de Maio de 2017 - 07:51:30 CEST


Publicamos a colaboração do companheiro e historiador Anderson Romário Pereira Corrêa, 
escrita em 2007 no marco das comemorações dos 90 anos da Greve Geral de 1917, sobre esse 
importante processo histórico de luta da nossa classe. Às véspera da greve geral do dia 28 
de abril, de mais um 1º de maio e das comemorações dos 100 anos da Greve Geral de 17, 
esperamos que essa leitura seja instigadora da ação hoje! ---- Federação Anarquista Gaúcha 
- FAG --- A GREVE GERAL DE 1917 E A LIGA DE DEFESA POPULAR (LDP) ---- Contribuição à 
memória de luta da classe operária ---- No inicio do século XX, foi de muita importância a 
participação dos anarquistas e do sindicalismo revolucionário no sentido de construção de 
uma cultura de combate, ação direta e de mobilização permanente. Muitas das várias 
entidades do movimento operário brasileiro do período: os sindicatos por ramos e ofícios, 
as ligas e uniões operárias, as federações estaduais, a Confederação Operária Brasileira 
(fundada em 1906) estavam sob forte influência dos anarquistas.

Concentração do movimento grevista na Rua da Praia. Porto Alegre 1917.

A GREVE GERAL DE 1917:
Contribuição à memória de luta da classe operária*Anderson Romário Pereira Corrêa
A efervescência do operariado brasileiro, que culmina no movimento grevista de 1917, tem 
na inter-relação de vários fatores econômico-sociais suas possíveis explicações: a ação 
organizativa e propagandista do sindicalismo revolucionário - ou seja, o processo 
implementado pelos militantes anarquistas ao movimento operário; e a conjuntura econômica 
proporcionada com a crise gerada pela forma com que a economia brasileira estava inserida 
ao capitalismo internacional durante a Primeira Guerra Mundial. O seguinte trabalho se 
desenvolverá descrevendo primeiro a cultura combativa de segmentos da classe operária, e 
em seguida a conjuntura de crise econômica do período da Primeira Guerra Mundial 
acirrando-se em 1917 e a "luta e organização" das mobilizações populares em 1917 no Rio 
Grande do Sul.

Além da conjuntura de crise econômica, os operários gaúchos também agiram em reflexos as 
mobilizações nos outros estados do centro do país (alguns historiadores apontam inclusive 
as primeiras noticias da Revolução Russa como motivadores das mobilizações proletárias). 
Aqui no sul destaca-se o papel dos militantes anarquistas, dos operários da Viação Férrea, 
a Liga de Defesa Popular de Porto Alegre, o Comitê de Defesa Popular em Pelotas.

Cultura combativa e luta de classes: De nada adianta haverem conjunturas de acirramento 
das contradições, crises econômicas etc.; estes "momentos" de crise somente proporcionam 
ações de caráter reivindicativo e de acúmulo revolucionário se houverem ambientes e 
cultura popular com "identidade de classe" que saibam aproveitar estas conjunturas e 
acirrarem as lutas. Destacamos o papel de incansáveis militantes, abnegados na luta de 
classes. É fundamental o nível de conscientização, o grau de mobilização e capacidade de 
organização do movimento social no que se refere a sua ação política e social. Estes 
elementos estão inter-relacionados.

No inicio do século XX, foi de muita importância a participação dos anarquistas e do 
sindicalismo revolucionário no sentido de construção de uma cultura de combate, ação 
direta e de mobilização permanente. Muitas das várias entidades do movimento operário 
brasileiro do período: os sindicatos por ramos e ofícios, as ligas e uniões operárias, as 
federações estaduais, a Confederação Operária Brasileira (fundada em 1906) estavam sob 
forte influência dos anarquistas. Implementavam um sindicalismo revolucionário na maioria 
das entidades que tinham condições de estabelecer hegemonia política: Consideravam que o 
sindicalismo não deveria envolver-se na disputa eleitoreira da "democracia burguesa", não 
deveria atrelar-se à partidos políticos, em fim, preconizavam a independência de classe em 
relação à agenda burguesa e aos patrões. Seus métodos eram os da ação direta e a greve 
geral com propósitos revolucionários, orientados a um objetivo de construção de uma nova 
sociedade socialista e libertária, ou como eles diziam na época: comunismo libertário 
(anarquista).

Os militantes operários buscavam abarcar todos os espaços possíveis do cotidiano da 
família proletária. Além do companheirismo nos locais de trabalho, de passarem as mesmas 
dificuldades, sofrerem juntos os mesmos problemas: salários baixos, jornadas cansativas e 
insalubridades - os militantes operários (anarquistas) proporcionavam através dos 
sindicatos, centros de cultura social, escolas e universidades populares, jornais, 
teatros, piqueniques, em fim, várias oportunidades de cultura, lazer e luta. Assim 
construíam uma "cultura de classe" e identidade de luta permanente. No Rio Grande do Sul 
muitos dos militantes de 1917 foram "formados" nas escolas racionalistas mantidas pelos 
militantes libertários.

A conjuntura e crise: O Brasil inseriu-se na 1º Guerra Mundial como fornecedor de gêneros 
alimentícios às populações civis e às tropas da "Entende". As exportações de bens de 
primeira necessidade cresceriam de forma acelerada a partir de 1915. O aumento das 
exportações dos gêneros de primeira necessidade deslocou uma parcela ponderável da 
produção tradicional que era voltada para o mercado interno, e passou a atender as 
demandas externas. O preço dos produtos acabou encarecendo para o consumo interno - dos 
brasileiros. A esta ascensão dos preços correspondiam salários nominais estanques e a 
política oficial de "apertar os cintos", a freqüente instituição de contribuições 
"pró-pátria" descontados em folha e outras formas de socializar a crise. Portanto, a 
elevação do custo de vida fez-se acompanhar do declínio constante do salário real.

Abaixo está reproduzido um quadro que procura demonstrar quantitativamente a 
industrialização e o número de operários no Brasil, três anos após a Greve de 1917. No 
levantamento de informações, é a representação mais próxima que podemos ter da realidade 
daquele ano.

Estatística Industrial - 1920.
Estado Número de estabelecimentos Número de Operários
Distrito Federal - 1.451 56.229
Minas Gerais - 1.243 18.552
Rio de Janeiro - 454 16.794
Rio Grande do Sul - 1.773 24.661
São Paulo - 4.145 83.998
Demais Estados - 4.180 75.278
Total: 13.336 275.512

Observamos que o Rio grande do Sul em 1920 ocupava o segundo lugar em relação aos outros 
estados no tocante ao número de indústrias e o terceiro em relação ao número de operários.

No Rio Grande do Sul, durante a Primeira Guerra Mundial, instaura-se um processo de 
substituição de exportações, concentrando no setor de bens de consumo não-duráveis: 
têxteis, calçados, bebidas, produtos alimentares, etc. Ou seja, a elevação dos preços dos 
gêneros de primeira necessidade se deu graças à produção voltada para o mercado externo. 
Os principais compradores dos nossos produtos eram os países em Guerra. Produzíamos para 
alimentar as potências em guerra e o nosso povo passava fome. A expansão industrial dá-se 
à custa da intensificação da força de trabalho: a jornada de trabalho situava-se entre 10 
e 12 horas diárias nas fábricas, oficinas e construção civil: no comércio têm-se notícia 
de jornadas diárias ainda mais prolongadas. Também era alta a percentagem de mulheres e 
crianças empregadas em fábricas. O trabalho feminino e infantil percebia uma remuneração 
ainda mais baixa do que o trabalho operário masculino adulto.

Estatística Industrial do Rio Grande do Sul (1905 - 1919)
Ano Número de Fábricas Capital (contos de réis) Produção (contos de réis) Operários Força 
Motriz
1905 314 49.200 99.780
1908 314 14.434 99.778 15.426
1915 2.787 101.586 220.551 29.617 25.969
1916 9.477 119.801 265.963 38.488 30.930
1917 11.787 142.792 371.707 52.444 37.583
1918 12.770 155.556 399.718 58.680 43.230
1919 12.950 160.000 420.000 65.000 43.600

Demonstra-se através do quadro acima, que houve um elevado crescimento econômico (em todos 
os sentidos: número de indústrias e operários inclusive) no ano de 1917, em relação à 
tendência de crescimento ano a ano verificada no período.

Fica claro que a crise era para as classes mais baixas, os trabalhadores e operários em 
geral. Alguém estava lucrando com a conjuntura de Guerra e crise "econômica e social": a 
burguesia industrial.

Sobre Porto Alegre o quadro que segue é bem interessante, podemos ver que nos anos 
próximos 1917 o número de oficinas, era bem maior do que o número de indústrias. Mostra 
assim outro perfil do período. Demonstra que a classe operária não era formada por 
"proletários" industriais de linhas de produção, mas com mestre de ofícios, artesãos, 
aprendizes de artesãos, etc.

Anos Número de Fábricas Número de oficinas
1908   100                                 18
1907   126                                 24
1908   112                                 38
1909   117                                 33
1910   129                                 37
1911   154                                149
1912   180                                172
1913   180                                172

O censo de 1920 registrou em Porto Alegre um total de 179.263 habitantes, porém a 
população economicamente ativa era de 53.178 pessoas. Este número subestima demais a 
realidade, pois muitos trabalhadores que participavam da economia urbana não apareceram 
nos registros oficiais. A economia informal, que naquela época era representativa, está 
fora dos registros estatísticos. Destes trabalhadores aferidos, 74,7 % eram nacionais e 
25, 3 % eram estrangeiros.

Destaca-se no quadro acima, a representação gráfica do proporcional de habitantes em Porto 
Alegre e os trabalhadores economicamente ativos. Outro destaque é possível fazer quanto à 
questão do papel do imigrante no movimento operário do período. Percebemos a mínima 
quantidade da representação imigrante - cerca de um quarto do total de trabalhadores, e os 
trabalhadores de nacionalidade brasileira representavam três quartos do proletariado. Na 
greve de 1917, a maioria dos militantes operários, como já dissemos, conviveu e foi 
"formada" nas ações políticas e culturais do próprio movimento operário. Eram em sua 
maioria militantes nascidos no Brasil, e gaúchos. Podemos considerar também, que embora 
não tenhamos dados sobre o total da população do Estado e o número de operários, pode-se 
ter uma idéia a partir do momento que Porto Alegre era, junto com Rio Grande e Pelotas, as 
cidades com um maior número de oficinas e indústrias.

Distribuição setorial do pessoal economicamente ativo (1919) Número de pessoas Proporção
Indústria 16.880 31,7%
Transporte 4.189 7,9%
Comércio 12.458 23,4%
Agricultura 9.390 17,7%
Exploração do subsolo 171 0,3%
Administração/prof. liberais 10.090 19,0%
Total população economicamente ativa com profissão definida
53.176
100,00%

Luta e organização: As organizações operárias no rio Grande do Sul começam a surgir nas 
últimas décadas do século XIX. Destacamos um ponto importante neste aspecto que é a 
constituição de organizações operárias esparramadas por todo interior do Estado. Pode-se 
ver no primeiro congresso operário, no ano de 1898 a participação de várias cidades como: 
Porto Alegre, Rio Grande, Pelotas, Alegrete, Cruz Alta, entre outras. Assim destacamos que 
existiam organizações operárias em Alegrete, Uruguaiana, Quarai, Livramento, Dom Pedrito, 
Bagé, São Francisco de Assis, São Gabriel, Santa Maria, Passo Fundo, Cachoeira do Sul, etc.

A redução no nível e condições de vida, o agravamento nas condições de existência do 
operariado durante a Primeira Guerra atingiu seu clímax no ano de 1917. O descontentamento 
se generaliza no meio operário e seus efeitos começam por São Paulo. A partir do mês de 
junho eclodem várias greves que se alastram e ampliam no mês de julho. Atingiram seu ponto 
alto entre os dias 12 e 15 de julho, quando se forma um Comitê de Defesa Proletária que 
negocia aumentos salariais.

As notícias da "Greve Geral" chegam pela imprensa, noticiando a paralisação dos operários 
de São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Curitiba, etc. No Rio Grande do Sul a 
greve de 1917, de acordo com Silvia Petersen, em termos organizativos foi obra da Liga de 
Defesa Popular, pois a FORGS, pouco ou nada fez para mobilizar os trabalhadores. A greve 
foi fruto da insistência de grupos de operários, militantes que tomaram para si a 
responsabilidade de organizar os trabalhadores. A pesquisadora Silvia Petersen aponta que 
em nota publicada na imprensa, a FORGS declara que: "(...) não cogita de greve, tendo até 
mesmo se esforçado junto às associações que lhe são federadas para que esta capital nada 
venha sofrer na sua tranqüilidade." Sobre este aspecto relacionado à participação da 
FORGS, também colabora Adhemar Lourenço da Silva Jr . Destacando que: "Há indícios de que 
os cargos da diretoria da Federação Operária não eram então ocupados por anarquistas e que 
tais militantes eram inclusive contrários a uma greve geral." Estes "tais militantes" a 
que se refere Adhemar, só para ficar bem claro, eram os não anarquistas. Existia no 
entanto a União Operária Internacional, organização anarquista que se empenhava pela 
greve. No dia 26 de julho começa a ocorrer alguns incidentes. Operários da viação Férrea 
percorrem a linha propagando a greve. No dia 30 de julho era feita uma convocação assinada 
pela União Operária Internacional marcando uma concentração pública para o outro dia na 
Praça da alfândega. No final desta concentração ao clamor e gritos de Greve! Greve! - foi 
eleita uma "Liga de Defesa Popular". Os principais organizadores da greve em Porto Alegre, 
eram membros da Liga: Luis Derivi, secretário do sindicato dos pedreiros, carpinteiros e 
classes anexas e o líder tipógrafo Cecílio Vilar, o qual entre outras coisas afirma:

"...mas o momento não é para conciliações, é de luta. A luta mais justificável, a luta 
pela vida. Os operários devem se erguer como um só homem, para sair às ruas e conquistar o 
pão que nos está sendo roubado e a fim de protestar contra a exploração de que é vítima a 
classe trabalhadora (...)"

À noite a Liga reuniu-se e divulgou uma nota, com uma a seguinte pauta:

Diminuição dos preços dos gêneros de primeira necessidade em geral;
Providências para evitar o açambarcamento do açúcar;
Estabelecimento de um matadouro municipal para fornecer carne à população a preço razoável;
Criação de mercados livres nos bairros operários;
Obrigatoriedade da venda do pão a peso e fixação semanal do preço do quilo;
A intendência deve cobrar pelo fornecimento da água 10 % sobre os aluguéis e reduzir para 
5% as décimas dos prédios cujo valor seja inferior a 40$000.
Compelir a companhia Força e Luz a estabelecer passagens de 10 réis de acordo com o 
contrato feito com a municipalidade;
Aumento de 255 sobre os salários atuais;
Generalização da jornada de 8 horas;
Estabelecimento a jornada de 6 horas para as mulheres e crianças."
No dia 1º de agosto uma comissão é recebida por Borges de Medeiros que iria estudar as 
reivindicações operárias. Naquele inicio de agosto, Porto Alegre viveu momentos de 
empolgação revolucionária, pois a Liga de Defesa Popular constitui-se num verdadeiro poder 
paralelo, expressão de um "poder popular". A força da Liga de Defesa Popular é bem 
ilustrada nos casos dos Salvo-condutos. Instituições, repartições púbicas, empresários 
além é claro, dos operários que recorriam à Liga de Defesa Popular para tratarem de 
assuntos de gestão da cidade e de algumas empresas que procuravam permissão da Liga. 
Nenhum veículo pôde circular sem salvo conduto.

Houve confrontos entre os operários e a brigada militar, como é possível afirmar a partir 
da pesquisa de João Batista Marçal , na biografia de "Djalma Fettermann, a bomba que 
assustou os brigadianos":

Djalma Fettermann teve uma atuação importantíssima na Greve geral de 1917 e nos movimentos 
que precederam e sucederam, principalmente nas ações de rua, contra a policia e os 
fura-greves. Adepto da ação direta, juntamente com Reinaldo Geyer e Zenon de Almeida, 
aperfeiçoou um dispositivo de detonação de bombas que aterrorizou a brigada militar.

Além desta referência a enfrentamentos com a policia, o livro sita vários outros exemplos 
referentes a estes fatos da greve de 1917 em Porto Alegre.

"Concentração de grevistas na Rua da Praia por ocasião da greve de julho de1917", este é o 
comentário abaixo da foto. A pesquisadora Sandra J. Pesavento , acrescenta: "Piquetes de 
operários cruzavam as ruas com praças da policia administrativa e da Brigada Militar, que 
patrulhavam a cidade." Segue ela: "as ruas onde se situava o alto comércio da capital, 
onde nos dias normais era intenso o movimento, se encontravam paralisadas (Correio do 
Povo, 03/08/1917)."

No dia dois Borges de Medeiros baixa dois decretos atendendo boa parte das reivindicações 
feitas pela Liga de Defesa Popular: O Decreto 2.287 estipula aumentos salariais para todos 
"proletários ao serviço do Estado", enquanto o decreto 2.288 regula a exportação de 
produtos alimentícios do estado. Segundo Miguel Bodea "Um veículo, portando, uma bandeira 
branca com as iniciais da Liga, L.D.P., estampadas em vermelho, percorria as ruas da 
cidade. A Liga concitava os operários a não voltarem ao trabalho, apesar das concessões já 
obtidas pelo governo estadual." Na noite do dia 3 de agosto, o chefe de polícia Firmino 
Paim Filho comunica à Liga que as reivindicações dos operários serão atendidas. No dia 4 
de agosto o Intendente municipal José Montaury Leitão baixa o Ato 137, estabelecendo o 
tabelamento de preços de gêneros de primeira necessidade com preços reduzidos ou 
tabelados: arroz, banha, açúcar, cebola, erva-mate, ovos, leite, pão, salame, manteiga, 
sal, charque, querosene, vela de sebo, massa branca, milho, fósforo, polvilhos, etc. 
Também é reeditado o Ato 107, de 1914, que regula as normas de venda de carne verde. 
Cedendo à pressão do movimento operário quase todas as firmas concedem aumentos de 25% e 
jornadas de trabalho de 8 horas. Alguns dos acordos seriam depois descumpridos. No dia 05 
de agosto a Liga de Defesa Popular resolve encerrar a greve (em Porto Alegre). Porém 
permaneceram em greve os operários cujos patrões não tinham concedido a diminuição da 
jornada de trabalho e o aumento salarial. No boletim de 05 de agosto da Liga de Defesa 
popular lemos: "...examinando as conquistas feitas pelo proletariado local no atual 
movimento e o alcance das medidas tomadas pelos poderes públicos ... cessa o motivo da 
greve geral e a Liga de Defesa Popular aconselha a volta ao trabalho a todas as classes 
que julgarem conveniente. Aos que quiserem prosseguir em greve, por não terem conseguido 
seu objetivo, a Liga e a Federação Operária hipotecam sua solidariedade..."

Para listar as categorias e cidades em que trabalhadores gaúchos aderiram as greves de 
1917 utiliza-se o levantamento feito por Silvia Petersen "Relação das Greves no Rio Grande 
do Sul":
Ano/duração: 1917 - 30 de julho/ 9 de agosto.
Local: Santa Maria, Bagé, Livramento, Carazinho, Porto Alegre, Gravataí, Cruz Alta, Julio 
de Castilhos, Passo Fundo, Caxias, Pelotas, Santa Cruz, Rio Grande, São Leopoldo, 
Montenegro, Caí, Cachoeira, Cacequi, São Gabriel, São Jerônimo, D. Pedrito.
Categorias: Operários da Viação Férrea.
Motivos: Aumento Salarial, jornada de 8 horas, Semana Inglesa.
Observações: Dela participaram todos os municípios servidos pela Viação Férrea.

Ano/duração: 1917 - 01 a 05 de agosto.
Local: Porto Alegre
Categorias: Condutores de veículos e motores, empregados da Cia. Força e Luz, tipógrafos, 
estivadores, chapeleiros, operários do estaleiro Mabilde, empregados da Cia Telefônica, 
empregados moinho Rio-grandense, empregados das casas de Domingos Felippeto e Caetano 
Fulginatti, operários da fabricação de tamancos, empregados da destilaria Scalzilli, 
empregados da fabrica Castor, empresa de carruagens, União de ferros, Casa Singer, Victor 
Fischel, alfaiates, Gerdau, Cia Fabril Porto Alegrense, carpinteiros e marceneiros, Usina 
elétrica municipal e Cia Fiat Lux.
Motivos: Custo de vida e aumento Salarial
Observações: Vitória Parcial

Ano/duração: 1917 - agosto?
Local: Montenegro
Categorias: Operários da Fábrica de banha de J. A. Renner.
Motivos: Aumento de salário: jornada de 8 horas, solidariedade com companheiros de Porto 
Alegre.
Observações: Conseguem aumento salarial.

Ano/mês/duração: 1917 - 8 a 20 de agosto.
Local: Pelotas
Categorias: Motorneiros e condutores de bondes elétricos.
Motivos: Aumento Salarial, diminuição da jornada.
Observações: Greve Geral coordenada pela Comissão de Defesa Popular.

Ano/duração: 1917 - 8 agosto.
Local: Caxias
Categorias: Empregados de Amadeu Rossi.
Motivos: Aumento salarial, diminuição da jornada.
Observações:

Ano/duração: 1917 - agosto.
Local: Jaguarão
Categorias: Estivadores
Motivos: Aumento Salarial
Observações: Vitória

Os ferroviários haviam se adiantado ao movimento e no dia 31 de julho pela tarde começa a 
greve nas estações de Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas, Rio Grande, Bagé, Gravataí, 
Passo Fundo, Couto, Cacequi e Rio Pardo.O inspetor geral da VFRGS Mr. Cartwrigth, começa a 
despedir funcionários e solicita a intervenção das tropas da 7ª Região militar. No dia 2 
de agosto é feita a ocupação da estação de Santa Maria. Em represália os operários 
arrancam trilhos, derrubam pontes e bloqueiam a via com os dormentes e postes telegráficos 
em vários pontos do estado. Em Passo Fundo ocorrem violentos choques entre ferroviários e 
as forças militares. No dia 5 termina a greve dos ferroviários devido a forte intervenção 
militar. O movimento retorna em 1918.

Em alguns núcleos urbanos do interior ocorreram conflitos bem mais sérios dos que 
ocorreram na Capital. Em Pelotas, segundo maior núcleo urbano do Rio Grande do Sul (60 mil 
habitantes na época) o poder público resolveu o enfrentamento aberto ao movimento 
operário. A greve começa em 04 de agosto com várias categorias entrando em greve, e em 
atitude semelhante à de Porto Alegre e São Paulo criaram o Comitê de Defesa Popular. No 
dia 10 de agosto o movimento se radicaliza:

Uma passeata realizada no centro da cidade culmina com um comício na Praça 7 de julho. 
Durante o comício ocorre a violenta intervenção da policia, provocando tiroteios entre 
policiais e grevistas. A seguir intervém o 11º regimento de cavalaria: o conflito degenera 
em verdadeira batalha campal, que terá como resultado vários feridos.

Os operários se concentram na sede da Liga operária e novamente a polícia se envolve. Os 
operários resistem à ação da polícia que busca prendê-los e fechar a sede operária. O 
chefe de polícia tem seu cavalo abatido a tiros pelos operários e um funcionário da 
intendência municipal é mortalmente ferido. Depois de muita resistência os operários são 
finalmente desalojados da sede da liga operária. Ocorre uma radicalização cada vez maior 
das lutas e os operários de orientação anarquista, em boletins proclama: "companheiros! 
Não vos qualifiqueis: companheiros se já tendes título rasgai-o a fim de não dar a esses 
régulos o vosso voto. (...)"

O chefe de polícia da capital é deslocado para Pelotas em 12 de agosto para mediar a 
situação. No dia 15 de agosto a greve termina com a baixa dos preços dos gêneros de 
primeira necessidade.Também houve greves importantes em Rio Grande, Passo Fundo, Santa 
Cruz, Montenegro e Bagé.

A origem dos vários direitos que os trabalhadores possuem hoje, foram conquistados na 
luta, no enfrentamento contra os patrões e o governo. Quanto à greve de 1917: destacamos a 
conquista por algumas categorias das 8 horas de trabalho diárias e para Porto Alegre ficou 
o começo das "Feiras Livres" que existem até hoje.

Depois das mobilizações de 1917 o governo de Borges de Medeiros desencadeou uma série de 
ações de repressão, perseguição, prisões, deportações e morte de militantes operários 
anarquistas em porto Alegre e no Rio Grande do Sul. Conseguiu assim diminuir a influencia 
destes militantes e dessa ideologia de luta no seio do movimento operário, além de outros 
fatores conjunturais das décadas seguintes. Em relação às mobilizações de Julho/agosto de 
1917, percebemos:
- Que a classe operária representava um número relativamente pequeno em relação ao 
restante da população, principalmente em relação ao interior do estado (além de 
visualizarmos as limitações operárias em um Estado eminentemente agro-pecuário, percebemos 
a força do proletariado em vergar o governo e os patrões );
-Que esta classe operária não era composta em sua maioria de operários industriais, mas 
sim de pequenos artesões e mestre de ofícios - de oficinas, inclusive no interior do Rio 
Grande do Sul (a formação da classe operária, como já demonstrou E. P. Thompson, não é um 
derivado automático das estruturas econômicas, nem fruto da grande indústria moderna);
- Que a pauta de reivindicações contemplava questões que abarcavam as demandas daqueles 
setores que não apareciam na economia formal, ou seja, as demandas da população excluída 
do mercado de trabalho: moradia, transporte, preço dos gêneros alimentícios, etc. (traz 
naquela época, a preocupação da articulação das lutas dos oprimidos, como vivenciamos 
atualmente, porém não tiveram possibilidades de articular a luta camponesa e os 
trabalhadores rurais /Contestado/ - De acordo com o pesquisador Jorge Telles de Rosário do 
Sul, algumas tentativas foram feitas com Honório Lemes em 1923 mas não surgiram efeito);
- Que a mobilização grevista foi fruto de um processo acumulativo da cultura política 
operária, seus métodos de luta eram alicerçados na orientação anarquista;
- Papel fundamental dos organismos de gestão populares criados tanto em São Paulo, quanto 
em Porto Alegre e Pelotas (cabe aprofundar estudos sobre estas iniciativas e tecer 
paralelos com propostas de Poder Popular);
- Deixa claro a necessidade de um instrumento político anarquista que implementasse a 
partir de uma estratégia revolucionaria, táticas de luta na condução, na articulação e 
unificação das lutas - assim como preparar-se para a conjuntura de perseguições aos 
militantes operários que viriam a seguir.

Notas Bibliográficas:
* Este trabalho é uma introdução ao tema - GREVE GERAL DE 1917 - a partir de uma revisão 
bibliográfica.

Graduado em História, URCAMP/Alegrete - 2000. Especialista em Gestão Educacional - 
URCAMP/Alegrete -2002. Mestrando PPG - História PUCRS/POA - 2007.

2 BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d;p.21. 
Tem quadro com números. Ver outras fontes.
3 REICHEL, Heloisa J. A Industriali2zação no Rio Grande do Sul na República Velha. In: RS; 
Economia e política; por Guilhermino César e outros. Org. Hildebrando Dacanal e Sergius 
Gonzaga. S ed. Porto Alegre. Mercado Aberto, 1993.p.267.
4REICHEL, Heloisa J. A Industriali2zação no Rio Grande do Sul na República Velha. In: RS; 
Economia e política; por Guilhermino César e outros. Org. Hildebrando Dacanal e Sergius 
Gonzaga. S ed. Porto Alegre. Mercado Aberto, 1993.p.17.
5 BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d;p.25.
6 PETERSEN, Silvia Regina Ferraz. "Que a União Operária Seja Nossa Pátria!": hitória das 
lutas dos operários gaúchos para construir suas organizações. Santa Maria: editoraufsm; 
Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2001. p329.
7 SILVA Jr. Adhemar Lourenço. A bipolaridade política rio-grandense e o movimento operário 
(188? - 1925). Estudos Ibero-Americanos. PUCRS, v.XXII, n.2, dez.1996, p.19. Faz-se 
necessário incluir, mesmo que em "nota", os importantes estudos do Professor Adhemar 
Lourenço Silva Jr. Professor Adhemar possui várias pesquisas sobre a classe operária 
gaúcha, com destaque para os acontecimentos de1917. É indispensável o estudo de seu 
trabalho inclusive para percebemos as contradições que ocorriam no próprio movimento e no 
fazer-se da classe operária e "movimento anarquista".
8 BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d;p.31.
9BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d;p.32.
10 MARÇAL, João Batista. Os anarquistas no Rio Grande do Sul: anotações biográficas, 
textos e fotos de velhos militantes da classe operária gaúcha. Porto Alegre, EU/ Porto 
Alegre, 1995.p.76.
11 PESAVENTO, Sandra Jatahy. O espetáculo da Rua. 2 ed. Porto Alegre: Ed. 
Universidade/UFRGS, 1996. p.82.
12 Ibidem, p.41.
13MARÇAL, João Batista. Os anarquistas no Rio Grande do Sul: anotações biográficas, textos 
e fotos de velhos militantes da classe operária gaúcha. Porto Alegre, EU/ Porto Alegre, 
1995.p.46.
14 PETERSEN, Sílvia R. Ferraz. As Greves no Rio Grande do Sul. In: RS; Economia e 
política; por Guilhermino César e outros. Org. Hildebrando Dacanal e Sergius Gonzaga. S 
ed. Porto Alegre. Mercado Aberto, 1993.p.290.
15 BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d;p.47.
16 BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d;p.48.

Bibliografia consultada:
BODEA, Miguel. A Greve de 1917: As origens do trabalhismo gaúcho.L&PM, POA, s/d.
MARÇAL, João Batista. Os anarquistas no Rio Grande do Sul: anotações biográficas, textos e 
fotos de velhos militantes da classe operária gaúcha. Porto Alegre, EU/ Porto Alegre, 1995.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. O espetáculo da Rua. 2 ed. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 
1996
PETERSEN, Sílvia R. Ferraz. As Greves no Rio Grande do Sul. In: RS; Economia e política; 
por Guilhermino César e outros. Org. Hildebrando Dacanal e Sergius Gonzaga. S ed. Porto 
Alegre. Mercado Aberto, 1993.
PETERSEN, Silvia Regina Ferraz. "Que a União Operária Seja Nossa Pátria!": hitória das 
lutas dos operários gaúchos para construir suas organizações. Santa Maria: editoraufsm; 
Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 2001.
REICHEL, Heloisa J. A Industriali2zação no Rio Grande do Sul na República Velha. In: RS; 
Economia e política; por Guilhermino César e outros. Org. Hildebrando Dacanal e Sergius 
Gonzaga. S ed. Porto Alegre. Mercado Aberto, 1993.
SILVA Jr. Adhemar Lourenço. A bipolaridade política rio-grandense e o movimento operário 
(188? - 1925). Estudos Ibero-Americanos. PUCRS, v.XXII, n.2, dez.1996.

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2017/04/27/ha-100-anos-da-greve-geral-de-1917/


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