(pt) Um século depois, país pode ter recuo histórico de 100 anos Por Vitor Nuzzi By A.N.A. (en)

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Domingo, 16 de Julho de 2017 - 06:08:16 CEST


[Nota da "ANA": Celebração do centenário da greve geral de 1917 pela CUT-PT é, no mínimo, 
uma grande ironia...] ---- ---- Movimentos relembram aquela que é considerada a primeira 
greve geral no Brasil e apontam semelhanças com o momento atual, com risco de perda de 
direitos trabalhistas ---- Ao som de A Internacional, clássico das esquerdas cantado com 
entusiasmo por aproximadamente 100 pessoas, terminou um evento que celebrava o centenário 
da primeira greve geral no país. Mas o ato desta segunda-feira (10) no Cemitério do Araçá, 
região oeste de São Paulo, teve caráter de atualidade, pela proximidade da votação de um 
projeto que pode atingir direitos que ainda não existiam em 1917 e foram conquistados nas 
décadas seguintes. A ligação entre os períodos históricos foi feita por todos os 
manifestantes, na véspera de votação do projeto de "reforma" trabalhista (PLC 38) no Senado.

É no Araçá que está enterrado, na quadra 132, o espanhol José Iñeguez Martinez, sapateiro 
e militante anarquista de 21 anos assassinado durante a greve de 1917. Uma placa foi 
descerrada em homenagem a ele, com assinaturas da CUT, do PT e da Fundação Perseu Abramo. 
Texto lido pelo secretário nacional de Cultura da central, José Celestino Lourenço, o 
Tino, faz referência às "jornadas de trabalho desumanas", ao trabalho infantil e às 
condições degradantes dos trabalhadores daquela época. "A greve de 1917 foi fundamental 
não só para o fim da República Velha, mas para as leis de proteção social" que surgiriam a 
partir dos anos 1930 e culminariam com a CLT, em 1943.

"Estamos fazendo um resgate histórico de um momento de bravura", afirmou o presidente da 
CUT São Paulo, Douglas Izzo. "Infelizmente, a luta dos trabalhadores continua sendo 
tratada pelas autoridades policiais e pelo Estado como uma transgressão. Temos muito ainda 
o que lutar. O que estão apontando para o Brasil é acabar com todo o avanço civilizatório 
que conseguimos com a luta de José Martinez e outros companheiros", acrescentou Douglas, 
segurando uma edição fac-símile do jornal A Plebe, lançado em 1917 por inspiração de 
Edgard Leuenroth, militante anarquista que dá nome a um arquivo mantido pela Universidade 
Estadual de Campinas (Unicamp).

Não precisamos só do remendo,

precisamos do casaco inteiro.

Não precisamos de pedaços de pão,

precisamos de pão verdadeiro.

Não precisamos só do emprego,

de toda a fábrica precisamos.

Integrantes do grupo teatro Ouro Velho recita poesias. A primeira é a Canção do Remendo e 
do Casaco, do alemão Bertolt Brecht. Um representante do Centro de Cultura Social - criado 
em 1993 e dedicado ao estudo e preservação do pensamento anarquista -, lembra que 10 mil 
pessoas estavam naquele mesmo Araçá em 10 de julho de 1917, no enterro de Martinez. A 
greve deixou outras vítimas, como o pedreiro Nicolau Salerno, e a jovem Edoarda Binda, de 
12 anos. Mas o número de mortos é presumivelmente maior.

O pesquisador e ativista José Luiz Del Roio, autor de um livro sobre a greve de 1917, faz 
referência aos desaparecidos daquele período e da ditadura instalada a partir de 1964. 
"Onde foram parar os nossos companheiros?", questiona, destacando a importância do ato de 
hoje. "Isto aqui não é o final, mas o início ou a continuação de uma história."

Del Roio também cita o histórico das ossadas de Perus, encontradas em 1990 em uma vala 
clandestina no Cemitério Dom Bosco e que permaneceram durante certo período no Araçá. 
Agora, estão sob análise do Centro de Arqueologia e Antropologia Forense, da Universidade 
Federal de São Paulo. Sua companheira Isis, desaparecida em 1972, pode estar entre as vítimas.

Ao lado de Del Roio, o líder ferroviário Raphael Martinelli, que completará 93 anos em 
outubro, fala de suas origens operárias - o pai tinha 24 anos em 1917. O jornalista Sérgio 
Gomes comunica a morte da professora Ecléa Bosi, que ganha uma rápida homenagem.

Diretor da Fundação Perseu Abramo, ex-presidente da CUT e ex-secretário municipal do 
Trabalho em São Paulo, Artur Henrique vê a greve de 1917 como "uma mobilização contra a 
exploração do capital" e acrescenta que, passado um século, os trabalhadores organizam uma 
greve geral contra o "desmonte" da legislação trabalhista. Ressalta a importância da 
preservação da memória.

Neste ano, foi aprovado projeto do vereador paulistano Antonio Donato (PT) que deu origem 
à Lei 16.634, de abril. A lei inclui no calendário oficial da cidade o 9 de julho como Dia 
da Luta Operária.

O presidente da CUT, Vagner Freitas, observa que a esquerda foi mudando sua organização 
conforme a época - mas com os mesmos objetivos. "Desde o golpe (referência ao impeachment 
de Dilma Rousseff), as centrais e as frentes que formamos vêm combatendo de todas as 
formas. E a principal é a rua."

"Do que são feitos nossos direitos? Em 100 anos tombaram quantos? Quantas mulheres foram 
estupradas, quantos jovens foram calados, quantos trabalhadores foram mortos?", questiona 
a vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, destacando a violência ainda presente no meio rural 
- 600 mortos em 30 anos, conforme a Comissão Pastoral da Terra (CPT), diz a sindicalista, 
paraense de origem. "A consciência da classe trabalhadora precisa estar conectada com seu 
passado, com sua história."

Fonte: 
http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2017/07/um-seculo-depois-pais-pode-ter-recuo-historico-de-100-anos

agência de notícias anarquistas-ana

lua alta

https://noticiasanarquistas.noblogs.org/post/2017/07/11/um-seculo-depois-pais-pode-ter-recuo-historico-de-100-anos/

http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2017/07/um-seculo-depois-pais-pode-ter-recuo-historico-de-100-anos


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