(pt) [Espanha] 8 de Março. Cada luta é uma vitória By A.N.A.

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Quinta-Feira, 16 de Março de 2017 - 13:47:19 CET


Diferença salarial, teto de vidro e segregação horizontal, maior dificuldade de acesso à 
formação e ao emprego, maior precariedade laboral e desemprego, exploração doméstica, 
impossibilidade de conciliação, violência normalizada, assédio diário, pobreza, 
discriminação, infantilização, negação, maltrato, controle da nossa sexualidade e de 
nossos direitos reprodutivos... ---- São tão numerosas, são tão variadas, são tão 
abrumantes as lutas que as mulheres têm que lutar diariamente pelo simples fato de ser 
mulheres. Só a existência nesta sociedade heteropatriarcal, que nos explora e nos reprime, 
já é uma vitória. Mas para nós isto não é suficiente. Não chega estarmos vivas, queremos 
uma sociedade de iguais. ---- Mulheres da classe obreira enfrentamos todos os dias uma 
dubla luta de emancipação: contra o capital, por ser obreiras; e contra o patriarcado, por 
ser mulheres. Comparadas com os homens, recebemos menos, trabalhamos em condições mais 
precárias, cotizamos menos e trabalhamos mais horas, e ainda nos é exigido mais para 
sermos contratadas... Mas ao chegar a casa devemos cuidar dos nossos maridos, filhos, pais 
e irmãos.

Esta situação se tem mantido historicamente mediante um sistema de controle que, quanto 
mais nos explorava, mais submissão criava. Mas a submissão e o medo, a cabeça baixa, já 
não são atitudes das mulheres. Hoje, desde hoje e desde sempre, queremos estar em todas as 
lutas e por isso lutamos em todas as frentes.

As mulheres somos o motor para a mudança social. Cada mulher que se revela contra a 
opressão que sofre no seu lar é um passo ganho para um mundo mais humano. Cada mulher que 
decide viver abertamente a sua sexualidade é um passo para um mundo mais livre. Cada 
mulher que se levanta para o patrão no seu posto de trabalho é um passo ganho para um 
mundo justo.

Às mulheres apagam-nos do passado e do presente, mas hoje afirmamo-nos, hoje 
reivindicamos-nos como sujeito de luta, desde já assumimos que o medo se transformou em 
fúria e que a nossa luta é única, central, necessária e revolucionária. E queremos fazê-lo 
em unidade, em coletivo. A invisibilidade das nossas lutas, a normalização social da 
exploração, a escassa disponibilidade do nosso tempo, dificulta-nos participar em 
organizações sindicais, nas quais em muitas ocasiões nem sequer nos levam em conta, 
desprezam-nos ou rebaixam as nossa lutas.

No entanto, historicamente nós mulheres temos estado presentes em todas as lutas sociais e 
de classe que tiveram lugar. Em muitas ocasiões na primeira fila, pagando com a nossa 
vida, a nossa rebeldia, nosso exercício de dignidade, nossos anseios de liberdade.

É necessário reunir a nossa herança de luta, para ganhar o nosso presente. Saber quem 
somos. Saber o que queremos ser. Fazer da nossa luta um momento importante, fundamental, 
da história coletiva e da luta de classes. Afirmar que a Organização anarcossindicalista 
de que somos parte fundamental, está disposta a mudar a dubla exploração que padecemos. 
Construir nosso espaço em igualdade, entre companheiras e companheiros dispostos a 
enfrentar o patriarcado, ator fundamental da nossa exploração, como obreiras. 
Levantarmo-nos como um grito invulnerável, como um único punho. Luta a luta, vitória a 
vitória.

Viva o oito de Março

Viva a luta da mulher trabalhadora

Fonte: http://cnt.es/noticias/8-de-marzo-cada-lucha-es-una-victoria

Tradução > Joana Caetano


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