(pt) COMUNICADO CEL-LISBOA: SOBRE O CANCELAMENTO DO EVENTO DA ‘NOVA PORTUGALIDADE' NA FCSH-UNL

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Segunda-Feira, 13 de Março de 2017 - 12:36:11 CET


Dia 7 de março iria ter lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade 
Nova de Lisboa um evento do proto-núcleo ‘Nova Portugalidade', grupo que exalta o 
colonialismo e refere-se ao 25 de Abril como "trágico equívoco", com o convidado Jaime 
Nogueira Pinto, "académico e politólogo" que não esconde a sua paixão por Salazar. Este 
combo para um debate sobre "Populismo ou democracia: Brexit, Trump, e Le Pen", um debate 
de só uma visão, e a que mais convém a estas personagens. ---- Infelizmente vivemos em 
tempos em que a irresponsabilidade e a traição da esquerda eleitoral à classe trabalhadora 
que supostamente representavam, criaram um mar de curiosidade sobre os discursos da 
direita populista que atraem aqueles que se vêem mais desprezados e sem prioridade nas 
agendas políticas. O português comum estranha assim o desconhecido. Um desconhecido que 
ganhou mais importância na esfera pública que os seus também legítimos dilemas. Mas o 
português já foi grande, não foi? Quando se enviava jovens para a Guerra Colonial, quando 
a pobreza e o analfabetismo eram gritantes, quando o direito à greve era proibido e 
portanto tinham de contar com a boa vontade do patrão... malditos comunas. Ou talvez não 
tenha sido aí, lá mais atrás, quando havia reis e escravizávamos povos para enriquecer os 
cofres do Império, só se esquecem que o português comum dessa época também se via bem 
condenado. Assim se vê o tipo de narrativa lançado pelos organizadores deste evento, e 
pelos mesmos da sua linha política, que pretendem dar uma impressão falsa do passado como 
um tempo inteiramente positivo e melhor do que os dias de hoje.

Ao mesmo tempo que pregam falsidades históricas, inventam também falsidades políticas. 
Logo que a sala do evento lhes foi retirada, exclamaram ser um acto de horrível censura 
feito pelos malvados esquerdistas da AEFCSH, que odeiam a liberdade de expressão e desejam 
subjugar todos à sua ideologia... Pura mentira do mais alto nível. No entanto, não há-de 
ser surpreendente para aqueles que já conhecem estes grupos que eles tenham de recorrer a 
métodos desonestos para espalhar as suas ideias. Não ocorreu qualquer acto de censura. 
Apenas lhes foi negada uma sala, e nem sequer foi pela Direcção da AEFCSH, mas sim por uma 
RGA, que, já agora, para os esquecidos, é uma reunião aberta onde qualquer estudante pode 
participar. Ou talvez não estejam esquecidos, tendo em conta que o hábito da participação 
em reuniões de massas não faz parte da tradição destes patriotas; por muito que não gostem 
da Hillary Clinton, preferem os jantares de elite.

Enfim, os organizadores do evento podem realizá-lo onde melhor desejarem. Apenas não lhes 
foi concedida uma sala PELAS E PELOS PRÓPRIOS ESTUDANTES DA FACULDADE. Tamanha a 
hipocrisia destes indivíduos que apelam aos "democratas" para os apoiarem, e ao mesmo 
tempo são incapazes de respeitar o processo democrático! Desejam agora ir contra a vontade 
democrática, que se expressou contra eles, e tentar fazer o seu evento contra os desejos 
do resto das e dos estudantes da faculdade. Assim se vê o respeito que têm pelos seus 
colegas, e pela democracia em geral.

Ainda para mais, apelam à denúncia do "ambiente de medo e repressão". Eis o seu pensamento 
acerca da liberdade de expressão que afirmam defender: quando vai a seu favor, é uma coisa 
fantástica, mas quando vai contra eles, é um "ambiente de medo e repressão". Será claro 
para todos que estes indivíduos não possuem quaisquer princípios. Qualquer fala de 
"liberdade de expressão" vinda deles não passa de mera ferramenta propagandística. Tomara 
que eles fossem de facto defensores daquilo que afirmam. Caso assim fosse, não teriam 
problemas em aceitar que houvesse pessoas contra eles.

Para melhor se vitimizarem, espalham uma suposta ameaça de violência, da qual não há 
qualquer prova ou confirmação da sua iminência, e que ao contrário do que algumas almas 
reaccionárias andam para aí a murmurar, nunca se sugeriu em RGA, da qual existe ata e 
gravação.

No final do seu texto, a ‘Nova Portugalidade' admite por fim a quem as suas acusações são 
dirigidas. Não é à Direcção da AEFCSH, mas sim a "parte da massa estudantil da FCSH", ou 
seja "a parte que discorda connosco e expressa livremente as suas opiniões contra nós", 
confirmando o seu desdém pela vontade democrática das e dos seus colegas, assim como todas 
as acusações que lhes foram aqui feitas.

Pensamos que houve uma clara falha estratégica no bloqueio deste evento que já tinha 
reserva de sala, e era previsível que a tentativa de a cancelar fosse apenas atiçar estes 
renegados que precisam tanto de se fazer de vítimas e deitar umas lágrimas de crocodilo 
para atrair a comunicação social. Parece até que estava planeado. Resta-nos zelar para que 
tal não volte a suceder, e sensibilizar aquelas e aqueles que ainda caem nestes choradinhos.

O Núcleo Universitário do Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa

aqui: 
https://www.facebook.com/colestlib/photos/a.966188940072393.1073741828.951731221518165/1458537440837538/?type=3&theater

https://colectivolibertarioevora.wordpress.com/2017/03/07/comunicado-cel-lisboa-sobre-o-cancelamento-do-evento-da-nova-portugalidade-na-fcsh-unl/


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