(pt) [Canadá] Montreal: Relatório da manifestação antifascista do 4 de março By A.N.A. Por Montreal Counter-Info

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Sábado, 25 de Março de 2017 - 09:22:11 CET


De improviso e pela primeira vez em muitos anos, os grupos de extrema-direita foram 
capazes de marchar por Montreal. Não pensávamos que os grupos fascistas pudessem se 
mobilizar como eles o fizeram, após as derrotas esmagadoras das manifestações do 
Pegida[movimento de extrema-direita, racista, xenófobo e islamofóbico]em 2015 onde quatro 
ou cinco sujeitos perdidos foram contestados por 500 manifestantes. ---- O dia começou por 
volta das onze da manhã com uma concentração de grupos de extrema-direita na praça 
Émilie-Gamelin. A defesa da liberdade de expressão era seu pretexto para vomitar seu ódio 
para os muçulmanos. A reunião consistiu em aproximadamente 150 pessoas, com numerosas 
bandeiras do "La Meute"[grupo nacionalista]assim como algumas bandeiras do Quebec. Um 
grupo pequeno de maoistas tratou de bloquear desde o princípio, mas os policiais 
intervieram apressadamente para apartá-los e limpar a rua para os fascistas.

A manifestação fascista chegou à prefeitura um pouco depois das onze da manhã e a 
contra-manifestação de aproximadamente 400 pessoas esperava por eles. Os socos começaram a 
voar de ambos os lados, enquanto a polícia ainda não tinha separado as duas manifestações. 
Os membros do grupo de extrema-direita que vagavam um pouco longe recebiam certamente uma 
surra e eram lançados ao chão. Os polícias separaram então as duas manifestações e a esse 
ponto as coisas estabilizaram-se . A extrema-esquerda num lado e a extrema-direita no 
outro lado. Os insultos esvoaçavam de ambos os lados, mas sem confrontação.

No entanto, aproximadamente trinta antifascistas decidiram espontaneamente rodear a 
formação policial. Apesar dos esforços por juntar a mais pessoas para acrescentar ao grupo 
que se separava da manifestação, a maioria da manifestação antirracista permaneceu no 
mesmo lugar. É difícil dizer se o problema era a apatia de uma ampla multidão esperando 
quarenta e cinco minutos no frio, a falta de vontade dos organizadores para comunicar a 
iniciativa ou a carência dum slogan para estimular um movimento mais amplo. De qualquer 
forma, só uma pequena parte da multidão se uniu ao esforç o por bloquear aos fascistas da 
marcha. Este pequeno grupo móvel encontrou-se depressa cara a cara com os membros do "La 
Meute" que realizavam tarefas de segurança para a manifestação de extrema -direita. Os 
murros voaram, depois garrafas de vidro, blocos grandes de gelo e uma lata de lixo choveu 
brevemente sobre os fascistas. O punhado de antifascistas tomou nesse momento a rua para 
tratar de bloquear a marcha fascista. Mas os polícias em motocicleta chegaram rapidamente 
para dispersar os antifascistas que se tinham topado no lado equivocado da linha de 
polícia. A extrema-direita teve então o terreno livre para continuar avançando enquanto a 
manifestação antirracista seguia por detrás e era empurrada por ações policiais. A 
manifestação de extrema-direita dispersou-se na praça Émilie-Gamelin.

O dia foi uma derrota contra a extrema-direita que teve sucesso em sua marcha por 
Montreal. A maioria da gente chegou com a sensação que as coisas seriam bastante 
tranquilas, com no máximo vinte ou algo assim de racistas e nacionalistas na manifestação 
de extrema-direita. Não estávamos preparados. Os fascistas converteram-se numa ameaça real 
inclusive em Montreal, ainda que pensássemos a cidade imune a manifestações de 
extrema-direita. A próxima vez teremos que tomar a importância do antifascismo muito mais 
seriamente e assegurar-nos que os racistas não se possam revelar nas ruas, que ficarão 
escondidos por trás de suas patéticas páginas do Facebook. Refletindo sobre o sábado, uma 
das poucas fontes de consolo é que pareceu que a maior parte da multidão apoi ou os 
confrontos físicos sobre os racistas e a noção de os deter desde a tomada das ruas. Uma 
cultura de luta está bastante inculcada em Montreal e a violência para a extrema-direita é 
aceita, tendo que seguir atuando sobre isso quando nos encontremos nas ruas.

Algumas reflexões táticas para futuras manifestações antifascistas

* Quando temos uma multidão de 400 pessoas, mais bem que tratar de romper as linhas da 
polícia antidistúrbio, de 50 a 100 pessoas dever-se-iam ter colocado em ruas vizinhas para 
impedir a qualquer um unir-se à manifestação da extrema-direita.

* Precisamos de diferentes tipos de projéteis para lançar aos fascistas, ou ovos, bombas 
de tinta, pedras ou fogos de artifício. Muitas coisas podem ser úteis quando tratamos de 
os obrigar a pular fora.

Os anarquistas em Montreal já não podem tomar por mais tempo a questão do antifascismo às 
presas, porque a ameaça é real. Vamos todos e todas a cooperar ativamente nesta luta que 
se estende através da Europa e a chamada América do Norte. O antifascismo já não pode ser 
só vinculado a uma subcultura, mas que tem de ser uma parte imprescindível de uma luta 
eficaz para arrancar o racismo pela raiz.

Fonte: https://itsgoingdown.org/montreal-report-back-antifa-demo-march-4th/

Tradução > Biel Rothaar


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