(pt) CALC - CAB, PUBLICAÇÕES: A GREVE GERAL CONTRA AS REFORMAS PASSA POR ROMPER COM A BUROCRACIA E O REBOQUISMO DAS CENTRAIS.

a-infos-pt ainfos.ca a-infos-pt ainfos.ca
Sexta-Feira, 21 de Julho de 2017 - 08:16:01 CEST


Na última semana, o Congresso aprovou a Reforma Trabalhista e o povo sofreu mais um duro 
ataque aos seus direitos, conquistados através de muita luta e organização popular. O 
conflito está anunciado e os donos do poder querem que suas agendas e as do FMI avancem a 
qualquer custo. Contribuindo para desviar os focos de golpes como a aprovação da MP da 
Grilagem e dos ataques aos direitos trabalhistas, outro fato toma a cena quando Sergio 
Moro anuncia a condenação de Lula, em primeira instância, a 9 anos e meio de prisão. E, 
mesmo diante de recuos sociais cada vez maiores, em uma conjuntura tão grave, as centrais 
sindicais imediatamente convocaram atos em apoio a Lula, preocupando-se unicamente com as 
agendas eleitorais e abandonando - fator já demonstrado na última paralisação do dia 30 de 
junho - as pautas contra as reformas e a Greve Geral.

Do lado dos de baixo, o povo segue sofrendo e são sistemáticos os ataques aos movimentos 
sociais. Vemos o acirramento da violência no campo, com mais de 40 assassinatos de 
camponeses, sem-terra, indígenas e quilombolas no Pará, Bahia e outros estados em 
permanente conflito. Nas cidades, o povo negro e os moradores de favelas e periferias são 
exterminados diariamente pelas polícias e as políticas de "combate às drogas" do Estado. 
Visando à privatização e ao lucro de seus parceiros empresários, governantes seguem com 
seus projetos de destruição da educação e dos serviços públicos de saúde. Diariamente, o 
povo é vítima da violência, do péssimo e caro serviço de transportes públicos, do 
fechamento de restaurantes populares e da falta de pagamento dos salários de servidoras e 
servidores da ativa e aposentados, como ocorre no Rio de Janeiro. O desemprego, os 
alugueis, os aumentos da cesta básica, gás, água, energia, o custo de vida cada vez mais 
alto, complementam esse cenário de sofrimento para os/as de baixo.

Do lado dos de cima, o capital aponta para o acirramento, para o conflito cada vez maior 
contra o povo, aplicando as agendas do FMI de modo cada vez mais feroz, não apenas no 
Brasil, mas em nível mundial - a destruição dos direitos trabalhistas e a reforma da 
previdência, a abertura do país para a sede de lucros de investidores do capital 
internacional, a degradação social, a privatização dos setores essenciais da população 
como saúde, educação, transportes, água e demais recursos naturais, a escalada de 
violência e criminalização contra o povo e os movimentos sociais. O projeto do capital é 
fazer avançar essas e outras medidas em diversos países, fazendo o povo ser ainda mais 
explorado e oprimido, com o objetivo de retroceder as históricas conquistas da classe 
trabalhadora.

Os de cima também têm suas "brigas de condomínio"! E os rearranjos de poder seguem com o 
objetivo central de aprofundamento da agenda neoliberal. Já apontam para uma provável 
queda de Temer, assumindo Rodrigo Maia, e para a convocação de eleições indiretas pelo 
Congresso. Tal jogo pode ter relação com as frequentes negociações que Temer tem feito com 
a base aliada para conseguir avançar as reformas, gerando modificações e emendas que 
desagradam os setores do capital e do empresariado nacional e internacional. Esses setores 
passam, então, a pressionar, com apoio da Globo (interessada em criar uma cortina de 
fumaça para seu próprio envolvimento com casos de corrupção) e da mídia burguesa, no 
sentido de derrubar Temer para que outro assuma e aplique o receituário do FMI sem 
qualquer tipo de alterações que comprometam, o mínimo que seja, seus interesses. Além 
disso, tem se delineado um projeto de poder que, para se consolidar, busca a máxima 
exploração da classe trabalhadora e varrer do cenário político não só o PT como, também, 
os setores da esquerda e outros setores da velha direita oligárquica nacional e seus 
interesses - que já não são tão úteis para o avanço desta agenda quanto os atuais políticos.

Diante disso, CUT e CTB seguem com suas práticas de reboquismo e fazendo correia de 
transmissão das pautas partidárias do PT, via "Diretas Já", com uma clara mobilização 
visando campanha para eleger Lula em 2018. Essa prática de sindicalismo burocratizado 
cumpre um papel bem claro na história brasileira: frear a luta social e fazer com que as 
decisões que dizem respeito a todos/as os/as de baixo sejam tomadas entre políticos, 
empresários e burocratas sindicais. Assim, as centrais seguem defendendo o plano nada 
popular do PT, partido que, junto ao PMDB, foi por 13 anos serviçal do capital financeiro, 
do agronegócio, dos grandes empresários, sendo chutado para fora do barco da burguesia, 
mas insistindo em agir como sua linha auxiliar. Esta última viu que precisava de alguém 
mais eficiente que o PT para avançar suas agendas e as do FMI com mais agilidade e 
profundidade.

Não satisfeito em fazer um governo que destinava migalhas aos pobres e quase metade do PIB 
para pagar os agiotas e banqueiros, agora, o PT quer voltar para aplicar novamente a sua 
política de "conciliação de classes". E não vamos esquecer da punhalada com a Lei 
Antiterrorismo, aprovada por Dilma, e que certamente será usada para criminalizar as ações 
dos movimentos sociais e grupos de esquerda organizados. Desse modo, em sintonia com os 
poderosos e buscando não contrariar as determinações do FMI, o próprio Lula já declarou 
que não irá mudar nada nas reformas da previdência e trabalhista de Temer "se não houver 
correlação de forças" dentro da máquina estatal. Mais uma vez, a história da conciliação 
de classes do PT de 2002 volta como farsa em 2017, com condições ainda mais recuadas e, 
claro, com os movimentos e sujeitos sociais burocratizados e desmobilizados com quase uma 
década e meia de governo petista criando uma cultura de "acordões por cima".

Contra o reboquismo, organizar a luta nas ruas e nos territórios

Diante desse cenário de ataques aos direitos sociais e à classe trabalhadora, sindicatos e 
movimentos sociais não podem ficar a reboque das agendas eleitorais do PT que a CUT e a 
CTB defendem. É preciso romper com a burocracia das centrais e com o petismo e não 
permitir que as pautas contra os ajustes e reformas sejam colocadas em segundo plano.

São fundamentais a massificação e a mobilização das manifestações e das chamadas de Greve 
Geral; e é urgente que se construa uma Greve Geral real e combativa, para além de meras 
paralisações com atos show e verborragias no microfone. Organizar a participação nos atos 
em espaços coletivos desde as bases, debatendo, fazendo agito e mobilizando nos bairros, 
nas favelas, nos locais de trabalho e de estudo, no campo e na cidade. Devemos qualificar 
nossa participação nos atos, realizando ações que pressionem de fato os poderosos e 
aglutinem a população e a rebeldia da juventude. Para isso, são necessárias táticas como 
ocupações, piquetes, trancamento de vias e passeatas com objetivos claros, em vez de 
showmícios e caminhadas sem destino que vão do nada a lugar nenhum, usadas pelas centrais 
apenas para fazer propaganda eleitoral para 2018 ou simular resistência.

Devemos nos organizar e mobilizar também no cotidiano, no trabalho de base nos 
territórios; na construção e fortalecimento de espaços de democracia direta, com o 
protagonismo dos sujeitos no dia a dia das lutas, participando diretamente nos debates, 
elaboração e nos rumos dos movimentos sociais e organizações de base; promovendo espaços 
de resistência e debate sobre as questões sociais e os desafios que se apresentam, 
buscando soluções coletivas e as realizações de todas as formas de ações que envolvam e 
ajudem na construção do poder popular. É isso que cria um novo sujeito coletivo de luta e 
não a esperança em acordos com os de cima e sua lógica politiqueira.

A conjuntura e a ofensiva do capital e poderosos colocam desafios para a esquerda e são 
necessárias estratégias de enfrentamento à exploração e opressão, como também contra o 
pior do fisiologismo e da burocratização do PT e das centrais sindicais que só fazem 
recuar cada vez mais a mobilização popular, atuando na cooptação e contenção dos 
movimentos sociais. A situação impõe a necessidade de resistência e a organização na 
defesa de estratégias e propostas com base nas demandas populares, e não para fazer 
acordões e conciliações de classe, aplicando toda a energia em eleições. Planos que não 
busquem primeiro a negociação com os de cima, mas que antes de tudo os pressionem com os 
anseios e vontades da classe trabalhadora, das negras e negros, mulheres, LGBTTs, 
indígenas, quilombolas, camponeses, sem-terra e demais sujeitos sociais.

Democracia direta já! Barrar as reformas nas ruas e construir o poder popular!

Coordenação Anarquista Brasileira - CAB

https://anarquismopr.org/2017/07/17/cab-a-greve-geral-contra-as-reformas-passa-por-romper-com-a-burocracia-e-o-reboquismo-das-centrais/


Mais informações acerca da lista A-infos-pt