(pt) Organização Resistência Libertária - Opinião Anarquista Nº 8 - Luta Antiproibicionista: por uma sociedade verdadeiramente livre e autônoma

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Sexta-Feira, 2 de Junho de 2017 - 08:10:28 CEST


Saiu o mais boletim Opinião Anarquista, Nº 8, que divulgamos hoje na Marcha da Maconha em 
Fortaleza. Baixe o Boletim neste link ou então leia abaixo a nossa nota. ---- LUTA 
ANTIPROIBICIONISTA ---- POR UMA SOCIEDADE VERDADEIRAMENTE LIVRE E AUTONÔMA! ---- Estamos 
sofrendo diversos golpes na educação. Cortes e ajustes é regra e o sucateamento e 
esquecimento é uma consequência inevitável. O governo Dilma não garantiu direitos e nem 
recursos e muito menos o governo Temer irá garantir. Nenhum governo garantirá. Só a luta 
muda a vida. Cotidianamente estamos sendo golpeados/as, atacados/as pelo Estado. ---- Luta 
antiproibicionista por uma sociedade verdadeiramente livre e autonôma! ---- É um absurdo 
que a lógica conservadora e proibicionista de lidar com as drogas, e portanto, que essa 
guerra as drogas ainda esteja em vigor no Brasil. Métodos como a velha crença na punição e 
no encarceramento nunca deram certo e sabemos; vejam só o superlotamento dos presidios, 
nós temos a 4ª maior população carcerária do mundo e 67% desses presos e presas são Negros 
e Negras, segundo o próprio Ministério da Justiça. Em relação à escolarização, os dados 
indicam que oito em cada 10 presos estudaram, no máximo, até o ensino fundamental. Com 
isso percebemos que é o povo pobre, preto e marginalizados que lotam os presídios, e que 
historicamente teve serviço sociais negados.

Já está mais do que óbvio que estes métodos não foram criados para solucionar nada, eles 
fazem parte de um sistema caótico de criminalização da pobreza e com ela, um controle do 
povo Pobre e Preto para o desfrute dos burgueses ricos, em sua maioria brancos. Mais do 
que um jogo entre bem e o mal, justificando a repressão de cima pra baixo, os donos do 
mercado mais lucrativo do mundo, o tráfico de drogas, que pode chegar a 2 Trilhões de 
doláres por ano e não tem nenhum interesse pela sua saúde. Não há um tipo de poder 
paralelo do crime, quando está se falando entre os de cima, o estado é mais do que 
cúmplice nessa história, o que não pode nos espantar em um mundo capitalista onde ganhar é 
a única regra.

A criminalização da imigração, principalmente mexicana, é um fator importante para 
entender o proibicionismo vindo dos Estados Unidos no século passado. A marijuana é um 
elemento presente na cultura camponesa na América Central e Caribe. O medo americano tinha 
e tem lugar na fronteira com o México, área ocupada (Baixa Califórnia) pelos anarquistas 
em plena revolução mexicana, em 1911. Além da guerra aos revolucionários mexicanos, depois 
disso a marijuana e o álcool passaram a ser proibidos nos Estados Unidos. Era a ideia de 
que os vícios dos latinos não poderiam chegar nos EUA.

Vendem a "erva" junto a drogas pesadas e a acusam-na de ser porta de entrada, zombam da 
capacidade intelectual da cultura do nosso povo e dizem que ela queima os neurônios, 
mentiras que a ideologia dominante prega sobre a Cannabis, vindas da hipocrisia da casa 
branca, ou a "casa do pó branco", como Lorenzo Kom'boa Ervin no livro Anarquismo e 
Revolução Negra cita a administração política dos EUA que está por trás de todo o comércio 
de drogas.

Usuário não é criminoso! E ao contrário das forças policiais e dos programas 
policialescos, devemos diferenciar os grandes traficantes dos pequenos (os varejistas). No 
presídio feminino do Ceará, Auri Moura Costa, aproximadamente 60% dos casos são por conta 
de tráfico de drogas. As mulheres acabam ocupando postos secundários na estrutura do 
tráfico e passam também pela rotina de lotação. Em sua maioria, são analfabetas funcionais 
e "segundo dados da Pastoral Carcerária, cerca de 85% dos homens presos recebem visitas 
femininas, de suas companheiras, de suas namoradas, suas esposas, enquanto apenas 8% das 
mulheres continuam recebendo visitas". (Informativo Fábrica de Imagens, Edição nº 9, 2012)

A polícia matou mais na guerra às drogas, do que todas as substâncias psicoativas juntas. 
A causa de morte aqui é ser pobre e negro, podendo ser criminalizado/a por estar com algum 
"bagullho" no meio da noite nas periferias ou então ser "agraciado" com um kit flagrante 
pela PM - kit composto por alguns materiais que tem o objetivo de incriminar os/as 
periféricos/as, como foi o caso do Rafael Braga, jovem negro e pobre que, em janeiro de 
2016, foi preso com flagrante forjado.

Somos contra todas essas políticas conservadoras que tratam o usuário de drogas como pária 
a ser afastado do convívio social e induzem a representação dele como uma pessoa incapaz 
de fazer qualquer coisa - uma ideia de que a droga tomasse o lugar de seu cérebro e o 
tornasse um impensante, diante de você, o(a) sóbrio(a), capaz de tudo. Entretanto, a 
melhor arma que um usuário viciado pode ter é justamente a sua força de vontade, a sua 
autonomia, que faz ele conseguir se libertar dos hábitos impulsivos, coisa que é 
totalmente perdida quando, numa perspectiva disciplinadora, tentam internar de forma 
compulsória e autoritária os(as) dependentes. Ele(a) nunca restaurará seu equilíbrio, 
enquanto sua autonomia lhe for negada, pois um dependente não ficará "limpo" só porque os 
outros querem.

Uma legalização da maconha acompanhada de um controle estatal não traz uma autonomia para 
o indivíduo e a coletividade. Já temos tantas normas e controle sobre diversos produtos, 
mas tais legislações não garantem nenhuma qualidade. Pelo contrário, nos alimentamos 
diariamente com produtos transgênicos, modificados em laboratório e com adição de produtos 
químicos. Os processos industriais ou em laboratórios modificam a composição química do 
produto natural, extraído da natureza. Uma legalização via estado como querem os 
partidários faz com que a maconha vendida pelo governo e pelas corporações privadas seja 
repassada ao usuário com muitas taxas (por considerar não essencial) e um preço alto, que 
provoca um cenário maquiado para o esquema capitalista da maconha, pois continua-se a 
venda ilegal e de pouca qualidade para os (as) que não podem pagar, mantendo então todo o 
controle anterior, junto a uma grande arrecadação fiscal para os bolsos dos governantes e 
empresários.

Precisamos organizar cooperativas autônomas que preservem o ecossistema, respeitando a 
biodiversidade e socializando os conhecimentos sobre o cultivo e colheita. O controle das 
sementes naturais também é fundamental, pois podemos manter uma qualidade orgânica e um 
bom redutor de danos. Precisamos de uma nova relação com a terra e com a natureza. Sendo 
assim, somos contra a adição de produtos químicos em algumas drogas, como no cigarro 
(planta tabaco), na cocaína e na maconha (mesclado e prensado). Também não concordamos com 
a monocultura da cannabis sativa (da Maconha), pois pode gerar o desgaste do solo. 
Acreditamos que a policultura e a agroflorestação são meios sustentáveis para a 
conservação do ambiente. A prática do espiral de ervas pode ser feita, assim como um 
quintal produtivo com uma boa diversidade de espécies.

A luta antiproibicionista não é pauta secundária para nós anarquistas (e nem será 
centralizada), não tem como ser, pois toda essa guerra nos atinge diariamente enquanto 
povo oprimido.

O antiproibicionismo deve ser pauta reivindicatória do povo oprimido, junto à 
descriminalização e a auto-organização do cultivo. Não basta deixar de ser crime o porte e 
o cultivo da maconha, assim como não bastará arrancar o status legal da planta perante o 
estado, o auto-cultivo pessoal e cooperativo autônomo (sem a presença do estado) deve ser 
diferencial importante, contra apropriação do estado e do mercado. Reivindicações que 
significam conquistas de maneiras específicas, e que acima de tudo fazem parte de um 
projeto revolucionário que só se completará com o fim do sistema capitalista.

Avante na construção de uma frente de luta antiproibicionista anarquista!
A guerra às drogas é uma fraude!
Para nós a luta antiproibicionista não é pauta secundária!
Lutar pela descriminalização das drogas é lutar pela nossa vida!

Marcha da Maconha
Fortaleza, 28 de maio de 2017.

Organização Resistência Libertária[ORL]
Coordenação Anarquista Brasileira[CAB]

http://resistencialibertaria.org/2017/05/29/opiniao-anarquista-no-8-luta-antiproibicionista-por-uma-sociedade-verdadeiramente-livre-e-autonoma/


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