(pt) Organização Específica Anarquista do Amazonas (OEA): Crise na UEA: "Cidade Universitária" orçada em 700 milhões nunca existiu

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Sexta-Feira, 14 de Julho de 2017 - 07:01:25 CEST


Projeto "Cidade Universitária" apresentada pelo governo em 2012 ---- O suntuoso projeto 
chamado "Cidade Universitária", foi anunciado em julho de 2012 pelo então governador Omar 
Aziz (PSD). Originalmente, foi vendido a sociedade amazonense como sendo o projeto de um 
"complexo universitário" localizado no município de Iranduba (22 quilômetros de Manaus) 
onde atenderia a comunidade de estudantes da capital e interior, além de ‘incentivar' o 
turismo na região. Este verdadeiro ‘elefantão branco' recebeu cerca R$ 700.000.000 milhões 
de investimento público e a previsão de entrega, pelo menos da primeira etapa, seria em 
Março de 2015 (orçada em R$ 81 milhões oriundos da venda da Companhia de Gás do Amazonas 
(Cigás) e de recursos privados), entretanto... a obra mal iniciou e o contrato com a 
construtora foi cancelado.

Cidade Universitária: R$ 700 milhões segue parada à espera da venda da Cigás-AM

Além da obra ter um orçamento milionário e o projeto nunca ter existido na realidade, ele 
foi responsável por um processo violento de expulsão de famílias e moradores, pequenos 
agricultores, vilas e comunidades indígenas (população que historicamente morou durante 
toda sua vida na região), através de reintegrações de posse e mesmo assassinato de 
lideranças de movimentos sociais. O saldo: expulsão de 389 pessoas, das quais, 88% não 
tiveram direito à indenização pela terra, sendo a maioria com ensino fundamental 
incompleto e renda familiar de até um salário mínimo. Muitas ainda viviam em áreas ainda 
mais afastadas, com baixa escolaridade, baixa renda e em dificuldades de sobrevivência. Em 
termos de impacto ambiental, a construção da super-obra se daria em Área de Proteção 
Ambiental (APA) à Margem Direita do Rio Negro: não tenhamos dúvidas de que a maior parte 
desta região seria devastada por projetos de iniciativa privada.

Obra está paralisada desde 2015 ano que a primeira etapa deveria ter sido finalizada

O projeto que fora abandonado pelas gestões que se revezaram no governo do estado (Omar 
Aziz (PSD), José Melo (SD) e o tampão David Almeida (PSD)) mantiveram ao longo do tempo 
uma "Unidade Gestora de Projeto" (UGP), que conta hoje com nove cargos comissionados. Com 
o sucateamento crescente da UEA que culminou na escandalosa ameaça de fechamento das 
portas até o fim desse ano, é oportuno questionarmos os lacaios que passaram pelo governo 
onde foram parar os R$ 700.000.000 milhões de investimento público e o porque de não terem 
encerrado as atividades, funções e remunerações da tal UGP, uma vez que a Cidade 
Universitária nunca existiu, a não ser em propagandas, planilhas, orçamentos e 
superfaturamentos.

David Almeida entregando viaturas e um helicóptero para a Polícia Militar

Com a queda de José Melo no governo do estado, que como legado deixou a saúde e educação 
do Amazonas em estado terminal, o tampão David Almeida (PSD), apenas deu continuidade a 
este projeto fantasma que só existe no papel, remanejando os comissionados para a chamada 
"Unidade Gestora de Projetos Especiais" (UGPE) via Decreto publicado no dia 7 de Julho no 
DOE (Diário Oficial do Estado). Em paralelo, David Almeida anunciou um pacote de 
investimentos na ordem de R$ 30 milhões para a compra de armas, motocicletas e viaturas 
para a Polícia Militar. Ou seja: prefere-se investir em repressão e violência do que em 
educação.

A política dos governos que vem se alternando no poder local (famílias de coronéis e 
velhos caciques da política, herdeiros e filhos diretos da tenebrosa ditadura militar, 
todos comungados com consórcios empresariais de porte internacional), é a política do 
sucateamento e da destruição da coisa pública - destruição dos investimentos em saúde e 
educação, transporte, alimentação, saneamento básico, setor hídrico, habitação. É a 
política do lucro das pequenas famílias, dos grandes grupos, dos políticos profissionais, 
empresários, empreiteiros, latifundiários, banqueiros, que não saciam sua ganância e mesmo 
de "barriga cheia", não desejam perder nenhum tostão.

O ESTADO NÃO PODE DAR EDUCAÇÃO PORQUE A EDUCAÇÃO DERRUBA O ESTADO.

Primeira fase da obra orçada em mais R$ 81 milhões

Canteiro de obras abandonado

Obras paralisadas

Governo cancelou contrato e afirma que não há recursos para construir Cidade Universitária
https://anarquismoam.wordpress.com/2017/07/10/crise-na-uea-cidade-universitaria-orcada-em-700-milhoes-nunca-existiu/


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