(pt) Canadá, 6ª Feira Internacional do Livro Anarquista de Montreal By A.N.A. (en)

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Quarta-Feira, 26 de Julho de 2017 - 07:13:15 CEST


No último final de semana do mês de maio aconteceu uma das mais importantes mostras de 
livros anarquistas do mundo: a "6ª Feira Internacional do Livro Anarquista de Montreal", 
dentro do Festival da Anarquia, com a participação de dezenas de editoras, distribuidoras 
e expositores. Para falar um pouco sobre a feira, conversamos com Zachavela, da 
distribuidora de livros La Sociale, e da livraria anarquista L'insoumise. ---- Agência de 
Notícias Anarquistas > O que é La Sociale? ---- Zachavela < A La Sociale é um coletivo de 
difusão de livros e outros textos libertários, anticapitalistas e de luta de classes de 
várias tendências e correntes. Existe desde fins dos anos 70 e já teve duas livrarias 
abertas em Montreal durante três anos. ---- ANA > E quais os livros "mais importantes" que 
já lançaram? ---- Zachavela < Normalmente, não editamos. Recebemos e vendemos, mas de vez 
em quando fazemos pequenas edições de textos, não de livros completos. Por exemplo, 
editamos: Quand Meurent les Insurrections, do autor Gilles Dauvé, o texto de poesia meu 
intitulado, Parce que je Veux Respirer, assinado Zachavela, e outras coisas mais, sobre 
arte, surrealismo etc.

Sobretudo, estamos em contato com as editoras Nuits Rouges, L'Insomniaque, Spartacus, 
Oiseau Tempête, Théorie Communiste etc., da França, que nos enviam revistas ou livros para 
serem conhecidos aqui. Vai de Bakunin até textos de Daniel Guerrin. La Sociale foi um dos 
primeiros coletivos a divulgar Guy Debord e a Internationale Situationniste em Quebec, 
pois tínhamos boas relações com a editora Champ Libre que editaram os autores da I.S. Eu 
só comecei a participar no coletivo desde mais ou menos 1997.

ANA > E aí, qual foi o balanço da "6ª Feira do Livro Anarquista de Montreal"?

Zachavela < Sobre os expositores, para teres a lista completa acho que no site 
(anarchistbookfair.taktic.org) da Feira do Livro Anarquista de Montreal poderás encontrar 
todos os nomes. Posso te dizer que houve bastante gente, conferências, exposições de arte, 
noites de poesia etc. Foi um sucesso. Também no site encontrará o programa da feira. Penso 
que seria mais completo assim. Há muitos grupos que participam que não são libertários, 
mas de outras tendências.

ANA > Esses grupos de outras tendências fazem parte da esquerda institucional, partidária? 
Explique melhor...

Zachavela < Não, não são da esquerda institucional.

ANA > Qual o perfil das pessoas que frequentam a feira de Montreal?

Zachavela < Sobretudo diria que é gente anarquista, libertária, com ou sem grupo, também 
anti-mundialistas e gente de esquerda, somente progressistas, feministas, ecologistas etc. 
Há muitos estudantes e alguns professores de universidade que passam por lá, pois existe 
um curso na universidade sobre a anarquia.

ANA > Que curso e qual universidade?

Zachavela < O nome exato do curso não sei, mas a universidade é: Université du Québec à 
Montréal (UQAM).

ANA > Vocês participam desde a primeira feira, certo? De lá para cá, o que mudou? Vocês 
vêem um crescimento na demanda de literatura libertária e antiautoritária no Canadá?

Zachavela < Em Montreal posso te dizer que uma cultura de literatura, e o fato das pessoas 
quererem ler textos libertários, está aumentando. Mas é difícil de dizer quais são as 
expectativas. Moda ou movimento? Não sei. Mas posso dizer que a feira é muito popular e 
que as pessoas que organizam esse evento são competentes.

ANA > O fato do Living Theatre ter participado da abertura da feira, significa mais 
visibilidade, mais gente no evento?

Zachavela < Penso que sim, e sobretudo pessoas que normalmente não vemos, pois se 
interessam por outras coisas. Eu estive numa das noites do Living Theatre e foi realmente 
muito interessante.

ANA > A grande mídia divulgou a feira, ou fez alguma reportagem "especial"?

Zachavela < Desculpa, mas não posso responder a essa pregunta. Há muita publicidade, mas 
este ano não sei se as grandes mídias falaram algo. Leio pouco os jornais oficiais e tão 
pouco falo com as mídias. Mas houve outros anos que a mídia oficial falou do evento.

ANA > Você conseguiria dizer qual o livro que mais vendeu na feira? Ou destacaria algum 
que estava exposto por lá?

Zachavela < Normalmente, as pessoas buscam textos de ou sobre Daniel Guerrier, Bakunin, 
Albert Jacob, Antonin Panneckoek (Conseil Ouvriers), Jaime Semprun Moura (Guerra Civil na 
Espanha em 36) etc.

ANA > La Sociale só participa da feira de Montreal ou de outras também?

Zachavela < Quando vamos a Paris, ajudamos os amigos da Les Éditions Spartacus na feira de 
Lutte Ouvrière. Mas se não, é só na feira de Montreal.

ANA > Já ocorreu em alguma edição da feira qualquer tipo de repressão do Estado?

Zachavela < Não. Até agora tudo correu bem. É assim, o coletivo da feira do livro aluga um 
espaço. É só.

ANA > A livraria L'insoumise é nova?

Zachavela < Antigamente, havia uma livraria que se chamava Alternatives e que era dirigida 
por gente de extrema-esquerda, pretendendo ser um espaço anarquista. Grupos anarquistas e 
libertários tomaram posse desse lugar e mudaram o nome. Agora, a livraria anarquista em 
Montreal chama-se L'insoumise. Tem La Sociale, NEFAC, Le Trouble, Mauvaise Herbe, GCL, 
Maikan etc. que participam no projeto. Cada grupo envia gente para o coletivo da livraria 
e assim gerem o projeto.

ANA > Na programação do Festival da Anarquia existia um projeto chamado "Bookmobile". O 
que é isso?

Zachavela < Francamente, não sei. Há tanta coisa que se passa durante a mostra do livro, 
que algumas coisas nos escapam. Mas se quiser posso te falar do futebol anarquista durante 
a feirar. O pessoal que gosta de jogar futebol convida o pessoal todo, crianças também, e 
vão lá para o gramado jogar bola...

ANA > O livro continua sendo um bom companheiro?

Zachavela < Eu adoro ler e por isso, penso que sim, o livro sempre será um dos melhores 
companheiros que se encontre. Mas viver tudo o que está escrito é melhor ainda. E indo 
escrevendo histórias, com nossas vidas, transformam-se essas experiências em nossos livros 
vivos, que outras pessoas, talvez um dia, lerão e viverão mais tarde, e essas nossas 
vidas, talvez, os ajudarão também a conquistar mais liberdades.

ANA > Para finalizar, poderia contar alguma história engraçada, ou curiosa que tenha se 
passado nessa última edição da feira?

Zachavela < Posso dizer que depois da feira vamos beber uns copinhos num bar que se chama 
Yermad, antigamente Blues Clair, e que aí bebendo as cervejinhas, cantamos velhas canções 
anarquistas. É engraçado, divertido... Assim se termina o nosso evento.


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