(pt) federacaoan arquista gaucha: A Greve Geral - Errico Malatesta -- Umanità Nova, n.º 132, 7 de junho de 1922

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Terça-Feira, 28 de Março de 2017 - 09:41:50 CEST


A "greve geral" é, sem nenhuma dúvida, uma arma poderosa nas mãos do proletariado; ela é 
ou pode ser um modo e a ocasião de desencadear uma revolução social radical. ---- 
Entretanto, eu me pergunto se a idéia da greve geral não fez mais mal do que bem à causa 
da revolução! ---- Na realidade, creio que no passado o mal levou a melhor sobre o bem, e 
hoje poderia ser o contrário, ou seja, a greve geral poderia ser um meio eficaz de 
transformação social, mas sob a condição de compreendê-la e de utilizá-la de uma forma 
diferente daquela praticada pelos seus antigos partidários. ---- Nos primeiros momentos do 
movimento socialista, e em particular na Itália, durante a 1.ª Internacional, quando a 
lembrança das lutas dos mazzinianos ainda estava bem recente e uma grande parte dos homens 
que haviam combatido pela "Itália" nas fileiras do exército de Garibaldi ainda vivia, 
desiludida e indignada pelo massacre que os monarquistas e os capitalistas perpetravam 
contra a "pátria", estava perfeitamente claro que o regime defendido pelas baionetas só 
podia ser derrubado se se convencesse uma parte dos soldados a defender o povo e a 
derrotar, pela luta armada, as forças da polícia e os soldados que tivessem permanecido 
fiéis à disciplina.

É por esta razão que se conspirava, quer dizer, que se fazia uma propaganda ativa entre os 
soldados, procurava armar-se, preparavam-se planos de ação militar.

A bem da verdade, os resultados eram pequenos porque éramos pouco numerosos, porque os 
objetivos sociais pelos quais se queria fazer a revolução eram desconhecidos e rejeitados 
pelo conjunto da população; porque, em suma, "os tempos não estavam maduros".

Mas a vontade de preparar a insurreição existia e ela encontrava pouco a pouco o meio de 
realizá-la; a propaganda começava a tocar mais pessoas e a dar seus frutos; "os tempos 
amadureciam", o que em parte era devido à ação direta dos revolucionários e ainda mais à 
evolução econômica que, aguçando o conflito entre os trabalhadores e os patrões, 
desenvolvia a consciência deste conflito, do qual os revolucionários tiravam partido.

As esperanças colocadas na revolução social aumentavam, e parecia certo que através das 
lutas, das perseguições, das tentativas mais ou menos "inconsideradas" e infelizes, as 
paradas e as retomadas de atividade febril, chegar-se-ia, em um tempo bastante breve, a 
desencadear a explosão final e vitoriosa que deveria abater o regime político e econômico 
em vigor e abrir a via a uma evolução mais livre rumo a novas formas de vida em comum, 
fundada sobre a liberdade de todos, sobre a justiça para todos, sobre a fraternidade e a 
solidariedade para todos.
* * *
Mas o marxismo veio frear através de seus dogmas e de seu fatalismo o ímpeto voluntarista 
da juventude socialista (na época os anarquistas também se chamavam socialistas).

E infelizmente, com suas aparências científicas (estava-se em plena embriaguez 
cientificista), o marxismo ludibriou, atraiu e desviou a maioria dos anarquistas.

Os marxistas puseram-se a dizer que "a revolução não se faz, ela surge"; diziam que o 
socialismo viria necessariamente seguindo "o curso natural e fatal das coisas" e que o 
fator político (a força, a violência posta ao serviço dos interesses econômicos) não tinha 
nenhuma importância, e o fator econômico determinava a vida social por completo. E, assim, 
a preparação da insurreição foi deixada de lado e praticamente abandonada.

Eu gostaria de observar que se os marxistas desprezavam toda luta política quando se 
tratava de uma luta que tendia à insurreição, eles decidiram repentinamente que a política 
era o principal meio, e quase o único, para fazer triunfar o socialismo, tão logo eles 
entreviram a possibilidade de entrar para o Parlamento e dar à luta política o sentido 
restritivo de luta eleitoral. E se aplicaram, assim, a apagar nas massas todo entusiasmo 
pela ação insurrecional.

Foi então que, diante deste estado de coisas e deste estado de espírito geral que a idéia 
da greve geral foi lançada e acolhida com entusiasmo por aqueles que não tinham confiança 
na ação parlamentar e que viam na greve geral uma via nova e promissora que se abria à 
ação popular.

Todavia, por infelicidade, a maioria não via na greve geral um meio para levar as massas à 
insurreição, isto é, a abater o poder político pela violência e a tomar posse da terra, 
dos meios de produção de toda a riqueza social. Para eles, a greve geral substituía a 
insurreição; viam nela um meio para "tornar faminta a burguesia" e faze-la capitular sem 
combater.

E como é fatal que o cômico e o grotesco estejam sempre juntos, até mesmo nas coisas mais 
sérias, houve quem empreendesse a busca de ervas e de "pílulas" capazes de sustentar 
indefinidamente o corpo humano sem que seja necessário alimentar-se; e isso, a fim de 
assinalá-las aos trabalhadores e coloca-los em condições de esperar, em um jejum pacífico, 
que os burgueses viessem apresentar suas desculpas e pedir perdão.

Eis porque eu estimo que a idéia da greve geral fez mal à revolução.

Mas espero e acredito que esta ilusão - fazer capitular a burguesia, tornando-a faminta - 
desapareceu completamente; e se ela permaneceu, os fascistas se encarregaram de dissipá-la.

A greve geral de protesto, para apoiar reivindicações de ordem econômica e política 
compatíveis com o regime, pode ser útil se é feita em momento propício, quando o governo e 
os patrões acham oportuno ceder de uma só vez, por medo do pior. Mas não se deve esquecer 
que é preciso comer todos os dias e que, se a resistência se prolonga, ainda que por 
poucos dias, é preciso curvar-se ignominiosamente sob o jugo dos patrões, ou então se 
insurgir... Mesmo que o governo ou as forças especiais da burguesia não tomem a iniciativa 
da violência.

Conclui-se daí que se faz uma greve geral, seja para resolver definitivamente o problema, 
ou com objetivos transitórios, deve-se estar decidido e preparado a resolver a questão 
pela força.

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2017/03/21/a-greve-geral-errico-malatesta/


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