(pt) [Espanha] O anarquismo do século XXI By A.N.A.

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Domingo, 5 de Março de 2017 - 10:20:12 CET


Nunca como agora tinha se vivido um auge acadêmico tão potente centrado em postulados 
libertários. ---- No mundo anglo-saxão vive-se nestes momentos um autêntico auge acadêmico 
anarquista. O anarquismo está na moda e lá a coisa irá além. Tudo começou na década dos 
anos noventa e a coisa se acelerou, e muito, durante o século XXI. De todas as filosofias 
políticas é a que entrou com mais força neste século. O comunismo já faz décadas que jaz 
abatido, e o capitalismo, pra dizê-lo suavemente, ensina nestes momentos sua cara mais 
feia. Manda, domina, ganha, impõe, mas não convence. O que tenho para explicar: as pessoas 
estão totalmente "queimadas". Por isso, suponho, está acontecendo um fenômeno que não 
havia acontecido nunca. Pela primeira vez o anarquismo está entrando nas universidades, 
ocupadas até há pouco só por marxistas e liberais.

Nunca como agora, e sobretudo em inglês, se haviam escrito tantos livros sobre o tema por 
parte de professores universitários. Noam Chomsky já não é um lobo solitário. Vivemos 
desde uma década um auge acadêmico espetacular: reputados professores formados em Yale, 
como David Graeber, ou doutorados de Oxford, como o israelense Uri Gordon, são exemplos. 
Estudos anarquistas em Oxford e Yale? Me picam e não me tiram sangue.

A diferença entre os professores anarquistas e o resto é que os primeiros são ativistas. 
Professor na aula, ativista fora. Graeber na Occuppy Wall Street, Gordon no Indymedia. No 
estado entre os membros dos indignados também se encontram estes professores ativistas com 
claros postulados libertários, que depois de dar aulas vão às praças. Também parece que, 
de maneira muito débil ainda, recupera terreno aos sindicatos. Na Catalunha a libertária 
CGT deve ser o único sindicato que ganha adeptos, em parte graças a greves como a dos 
ônibus de B arcelona faz uns anos, quando CO e UGT deixaram de lado os trabalhadores. Nos 
Estados Unidos os sindicatos ácratas dos Wobblies tem controlado as famosas cafeterias de 
Starbucks. Por algo se começa...

O menciona melhor que eu o professor da Universidade de Leeds Nathan Jun: "Somente vinte 
anos atrás muitos acadêmicos haveriam considerado a erudição anarquista uma busca 
marginal, já que o mesmo anarquismo se havia deixado de lado politicamente por obscuro e 
irrelevante. No entanto, desde finais dos anos noventa, eruditos de um amplo leque de 
disciplinas começaram a tratar o anarquismo de forma mais cuidadosa e desde então a 
disciplina floresceu até converter-se em um campo de investigação independente e em plena 
evolução, e que inclui trabalhos recentes de Uri Gordon (Anarchy Alive, 2008); Simon 
Critchley (Infinitely Demanding, 2 007); Paul McLaughlin, (Anarchism and Authority 
(2007)", e o homem alonga a lista até um longo etcétera.

O texto reproduzido foi extraído da crítica que Jun faz de um livro de Angel Smith, 
professor na Universidade de Leeds que, editado em 2007, gira ao redor do anarquismo 
catalão: "Anarchism, Revolution and Reaction: Catalán Labor and the Crisis of the Spanish 
State, 1898-1923", editado no ano de 2007. David Graeber, que ontem citávamos, tem um 
pequeno e brilhante livreto intitulado "Fragmentos of an Anarchist anthropology", onde 
fala dos "affinity groups", os grupos de afinidade que foram criados em Barcelona durante 
os anos vinte e que eram a forma em que se organizavam os homens de ação. Quero dizer com 
isto que o recente interesse pelo anarquismo, um autêntico boom no mundo anglo-saxão, 
também inclui logicamente o interesse pelo anarquismo catalão, um dos mais potentes que 
nunca houve no mundo por uma simples razão: é dos únicos que teve poder e que fez 
tentativas sérias de gestionar uma sociedade inteira faz quase um século. No mundo 
anglo-saxão há interesse pelo tema e em livrarias anarquistas de Nova York, como a 
Bluestockings. Lá é normal encontrar livros a respeito, livros tão curiosos como a novela 
ensaio "Pistoleros! The Chronicles of Garquhar McHarg" onde se fala de homens que se 
chamam Archs, Seguí, Joan Rull...

O anarquismo volta a mostrar o nariz justo depois de uma crise capitalista. Já aconteceu 
depois do crack de 1929, quando as saídas à crise econômica que assolou, como agora, a 
milhões de pessoas, foram três: o fascismo, o New Deal e o anarquismo catalão. Passou um 
século, e nesta crise voltam a aparecer os três movimentos. Faz um século ganhou o New 
Deal. Agora o estão tentando reinventar. Mas tão lentos, tanto, que o resto vai subindo, e 
subindo, e subindo.

Andreu Barnils

Fonte: http://rojoynegro.info/articulo/ideas/el-anarquismo-del-siglo-xxi

Tradução > Sol de Abril


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