(pt) federacao anarquista gaucha: Greve Geral contra o ajuste. Democracia direta com um povo forte nas ruas OPINIÃO ANARQUISTA DA FAG

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Domingo, 11 de Junho de 2017 - 12:48:38 CEST


Nesse momento em que a crise do governo e do sistema de representação atinge toda 
gravidade, combater Temer é impor pela mobilização popular nas ruas a derrota do ajuste e 
da repressão. O ajuste estrutural é uma campanha de guerra aos pobres que se amplia pelas 
práticas de governo como poder punitivo sobre a vida dos setores populares e médios. As 
políticas de choque e desmonte dos direitos sociais são as coordenadas de consenso das 
classes dominantes, a linha que divide uma pequena elite de financistas, industriais, o 
agronegócio, a grande mídia, tecnocratas e oligarquias políticas da larga maioria do povo. 
---- A vitória popular do Fora Temer tem que ganhar expressão pela luta de classes como 
batalha programática contra o Estado policial de ajuste. Batalha que se vence nas ruas e 
na construção de poder popular com democracia de base nos locais de trabalho, comunidade, 
estudo, nas redes de comunicação e cultura popular, na afirmação do povo negro e dos 
indígenas, na autoorganização das mulheres. Luta incansável contra esse ajuste odioso que 
manda cortar direitos sociais, prender, matar ou deixar que morram os pretos e pobres que 
não se enquadram na ordem. Ajuste que faz caixa com a opressão e a vida miserável do povo 
pra pagar os parasitas da dívida pública. Projetos de demolição da aposentadoria e das 
conquistas parciais que foram obras da luta histórica do movimento dos trabalhadores 
contra a tirania dos patrões. Contra-reformas que nos sujeitam a morrer trabalhando e, 
enquanto isso não chega, a trabalhar morrendo debaixo do regime precário, flexível e 
ultrajante da empresa.

URGÊNCIA DE UMA NOVA GREVE GERAL

Desde as lutas sociais do dia 15 de março contra a reforma da previdência, a resistência 
vem crescendo e ganhando alguma extensão também no setor privado, na indústria e nos 
transportes. Ainda que o rechaço ao governo Temer, as contra-reformas eaos ajustes venha 
ganhando imaginário social e buscando vazão, em princípio está contida no gerenciamento 
burocrático das centrais sindicais e com o passo medido para não atrapalhar a operação 
"Lula 2018". A greve geral do dia 28 de abril foi convocada às vésperas do feriado para 
não derramar a revolta popular para fora dos controles. Pelo desejo dos pelegos e das 
burocracias sindicais e partidárias, deve (não mais que) fazer pressão para o arranjo dos 
seus interesses: um acordão do sistema político, salvar o imposto sindical ou a garantia 
de Lula como candidato.

Mesmo com todos os cálculos politiqueiros sobre a luta social nesse momento, a greve geral 
é entre todas as opções, um vetor de independência de classe. Uma linha de resistência que 
tem o valor de liberar forças sociais pra fora dos controles burocráticos, porque deve 
apelar a fundo nas mobilizações de base para ter algum impacto. Também porque em geral 
produzem dinâmicas de luta que afirmam os métodos de ação direta em convergência com o 
movimento popular.

A CORRUPÇÃO É PARTE DO JOGO DO SISTEMA

Propina, fraude, privilégio, delinqüência, injustiça, violência. Características da rede 
criminal que produze e reproduz o sistema e que constituem seu modo de articular a 
centralização do poder político e a apropriação capitalista das riquezas. É certo que os 
mecanismos de governo tem variações de um lugar pra outro. Vamos lembrar que a escandalosa 
fraude da banca financeira de 2007-2008 afundou o mundo na miséria e na agonia social e 
fez os governos dos EUA e da Europa pagar o vandalismo capitalista com fundos públicos. Os 
altos executivos das corporações ganharam bônus milionários com o socorro dos governos, 
depois de quebrar o mundo dos 99%.

No Brasil, a corrupção foi a moeda de troca que levantou o vôo do capital das "campeãs 
nacionais" e todo o regime de exploração e legitimação que garante as vantagens ao 
competidor capitalista na guerra suja dos mercados. Comprou os votos golpistas do 
parlamento e montou uma junta de vigaristas pra dirigir o governo de choque. É, portanto, 
fiadora da impopularidade do ajuste que começou nos governos petistas e castiga e corta 
fundo na carne do povo.

Corrupção, ajuste e reformas são elementos fluídos e comunicantes dos jogos do poder. Todo 
o monte de leis, decretos e medidas anti-populares da máquina de representação do governo 
e do congresso nacional estão contaminados. O retrocesso nas regras do seguro-desemprego 
do governo Dilma e a lei Antiterrorismo encomendada para "segurança jurídica" do sistema 
financeiro, por exemplo. A emenda constitucional 55 mais conhecida como PEC da morte do 
governo Temer. O pacote genocida que o agronegócio impõe implacavelmente sobre a luta pela 
terra de povos indígenas e quilombolas e comunidades camponesas.

AMPLIAR A ORGANIZAÇÃO DE BASE E A PARTICIPAÇÃO POPULAR COM DEMOCRACIA DIRETA

Não lamentamos pelos políticos, empresários e a alta burocracia do Estado que são 
atingidos por denúncias e investigações da rede de pilhagem dos bens públicos. Não 
torcemos pelo sucesso midiático da força tarefa da Lava Jato e das operações da Polícia 
Federal. O judiciário como ator político de um poder de exceção, aliado com a agitação de 
partido ideológico que fazem os donos da imprensa são as pedras de toque de uma estratégia 
imperial para encurtar a corda da democracia burguesa ao sabor de uma narrativa de crise.

A luta por justiça social não vai vir dos aparelhos judiciais e policiais que guardam a 
jaula que espreme e trucida os de baixo. A criminalização da política que toma a cena do 
país é uma luta de poder das elites dirigentes com o dedo de sócios regionais do 
imperialismo. Sua lógica interna só pode arranjar uma saída que escape da participação 
popular e anule a mobilização das ruas. O decreto da Garantia da Lei e da Ordem aplicado 
sobre o protesto de massas em Brasília no 24 de maio dão uma idéia de como reagem as 
instituições.

Subordinar a ação do movimento sindical e popular aos interesses eleitorais é estacionar a 
luta social no palco dos inimigos de classe e dividir as forças de mudança no jogo dos 
partidos da democracia burguesa. A agitação reformista por "diretas Já" é uma tática que 
ao fim e ao cabo leva a tensão social para os acórdãos do mesmo palco de sempre: conservar 
as estruturas de poder que não estão sujeitas ao voto com o aval de uma nova representação 
que absorva as energias da bronca popular.

A política de ajuste e repressão só pode ser derrotada sem retrocesso pela ação direta 
popular, pela independência de classe que gera um povo forte e combativo. Ampliar e 
aprofundar as lutas e as organizações de base da resistência, unindo pela ação dos setores 
sindicais, estudantis e populares que peleiam soluções reais que não fazem terminal nas 
eleições. Nessa linha, se soma a reivindicação de mecanismos de democracia direta como 
tática de luta política que amplia a participação popular frente ao sistema corrupto e 
oligárquico da representação burguesa.

A hora é de reafirmar a independência de classe dos trabalhadores contra o ajuste 
econômico. A hora é de opor ao sistema corrupto de representação da política burguesa, a 
democracia direta e de base das assembléias populares, conselhos e plebiscitos na vida 
pública. A hora é de generalizar a luta pelas ruas, greves e ocupações fora dos controles 
burocráticos e dos cálculos eleitoreiros.

FORA TEMER

https://federacaoanarquistagaucha.wordpress.com/2017/06/06/greve-geral-contra-o-ajuste-democracia-direta-com-um-povo-forte-nas-ruas/


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